O papel feminino no teatro musicado no Brasil da segunda metade do século XIX: aimée como eurídice em orphée aux enfers (1865-1868)

Aline Santos

Resumo


Em 1865 estreia no palco do teatro Alcazar Lírico Fluminense na Corte do Rio de Janeiro a opereta Orphée aux Enfers, composição musical de Jacques Offenbach. Esta peça, além de marcar o início do gênero na Europa quando estreou em 1858, foi também a primeira opereta no Brasil, alcançando grande sucesso frente ao público brasileiro. Para estudar esta obra, marco do gênero opereta, tão relevante para a história da formação do teatro musicado brasileiro, considera-se fundamental pensar a personagem Eurídice, não só porque ela configura um mote importante da ação da peça, mas também pelo relevo das personagens femininas presentes no teatro musicado brasileiro até ao menos a década de 1920. Ao se pensar a mulher no teatro, é possível ter em mente tanto a personagem quanto a atriz que a desempenha. Observando análises de atuação do período em questão, nota-se uma escrita que tende a aproximar as figuras da personagem e da atriz, com uma tênue linha de separação entre elas. O papel de Eurídice na montagem de Orphée aux enfers foi desempenhado pela atriz, cantora e dançarina Louise Aimée até seu retorno à Europa em 1868. Aimée teria causado uma verdadeira agitação na cidade tornando-se uma grande estrela do Alcazar, segundo alguns dos principais estudiosos do teatro brasileiro. Diante desta marcante presença, julga-se também relevante refletir sobre Aimée como intérprete de Eurídice. Entende-se, deste modo, que o estudo sobre o papel feminino na opereta se manifesta não só através da personagem, mas, simultaneamente, por meio da atriz que a representa.

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