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A Cultura e a Memória do Efêmero

 
Amir Geiger - Editor do v. 10

A memória, socialmente, tem essa face aparente de atenção ao que permanece, sob o signo do que retorna: comemorações, efemérides. Mas a etimologia, que é memória de estórias impregnadas nas palavras, nos ensina que efêmero é o que dura e se esvai, na superfície de um dia – epi hémera. O efêmero, como o dia, só retorna como passagem, só permanece como aura e rastro: se dá em relances de horizontes, revoluções do firmamento.

A Revista Morpheus abre chamada para submissão de contribuições originais que irão compor o volume 10, números 17 e 18, de 2017. A cultura e a memória do efêmero é o tema do dossiê que reunirá e divulgará artigos, ensaios e resenhas sobre a construção contemporânea da memória. Dos monumentos da impermanência à intemporalidade dos instantâneos, entre documentar o provisório e dispersar inscrições, há muitos modos de compor figuras da relação efêmero-memorial.

Por um lado, tradição cultural e inovação tecnológica traçam veredas complexas no entrecruzar da informação fluida de performances em movimento e dos códigos e listas estáveis patrimonializados em arquivos e bancos de dados. Poderiam as redes sociais exercer um papel protagonista de salvaguarda das narrativas orais e das coleções de objetos memoriais de comunidades e grupos? O que significa informar e desinformar no contexto dos apagamentos políticos de memórias coletivas e ecológicas?

Por outro lado, diante dos impasses de escala planetária, se anuncia também a efemeridade da cultura e da história. E o modo efêmero da memória, que não cessa de remeter ao sensório e ao corpóreo, pode escapar do sentido habitual do apagamento, na direção dos aprendizados e desapegos. Vestígios do que não se registra poderão valer como sinais ou mesmo informação de conteúdo histórico? Serão os saberes memoriais, as tradições reinventadas, as interculturalidades disseminadas, capazes de quebrar a inércia destrutiva das tecnologias de guerra e de expropriação do que é comum? Onde e como se tecem experiências e se articulam conhecimentos do porvir?

Essas são algumas questões-chave, dentre muitas outras, que podem ser desveladas nos territórios interdisciplinares dos estudos acadêmicos.
 
Publicado: 2017-09-03
 

Os usos políticos da memória

 
O volume 9, número 16, da Revista Morpheus, organizado pelos professores Javier Alejandro Lifschitz e Francisco Ramos de Farias, conta com contribuições inéditas voltadas para amplos aspectos da memória, abarcando os campos político, ético e de agenciamento de grupos que disputam perspectivas acerca do passado. Assim, volta-se para os conflitos, modalidades de institucionalização e ações de memória em diferentes marcos institucionais, bem como para a repressão, resistência e conflitos de memória. Em especial aborda as narrativas memoriais na esfera pública, em espaços urbanos, ou periféricos e de expressões das artes, incorporando reflexões sobre a memória de restos, rastros, ruínas e dejetos.  
Publicado: 2017-05-23
 

Você vive sem um livro impresso?

 
A edição especial da Revista Morpheus, v. 9, n. 15 - "Por que memória social?" - pode ser adquirida em versão impressa no Programa de Pós-graduação em Memória Social.  
Publicado: 2016-04-07