ENFERMEIRO E A MULHER NO CICLO GRAVÍDICO-PUERPERAL: PRÁTICA EDUCATIVA ENTRE AMAMENTAÇÃO X BANCO DE LEITE.

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ANA PAULA MOREIRA DA ROCHA
CARLOS ROBERTO AZEVEDO CASTRO
MARLON XAVIER DE SOUZA
CLÁUDIA MARIA MESSIAS

Resumo

Descritores: Enfermagem, Educação em enfermagem, Aleitamento materno.

INTRODUÇÃO:

Segundo Chagas (1995, p.5)o leite humano e um fluído, que em sua composição química, possui todas as necessidades nutritivas da criança, atendendo as peculiaridades de sua digestão e de seu metabolismo, além do papel protetor contra infecções.

O banco de leite humano é um centro especializado, responsável pela promoção e o incentivo ao aleitamento materno, execução das atividades de coleta, processamento e controle de qualidade do colostro, leite de transição e leite humano maduro, para posterior distribuição, sendo veiculado a um hospital materno e/ou infantil, sendo esta entidade sem fins lucrativos. (Almeida, 2009, p.1).

 

OBJETIVOS:

Para fundamentar novas pesquisas, foi realizada uma pesquisa bibliográfica com objetivo de identificar e analisar a atuação do enfermeiro frente às gestantes e puérperas, associando aleitamento materno ao banco de leite.

 

METODOLOGIA:

A revisão empregou estudos primários que foram identificados nas bases de dados do SCIELO (Scientific Eletronic Library Online), LILACS (Literatura Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), BIREME (Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde), BVS – Aleitamento Materno (Biblioteca Virtual da Saúde). O Levantamento de dados foi realizado entre os meses de fevereiro a novembro de 2009, sendo selecionados artigos entre os anos de 1995 a 2009.

 

RESULTADOS:

Dos artigos selecionados no quadro 1 (em anexo),  foram importantes sua apresentação para maior confiabilidade e conhecimento da própria estrutura do estudo. A maior parte dos artigos presentes no quadro, não foram utilizados como referencial nem no processo de fundamentação do artigo, mas, como análise. Por se tratar de um trabalho de monografia para conclusão de curso, os artigos citados no quadro 1, foram utilizados na confecção do trabalho. Observou-se que pouco o enfermeiro tem produzido cientificamente para contribuir na promoção das ações educativas sobre aleitamento materno e doação de leite humano, bem como sobre a atuação do enfermeiro no banco de leite humano.

A escassez de trabalhos publicados sobre doação de leite humano, atuação do enfermeiro e ações educativas é categórico, podendo ser observado no quadro 2 (em anexo). Contudo, mediante a análise das publicações selecionadas, vislumbrou-se um novo horizonte, considerando como ponto de partida, identificar e analisar a atuação do enfermeiro, frente às gestantes e puérperas, associando o aleitamento materno ao banco de leite humano.

Alencar (2009, p.1) cita em seu estudo os fatores que levaram as gestantes doarem o leite materno: a expressão de doação como ajuda a outras mães impossibilitadas de amamentar; o excesso de produção láctea, superior à necessidade do bebê; experiência prévia de dificuldade e/ou impedimento de amamentação da própria doadora. Os motivos que levaram ao término da doação do leite humano: retorno as atividades cotidianas (trabalho, estudo), redução da produção láctea. Das multíparas, questionadas sobre a não doação anteriormente, relataram vergonha e por isso jogavam o excedente fora; falta de orientação no hospital onde realizou o parto pela primeira vez; teve vontade de doar, mas não tomou iniciativa.

Galvão (2006, p.159) analisou em seu estudo o perfil das mulheres doadoras de leite humano em Fortaleza no ano de 2003. “54,5% das mulheres tinham entre 16 e 20 anos, 90% eram casadas, 45,5% estavam empregadas, 36,4% apresentavam ensino fundamental incompleto, com uma renda de 2 a 4 salários mínimo”. Os motivos que levaram a doarem o leite humano foi o ingurgitamento mamário, sendo orientada a extração do leite por meio de amamentação direta ao recém nascido e a retirada manual do leite materno. Elas receberam informações sobre a importância e o benefício do leite humano, se tornando dispostas a doar seu excedente. Porém, elas só tiveram conhecimento do banco de leite no período do pré natal ou após o parto. As orientações recebidas no pré natal quanto ao banco de leite se limitava a um serviço que recebia o leite apenas da mãe para o filho.

Silva (2008, p.11) analisou a coleta do leite doado ao banco de leite humano na cidade de Cascavel, no ano de 2008. A coleta foi de 250.905ml de leite humano, sendo 50.900ml descartados, devido à técnica inadequada de coleta, higiene precária das doadoras e utensílios utilizados, além da manutenção do leite fora da refrigeração ou congelamento. Quanto ao motivo que levou as puérperas a doação de leite, 76,19% respondeu que foi por iniciativa própria, 23,80% devido às campanhas do próprio banco de leite humano. Elas doavam devido ao desconforto proporcionado pelo ingurgitamento mamário, sendo que a maioria desconhecia os benefícios e a importância do aleitamento materno. Se fossem orientadas, não haveria este número de descarte de leite doado, oriundo de uma coleta inadequada.

Escobar (2002, p.260) descreve o papel da instituição no apoio às gestantes e puérperas frente ao aleitamento materno. “Não há um hábito de controle de saúde ou incentivo do hospital onde ocorreu o parto”. Cabe os profissionais que, diretamente estão envolvidos na assistência às gestantes, exercer um papel educativo mais decisivo no sentido de incentivar esta prática.

As atividades educativas podem ser individuais ou coletivas, com temas de interesse a gestante, sob a forma de palestras, discussões informais, relatos de experiências, oficinas, etc., com objetivo de transmitir as inúmeras vantagens do aleitamento materno, motivando-as a amamentar por um maior tempo possível, ensiná-las a maneira correta de fazê-lo, assim como as formas de enfrentar os problemas mais comuns que porventura surjam. (Rego, 2006, p.123).

Deve estimular à gestante e/ou puérpera a falar de suas dificuldades, conversar sobre os mitos mais comuns; ajudá-la na construção do conhecimento (esclarecendo concepções confusas, explicar o processo de amamentação, mostrar vídeos, discutir vantagens e desvantagens sobre do aleitamento materno, conversar sobre amamentação com grupos de mães, etc.). (Silva, 2005, p.63).

Os profissionais devem valorizar a relação com as mães, estimulando o resgate da prática; “as orientações devem começar a partir da realidade de cada uma das mães, determinando prioridades, e tendo em vista suas necessidades e recursos”. O enfermeiro deve ajudá-la no momento do desespero e desistência da prática da amamentação, sendo esta atitude importante para a sua continuidade. (Frota 2008, p.405).

De acordo com Felipe e Felipe (2005, p. 53), o número de enfermeiros que atenderam o pré natal no Rio de Janeiro, em 2003, foi de 9,5%, sendo observado que tanto enfermeiros quanto os médicos não estão engajados na promoção e incentivo à doação de leite materno para os bancos de leite humano, tendo em vista o número de puérperas que receberam orientações sobre doação (26,9%). Os profissionais do banco de leite humano, em particular o enfermeiro necessita de maiores investimentos nas informações a serem transmitidas as mulheres, pois só através das práticas educativas, junto às gestantes no pré natal minimizaria esta situação.

O trabalho de captação das possíveis doadoras deve ser feito, através de frequentes orientações repassadas pela equipe de saúde, principalmente do banco de leite humano, a respeito das doações e aleitamento materno. As informações ainda são restritas, sendo passadas somente no processo de maternidade da mulher, quando elas estão preocupadas principalmente com o seu filho, e não conseguem atentar para a importância do leite para a doação. (Galvão, 2006, p.160).

Segundo Silva (2008, p.14-15), o enfermeiro deve ter conhecimento sobre a técnica correta da ordenha manual, e garantir que a própria nutriz saiba realizar, pois a ordenha é considerada como um processo de controle de qualidade do leite humano ordenhado, se não for bem conduzido, comprometerá o produto.Realizar o mapeamento das doadoras facilita na organização da coleta externa de acordo com a densidade das doadoras em uma determinada região.

 

CONCLUSÕES:

Constata-se que ao lado das garantias alcançadas para o aleitamento materno, há necessidade de se evidenciar mais esforços políticos, institucionais, profissionais, econômicos no incentivo à promoção, proteção e apoio à doação de leite humano, pois os bancos de leite dependem diretamente da produção láctea das doadoras para que estes possam ter sua continuidade, e que possam continuar atendendo a demanda.

Para que todo este processo ocorra de forma eficaz, a equipe do banco de leite humano, em especial, o enfermeiro, é o profissional mais qualificado para exercer esta abordagem, que tem um processo longo, e que deve ser iniciado no pré natal, dando continuidade no puerpério e pós alta hospitalar, prestando uma assistência individualizada, com uma comunicação de fácil entendimento, disponha de recursos que facilitem este processo, como, oficinas, palestras educativas, vídeos, atividades em grupo, visando troca de experiências, na busca da soma de conhecimentos. Dividir as ações em etapas facilita o aprendizado, tornando um componente motivacional da colocação na prática do que fora aprendido.

Fazer com que a gestante conheça o trabalho do banco de leite humano dentro do pré natal, conhecendo sua importância, todo o processamento do leite, até chegar a crianças onde as mães estão impossibilitadas de amamentar, favorecerá sua conscientização do ato de doar.

 

REFERÊNCIAS:

ALENCAR L. C. E., SEIDL E. M. F. Percepção de mulheres doadoras sobre a prática de doação de leite humano: promoção e incentivo para o banco de leite. Disponível em: http://www.furb.br/formularios/aleitamento/anais/blhs/art_blhs_01.pdf. Acesso em: 14 out. 2009.

ALMEIDA J. S. de. Banco de leite humano. Disponível em: http://www.hospvirt.org.br/enfermagem/port/hanlei.htm.  Acesso em: 5 fev. 2009.

CHAGAS R. I. A., WATANABE J. S., SILVA L. R. et al. Banco de leite humano como incentivo ao aleitamento materno. Acta Paulista de enfermagem, São Paulo. v.8, n.1, p. 5-10, jan./abr.1995.

ESCOBAR A. M. de U., OGAWA A. R. et al. Aleitamento materno e condições socioeconômico-culturais: fatores que levam ao desmame precoce. Rev. Bras. Saúde matern. Infant., Recife. v.2, n.3, p. 253-61,  set./dez.  2002.

FELIPE E FELIPE S., ALMEIDA M. F. P. V. A orientação e incentivo da doação de leite materno para os bancos de leite humano durante o pré natal. Rev. de pesquisa.: cuidado é fundamental, Rio de Janeiro. ano 9, n.1/2, p. 49-56. 2005.

FROTA M. A., ADERALDO N. N. S., SILVEIRA V. G. et al. O reflexo da orientação na prática do aleitamento materno. Cogitare Enfermagem, Fortaleza. v.13, n.3, p. 403-9, jul./set., 2008.

GALVÃO M. T. G., VASCONCELOS S. G., PAIVA S. de S. Mulheres doadoras de leite humano. Acta Paul. Enferm., São Paulo. v.19, n.2, p.157-61. 2006.

REGO J. D. Aleitamento materno. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2006. cap. 2, p.27-56.

SILVA G. R. da. Conhecendo o leite materno: vantagens e desvantagens (Trabalho de conclusão de curso). Rio de Janeiro: Universidade Estácio de Sá, Curso de Enfermagem; 2005.

SILVA M. L., BERTO N. R. T. Avaliação das condições de ordenha domiciliar em um banco de leite humano em Cascavel – PR; 2008. Disponível em: http://www.fag.edu.br/tcc/2008/Nutri%E7%E3o/avaliacao_das_condicoes_de_ordenha_domiciliar_em_um_banco_de_leite.pdf. Acesso em: 15 out. 2009.

 

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Como Citar
1.
ROCHA APMD, AZEVEDO CASTRO CR, DE SOUZA MX, MESSIAS CM. ENFERMEIRO E A MULHER NO CICLO GRAVÍDICO-PUERPERAL: PRÁTICA EDUCATIVA ENTRE AMAMENTAÇÃO X BANCO DE LEITE. R. pesq. cuid. fundam. online [Internet]. 4º de janeiro de 2011 [citado 17º de janeiro de 2022];. Disponível em: http://seer.unirio.br/cuidadofundamental/article/view/1230
Seção
Systematic Review of Literature
Biografia do Autor

ANA PAULA MOREIRA DA ROCHA, UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

ENFERMEIRO E A MULHER NO CICLO GRAVÍDICO-PUERPERAL: PRÁTICA EDUCATIVA ENTRE AMAMENTAÇÃO X BANCO DE LEITE.

 

Ana Paula Moreira da RochaI, Carlos Roberto Azevedo CastroII, Marlon Xavier de SouzaIII, Cláudia Maria MessiasIV.

I Graduada em Enfermagem pela Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, RJ. Nacionalidade: Brasileira. Local da Instituição: Brasil. Rua Ananias Antero da Costa 887 – Casa – Vila Zulmira – São João de Meriti – Rio de Janeiro. CEP: 25545-090. email: linhapmr@hotmail.com Telefone: (21) 9640-1222.

II Graduado em enfermagem pela Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, RJ. Nacionalidade: Brasileiro. Local da Instituição: Brasil. email: azevedotec@hotmail.com Telefone: (21) 8513-5029.

III Graduado em enfermagem pela Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, RJ. Nacionalidade: Brasileiro. Local da Instituição: Brasil. email: marlonxavier68@gmail.com Telefone: (21) 9567-3843.

IV Mestre em enfermagem na saúde da mulher pala Escola de Enfermagem Alfredo Pinto – EEAP – UNIRIO, Especialista em Enfermagem Obstétrica pela UERJ, Professora da Universidade Castelo Branco, Enfermeira do Hospital Municipal Miguel Couto, Rio de janeiro, RJ. Nacionalidade: Brasileiro. Local da Instituição: Brasil. email: cmmessias@hotmail.com Telefone: (21) 9949-5492.

 Descritores: Enfermagem, Educação em enfermagem, Aleitamento materno.

 RESUMO EXPANDIDO

INTRODUÇÃO:

Segundo Chagas (1995, p.5)o leite humano e um fluído, que em sua composição química, possui todas as necessidades nutritivas da criança, atendendo as peculiaridades de sua digestão e de seu metabolismo, além do papel protetor contra infecções.

O banco de leite humano é um centro especializado, responsável pela promoção e o incentivo ao aleitamento materno, execução das atividades de coleta, processamento e controle de qualidade do colostro, leite de transição e leite humano maduro, para posterior distribuição, sendo veiculado a um hospital materno e/ou infantil, sendo esta entidade sem fins lucrativos. (Almeida, 2009, p.1).

 

OBJETIVOS:

Para fundamentar novas pesquisas, foi realizada uma pesquisa bibliográfica com objetivo de identificar e analisar a atuação do enfermeiro frente às gestantes e puérperas, associando aleitamento materno ao banco de leite.

 

METODOLOGIA:

A revisão empregou estudos primários que foram identificados nas bases de dados do SCIELO (Scientific Eletronic Library Online), LILACS (Literatura Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), BIREME (Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde), BVS – Aleitamento Materno (Biblioteca Virtual da Saúde). O Levantamento de dados foi realizado entre os meses de fevereiro a novembro de 2009, sendo selecionados artigos entre os anos de 1995 a 2009.

 

RESULTADOS:

Dos artigos selecionados no quadro 1 (em anexo),  foram importantes sua apresentação para maior confiabilidade e conhecimento da própria estrutura do estudo. A maior parte dos artigos presentes no quadro, não foram utilizados como referencial nem no processo de fundamentação do artigo, mas, como análise. Por se tratar de um trabalho de monografia para conclusão de curso, os artigos citados no quadro 1, foram utilizados na confecção do trabalho. Observou-se que pouco o enfermeiro tem produzido cientificamente para contribuir na promoção das ações educativas sobre aleitamento materno e doação de leite humano, bem como sobre a atuação do enfermeiro no banco de leite humano.

A escassez de trabalhos publicados sobre doação de leite humano, atuação do enfermeiro e ações educativas é categórico, podendo ser observado no quadro 2 (em anexo). Contudo, mediante a análise das publicações selecionadas, vislumbrou-se um novo horizonte, considerando como ponto de partida, identificar e analisar a atuação do enfermeiro, frente às gestantes e puérperas, associando o aleitamento materno ao banco de leite humano.

Alencar (2009, p.1) cita em seu estudo os fatores que levaram as gestantes doarem o leite materno: a expressão de doação como ajuda a outras mães impossibilitadas de amamentar; o excesso de produção láctea, superior à necessidade do bebê; experiência prévia de dificuldade e/ou impedimento de amamentação da própria doadora. Os motivos que levaram ao término da doação do leite humano: retorno as atividades cotidianas (trabalho, estudo), redução da produção láctea. Das multíparas, questionadas sobre a não doação anteriormente, relataram vergonha e por isso jogavam o excedente fora; falta de orientação no hospital onde realizou o parto pela primeira vez; teve vontade de doar, mas não tomou iniciativa.

Galvão (2006, p.159) analisou em seu estudo o perfil das mulheres doadoras de leite humano em Fortaleza no ano de 2003. “54,5% das mulheres tinham entre 16 e 20 anos, 90% eram casadas, 45,5% estavam empregadas, 36,4% apresentavam ensino fundamental incompleto, com uma renda de 2 a 4 salários mínimo”. Os motivos que levaram a doarem o leite humano foi o ingurgitamento mamário, sendo orientada a extração do leite por meio de amamentação direta ao recém nascido e a retirada manual do leite materno. Elas receberam informações sobre a importância e o benefício do leite humano, se tornando dispostas a doar seu excedente. Porém, elas só tiveram conhecimento do banco de leite no período do pré natal ou após o parto. As orientações recebidas no pré natal quanto ao banco de leite se limitava a um serviço que recebia o leite apenas da mãe para o filho.

Silva (2008, p.11) analisou a coleta do leite doado ao banco de leite humano na cidade de Cascavel, no ano de 2008. A coleta foi de 250.905ml de leite humano, sendo 50.900ml descartados, devido à técnica inadequada de coleta, higiene precária das doadoras e utensílios utilizados, além da manutenção do leite fora da refrigeração ou congelamento. Quanto ao motivo que levou as puérperas a doação de leite, 76,19% respondeu que foi por iniciativa própria, 23,80% devido às campanhas do próprio banco de leite humano. Elas doavam devido ao desconforto proporcionado pelo ingurgitamento mamário, sendo que a maioria desconhecia os benefícios e a importância do aleitamento materno. Se fossem orientadas, não haveria este número de descarte de leite doado, oriundo de uma coleta inadequada.

Escobar (2002, p.260) descreve o papel da instituição no apoio às gestantes e puérperas frente ao aleitamento materno. “Não há um hábito de controle de saúde ou incentivo do hospital onde ocorreu o parto”. Cabe os profissionais que, diretamente estão envolvidos na assistência às gestantes, exercer um papel educativo mais decisivo no sentido de incentivar esta prática.

As atividades educativas podem ser individuais ou coletivas, com temas de interesse a gestante, sob a forma de palestras, discussões informais, relatos de experiências, oficinas, etc., com objetivo de transmitir as inúmeras vantagens do aleitamento materno, motivando-as a amamentar por um maior tempo possível, ensiná-las a maneira correta de fazê-lo, assim como as formas de enfrentar os problemas mais comuns que porventura surjam. (Rego, 2006, p.123).

Deve estimular à gestante e/ou puérpera a falar de suas dificuldades, conversar sobre os mitos mais comuns; ajudá-la na construção do conhecimento (esclarecendo concepções confusas, explicar o processo de amamentação, mostrar vídeos, discutir vantagens e desvantagens sobre do aleitamento materno, conversar sobre amamentação com grupos de mães, etc.). (Silva, 2005, p.63).

Os profissionais devem valorizar a relação com as mães, estimulando o resgate da prática; “as orientações devem começar a partir da realidade de cada uma das mães, determinando prioridades, e tendo em vista suas necessidades e recursos”. O enfermeiro deve ajudá-la no momento do desespero e desistência da prática da amamentação, sendo esta atitude importante para a sua continuidade. (Frota 2008, p.405).

De acordo com Felipe e Felipe (2005, p. 53), o número de enfermeiros que atenderam o pré natal no Rio de Janeiro, em 2003, foi de 9,5%, sendo observado que tanto enfermeiros quanto os médicos não estão engajados na promoção e incentivo à doação de leite materno para os bancos de leite humano, tendo em vista o número de puérperas que receberam orientações sobre doação (26,9%). Os profissionais do banco de leite humano, em particular o enfermeiro necessita de maiores investimentos nas informações a serem transmitidas as mulheres, pois só através das práticas educativas, junto às gestantes no pré natal minimizaria esta situação.

O trabalho de captação das possíveis doadoras deve ser feito, através de frequentes orientações repassadas pela equipe de saúde, principalmente do banco de leite humano, a respeito das doações e aleitamento materno. As informações ainda são restritas, sendo passadas somente no processo de maternidade da mulher, quando elas estão preocupadas principalmente com o seu filho, e não conseguem atentar para a importância do leite para a doação. (Galvão, 2006, p.160).

Segundo Silva (2008, p.14-15), o enfermeiro deve ter conhecimento sobre a técnica correta da ordenha manual, e garantir que a própria nutriz saiba realizar, pois a ordenha é considerada como um processo de controle de qualidade do leite humano ordenhado, se não for bem conduzido, comprometerá o produto.Realizar o mapeamento das doadoras facilita na organização da coleta externa de acordo com a densidade das doadoras em uma determinada região.

CONCLUSÕES:

Constata-se que ao lado das garantias alcançadas para o aleitamento materno, há necessidade de se evidenciar mais esforços políticos, institucionais, profissionais, econômicos no incentivo à promoção, proteção e apoio à doação de leite humano, pois os bancos de leite dependem diretamente da produção láctea das doadoras para que estes possam ter sua continuidade, e que possam continuar atendendo a demanda.

Para que todo este processo ocorra de forma eficaz, a equipe do banco de leite humano, em especial, o enfermeiro, é o profissional mais qualificado para exercer esta abordagem, que tem um processo longo, e que deve ser iniciado no pré natal, dando continuidade no puerpério e pós alta hospitalar, prestando uma assistência individualizada, com uma comunicação de fácil entendimento, disponha de recursos que facilitem este processo, como, oficinas, palestras educativas, vídeos, atividades em grupo, visando troca de experiências, na busca da soma de conhecimentos. Dividir as ações em etapas facilita o aprendizado, tornando um componente motivacional da colocação na prática do que fora aprendido.

Fazer com que a gestante conheça o trabalho do banco de leite humano dentro do pré natal, conhecendo sua importância, todo o processamento do leite, até chegar a crianças onde as mães estão impossibilitadas de amamentar, favorecerá sua conscientização do ato de doar.

 

REFERÊNCIAS:

ALENCAR L. C. E., SEIDL E. M. F. Percepção de mulheres doadoras sobre a prática de doação de leite humano: promoção e incentivo para o banco de leite. Disponível em: http://www.furb.br/formularios/aleitamento/anais/blhs/art_blhs_01.pdf. Acesso em: 14 out. 2009.

ALMEIDA J. S. de. Banco de leite humano. Disponível em: http://www.hospvirt.org.br/enfermagem/port/hanlei.htm.  Acesso em: 5 fev. 2009.

CHAGAS R. I. A., WATANABE J. S., SILVA L. R. et al. Banco de leite humano como incentivo ao aleitamento materno. Acta Paulista de enfermagem, São Paulo. v.8, n.1, p. 5-10, jan./abr.1995.

ESCOBAR A. M. de U., OGAWA A. R. et al. Aleitamento materno e condições socioeconômico-culturais: fatores que levam ao desmame precoce. Rev. Bras. Saúde matern. Infant., Recife. v.2, n.3, p. 253-61,  set./dez.  2002.

FELIPE E FELIPE S., ALMEIDA M. F. P. V. A orientação e incentivo da doação de leite materno para os bancos de leite humano durante o pré natal. Rev. de pesquisa.: cuidado é fundamental, Rio de Janeiro. ano 9, n.1/2, p. 49-56. 2005.

FROTA M. A., ADERALDO N. N. S., SILVEIRA V. G. et al. O reflexo da orientação na prática do aleitamento materno. Cogitare Enfermagem, Fortaleza. v.13, n.3, p. 403-9, jul./set., 2008.

GALVÃO M. T. G., VASCONCELOS S. G., PAIVA S. de S. Mulheres doadoras de leite humano. Acta Paul. Enferm., São Paulo. v.19, n.2, p.157-61. 2006.

REGO J. D. Aleitamento materno. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2006. cap. 2, p.27-56.

SILVA G. R. da. Conhecendo o leite materno: vantagens e desvantagens (Trabalho de conclusão de curso). Rio de Janeiro: Universidade Estácio de Sá, Curso de Enfermagem; 2005.

SILVA M. L., BERTO N. R. T. Avaliação das condições de ordenha domiciliar em um banco de leite humano em Cascavel – PR; 2008. Disponível em: http://www.fag.edu.br/tcc/2008/Nutri%E7%E3o/avaliacao_das_condicoes_de_ordenha_domiciliar_em_um_banco_de_leite.pdf. Acesso em: 15 out. 2009.

 

 

 

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