AS DOENÇAS OCUPACIONAIS ORIGINADAS FRENTE À EXPOSIÇÃO A RISCOS OCUPACIONAIS NA PRÁTICA DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM.

Suelen Veras Gomes, Joanir Pereira Passo

Resumo


INTRODUÇÃO

O trabalho de enfermagem envolve aspectos físicos e psíquicos que estão diretamente relacionados e podem tanto proporcionar satisfação quanto tensão e, conseqüentemente, adoecimento do trabalhador (BULHÕES, 1994). Durante a prática dos profissionais de enfermagem há inúmeros riscos ocupacionais. Os riscos ocupacionais podem ser biológicos, químicos, físicos, ergonômicos e psicossociais (BULHÕES, 1994).  Surge o interesse pela temática a partir do momento em que foi observado que há muitos estudos sobre os riscos ocupacionais e pouco se fala nas doenças que esses riscos podem ocasionar durante a prática dos profissionais de enfermagem. O surgimento das doenças ocupacionais originadas pela exposição a riscos ocupacionais leva os profissionais de enfermagem ao absteismo, gerando uma desorganização no serviço prestado, diminuindo a qualidade na assistência. A experiência de absteismo em termos de produção, uma marca do capitalismo, e intensificada pelo incremento das exigências pelas flexibilizações do trabalho e pelo risco de desemprego. A doença leva esse profissional a demonstrar fraqueza e incapacidade de exercer sua função (RAMOS, TITTONI, NARDI, 2008). O objeto desse estudo são as doenças ocupacionais adquiridas pela equipe de enfermagem diante aos riscos ocupacionais na sua prática profissional.  O afastamento desses profissionais adoecidos gera um desequilíbrio nos gastos econômicos da instituição que trabalham. O gasto econômico aumenta com relação aos serviços prestados dos profissionais de enfermagem, tendo que se contratar mais profissionais para substituir a falta de mão de obra e garantir a qualidade na assistência prestada. 3. Com o surgimento das doenças ocupacionais surge como conseqüência o aumento do absteismo, as licenças e as aposentadorias precoces. Os profissionais de enfermagem se vêem num quadro de insatisfação, devido às mudanças que a doença gera no seu estilo de vida (GERALDO,2008).  Considera-se relevante este estudo para o não desequilíbrio dos gastos, com relação ao trabalho prestado pelos profissionais de enfermagem, no seu local de trabalho e garantir a satisfação desses profissionais diante a função que exerce perante a sociedade. O estudo sobre as doenças ocupacionais na prática dos profissionais de enfermagem torna-se importante ainda, pela escassez de estudos, principalmente, quando são originadas de um risco ocupacional. Este estudo contribuirá para uma melhor discussão acerca das conseqüências da exposição a riscos ocupacionais e um melhor entendimento da gravidade da exposição aos riscos ocupacionais na prática dos profissionais de enfermagem. É importante também ressaltar que os profissionais de enfermagem podem reivindicar condições melhores de trabalho, alem de aderirem uma atitude adequada em relação aos equipamentos de proteção individual (EPI), amenizando a exposição aos riscos, e conseqüentemente as doenças que esses riscos podem ocasionar.

 

OBJETIVOS

1) Identificar as doenças que acometem os profissionais de enfermagem na sua prática diante os riscos ocupacionais

2) Discutir as doenças ocupacionais identificadas e os riscos ocupacionais.

 

METODOLOGIA

O estudo será realizado através de revisão da literatura. A identificação e a localização da bibliografia ocorreram mediante a livros sobre a temática e Banco de Dados Virtuais: Bibliografia Virtual em Saúde no período de 1990 à 2010. A seleção de textos se dará a partir da leitura dos resumos encontrados, tendo como critérios a relevância e adequação do estudo em questão e a análise bibliográfica será realizada através de leitura crítica, objetivando a identificação do conteúdo e os principais aspectos referidos nas literaturas selecionadas.

 

RESULTADOS

Quanto à exposição aos riscos biológicos as doenças que podem vir a ser originadas são: a tuberculose pulmonar, cytomegalovirus, hepatites virais, infecção pelo virus da imunodeficiencia humana (HIV) e síndrome da imunodeficiência adquirida (aids). Estas são hoje mundialmente apontadas como as principais doenças originadas pela exposição aos riscos biológicos para o trabalhador de enfermagem. Todavia este risco pode originar ainda a outras doenças como rubéola, meningite,difteria, herpes simplex, varicella zoster, febre tifóide, gastrenterite infecciosa, parotidite, queratoconjutivite epidêmica e infecções respiratórias por vírus (RAMOS, TITTONI, NARDI, 2008).  A exposição ao risco químico pode apresentar problemas como anencefalia, asma, rinite, espinha bífida, defeitos no sistema urinário e genital. As doenças originadas pelos riscos físicos aos profissionais de enfermagem incluem as doenças relacionadas à audição e as doenças relacionadas ao padrão de sono, devido ao ruído excessivo existente no ambiente de trabalho. Foi possível identificar também o aparecimento de doenças oculares devido à ma iluminação no ambiente de trabalhos dos profissionais de enfermagem, já as exposições a radiações podem levar o aparecimento de doenças congênitas (SELL, 2002). As doenças originadas frente à exposição aos riscos ergonômicos identificadas são as dorsalgias, destaca-se a lombalgia, sinovites e tenossinovites. As doenças identificadas com relação a exposição aos riscos psicossociais foram o estresse, ansiedade, depressão e a síndrome de Burnout.

 

CONCLUSÕES

É importante a discussão acerca da conseqüência da exposição aos riscos ocupacionais na pratica dos profissionais de enfermagem, visto que no estudo em questão foram identificadas o aparecimento de diversas doenças.  Para o controle, entendimento é diminuição das doenças ocupacionais originadas frente à exposição aos riscos ocupacionais é necessária à implantação de um serviço de saúde do trabalhador no local de trabalho, onde este serviço fiscalizaria a exposição aos riscos ocupacionais na prática dos profissionais de enfermagem e implantaria uma educação continuada para esses profissionais com relação a sua prática profissional, dando suporte para a realização de suas atividades com maior segurança e qualidade. Com tudo não se deve apontar o trabalhador de enfermagem apenas como causador sobre o aparecimento de doenças ocupacionais na sua prática. O ambiente de trabalho desorganizado e o processo de trabalho, que estão submetidos esses profissionais também colaboram para o aumento dos riscos ocupacionais e o surgimento de doenças. Sendo necessária uma adequada administração do ambiente e do processo de trabalho que estão inseridos esses profissionais.

 

REFERÊNCIAS

 

  1. BULHÕES, I. Riscos do trabalho de enfermagem. 2ºed. Rio de Janeiro: Editora Folha Carioca; 1994.

 

  1. RAMOS, Márcia Ziembell; TITTONI, Jaqueline; NARDI, Henrique Caetano. A experiência de afastamento do trabalho por adoecimento vivenciada como processo de ruptura ou continuidade nos modos de viver. Cad. psicol. soc. Trab. São Paulo, v.11, n 2, dez 2008. Disponvel em: http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S151637172008000200006&lng=pt&nrm

 

  1. BRASIL. Segurança e saúde do trabalhador. Política nacional de Brasília. Brasília; 2004.

 

  1. GERALDO, M.G.P. O perfil dos trabalhadores, seu adoecimento e absenteísmo em um hospital publico universitário. [Dissertação] Belo horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, Curso de Medicina; 2008.

 

  1. SELL I. Projeto de Trabalho Humano: Melhorando as condições de trabalho. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2002.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Palavras-chave


Enfermagem; saúde do trabalhador

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DOI: http://dx.doi.org/10.9789/2175-5361.2010.v0i0.%25p

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