Da página ao palco: dois caricaturistas na cena do teatro de revista

Maria Odette Monteiro Teixeira

Resumo


O trabalho tem por objetivo o estudo de dois textos de Teatro de Revista de autoridade dois importantes caricaturistas brasileiros: “Vamos Pintar o Sete”(1922), de Raul Pederneiras, e “É de Outro Mundo”(1930), de J. Carlos. São textos escritos e encenados nas primeiras décadas do século XX, ou seja, criados na proximidade de dois dos eventos mais relevantes para a história do Brasil: a Semana de 22 e a Revolução de 1930. Esses momentos inauguram novas realidades nos âmbitos social e artístico. Nesse contexto, apresentarei uma breve análise da inserção dessas realidades sobre o conteúdo dos textos. Quanto a “Vamos Pintar o Sete”,a intenção é encontrar relações entre o humor de “desilusão republicana”, já praticado por Pederneiras em charges e peças de teatro anteriores a 22, e os postulados do modernismo paulista. A pretensão é perceber se há algum eco ou influência do movimento paulista na cena dessa peça. Quanto a à peça “É de Outro Mundo”, única inserção de J.Carlos nos palcos de teatro brasileiro, analisarei a maneira como esse mestre do desenho gráfico irá se enquadrar nos palcos do teatro de revista. Na pesquisa ao acervo da família do caricaturista, foram encontrados um texto curto, impresso pelo Teatro Recreio, e outros trechos de textos manuscritos; o conteúdo destes,acredita-se,faria parte de um projeto para a peça. Além de escrever o texto, J. Carlos também criou o projeto do cenário e do figurino. Consta do material iconográfico dessa encenação um significativo número de desenhos e fotografias de cena. Essas imagens testemunham a construção de uma cena original e elegante, visualmente identificada à estética do Art Déco. Ao final, será apresenta da uma comparação entre a dramaturgia dos dois autores.

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