Teatro: entre o real, o possível e o impossível

Francisco Taunay

Resumo


Nesta pesquisa, pretendo investigar a relação entre fato teatral e fato histórico, com o auxílio da chamada micro-história. O teatro, como organismo autônomo, é composto de elementos materiais e ideais, reais e ficcionais; desta maneira, pode ser atravessado por interpretações, que levam em consideração as ideias e a sua materialização na cena. Neste lugar, onde o real e o fantasioso se mesclam, enevoando-se mutuamente, pretendo focar minha investigação. Em um movimento que oscila do micro ao macro, o estudo de casos que tem como objetos O Marinheiro, de Fernando Pessoa, encenado pela Companhia do Pequeno Gesto no Rio de Janeiro em 1993, e a montagem do texto A Tempestade, de Shakespeare, a ser realizada durante a vigência do doutorado, é o ponto de partida para uma contribuição à teoria da história através da relação entre o campo histórico e o campo teatral.
Todo espetáculo contêm em si ideias realizadas por completo, vestígios de ideias que foram descartadas no processo de elaboração da peça, assim como aquelas que se transformaram ao longo desse processo. Este percurso das ideias contidas no espetáculo, desde a sua criação até a recepção por parte do público, é notável sob a perspectiva de uma contribuição para o conhecimento da relação entre teatro e história.
O espetáculo pensado como um universo menos complexo do que a própria sociedade, onde elementos plásticos, ritmicos, e éticos são moldados e ordenados pelos participantes, pode servir a um modelo interessante para refletir sobre a teoria da história, constituindo-se assim em uma contribuição para o que podemos chamar de historiografia do teatro. Como forma de articular essas idéias, utilizo os conceitos de Utopia, Ideologia e Heterotopia.

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