MÚSICA EM COM-JUNTO: RITUAL AFETIVO.

Fernando Ariani

Resumo


A expressão sonora, antes mesmo de ser organizada de modo a poder ser reconhecida como musical, possui um caráter intrínseco de comunicar, trocar informações e significados, expressar sentimentos e, fato que nos interessa particularmente, de promover trocas afetivas entre os indivíduos. Mediante um estudo comparativo entre a prática musical coletiva dos Venda - tribo africana estudada por John Blacking - e as práticas musicais de nossa cultura, este texto procura detectar e colocar em perspectiva quais as motivações que levam um indivíduo qualquer a procurar o desenvolvimento de capacidades musicais em um contexto grupal. Investiga também uma possível relação entre o desenvolvimento de habilidades musicais técnicas e expressivas e a capacidade de interação afetiva e social. Ao procurar estabelecer relações possíveis entre necessidades humanas primárias e a busca de um desenvolvimento musical, o estudo procura também problematizar uma possível supervalorização cultural do talento inato e do virtuosismo, relacionando estes valores a um provável cerceamento da possibilidade de expressão musical da maioria da população. Ao colocar a prática musical apenas como um dos possíveis meios de transformação e desenvolvimento humano, o texto investiga quais seriam os fatores determinantes desta transformação questionando a função do polo opositor competição-cooperação em relação ao progresso musical, sobretudo humano.

Palavras-chave


prática musical coletiva; motivação; transformação; competição; cooperação; troca afetiva; interação social; desenvolvimento musical e humano.

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