Percepção de mães quanto aos riscos à saúde de seus filhos em relação ao consumo de aditivos alimentares: o caso dos pré-escolares do Município de Mesquita, RJ

Teixeira Polônio,$space}Maria Lúcia Polônio MLT (lpolonio@terra.com.br)
Departamento de Nutrição em Saúde Pública, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
November, 2010
 
Professora adjunta da Disciplina de Nutrição Materno-infantil da UNIRIO.
Linha de pesquisa: aditivos alimentares e efeitos adversos à saúde.
 

Resumo

O consumo de aditivos alimentares está associado a comportamentos e estilos de vida adotados pela sociedade moderna. Diversos estudos têm comprovado algumas reações adversas aos aditivos, notadamente corantes artificiais, como alergias, alterações neurocomportamentais, e carcinogenicidade. Crianças são particularmente vulneráveis, em razão de: a quantidade ingerida ser, em relação ao peso corporal, maior na criança do que no adulto; essas substâncias serem metabolizadas e excretadas de forma ineficaz devido á imaturidade fisiológica da criança; e o fato de crianças não apresentarem capacidade de autocontrole no consumo de alimentos ricos em aditivos. O presente estudo analisa a percepção de riscos de mães de pré-escolares do município de Mesquita, RJ, em relação ao consumo infantil de corantes. Caracteriza-se como estudo quanti-qualitativo, de triangulação metodológica que incluiu: identificação de perigos associados ao consumo de aditivos alimentares, através de revisão sistemática da literatura; caracterização do consumo de aditivos alimentares pelos pré-escolares, por meio de questionário de freqüência alimentar; e análise da percepção de riscos, através de entrevistas semi-estruturadas baseada na teoria cultural da percepção de riscos. Resultados mostraram um consumo elevado de alimentos com corantes por pré-escolares. Tal fato apresentou relação com a baixa percepção de riscos, por parte das mães, quanto aos efeitos nocivos desses aditivos sobre a saúde de seus filhos. Uma das explicação dessa baixa percepção está no fato que grande parte das mães não lê os rótulos dos produtos alimentícios e, quando o fazem, não compreendem as informações ali contidas. Ressalta-se, com base nos resultados do estudo, a importância de se gerar políticas públicas que garantam uma alimentação de qualidade. Trata-se de uma questão de cidadania o acesso a informações sobre o produto, bem como sobre os efeitos adversos à saúde provocados por substâncias contidas nesses alimentos. Nesse sentido, a rotulagem de alimentos deveria subsidiar o consumidor na escolha do produto garantindo a segurança alimentar e nutricional.