Novos pensamentos sobre o teatro na escola: uma comparação entre Brasil e França

Mariana Oliveira

Resumo


Brasil e França compartilham, atualmente, novos conceitos em torno do teatro na educação. Nossos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para a área da Arte, inspirados na Abordagem Triangular, de Ana Mae Barbosa, sugerem um ensino artístico equilibrado nos vértices do “fazer”, do “apreciar” e do “contextualizar”. Na França, igualmente, fala-se na necessidade de “andar sobre três pernas”: “fazer”, “experimentar” e “refletir”. Assim, a prática artística na educação deve agora se aliar à formação de espectadores e à reflexão sobre os diversos contextos aos quais as obras pertencem. Isso está em conformidade, ainda, com o primeiro dos três objetivos propostos pela UNESCO, em 2010, em sua Agenda de Seoul, que preconiza um equilibrado desenvolvimento criativo, cognitivo, emocional, estético e social dos educandos em artes. Ao mesmo tempo, os padrões de inserção escolar do teatro no Brasil e na França são diversos, rementendo a diferentes relações históricas entre teatro e educação ao longo do século XX nos dois países. Minha comunicação focará numa abordagem comparativa entre os dois modos de inserção, apontando

dificuldades comuns e aspectos divergentes. O sistema francês de parceria professor-artista [partenariat enseignant-artiste] baseia-se na idéia de encontro entre mundo escolar e mundo do espetáculo; a tradição da disciplina de Teatro no Brasil caracteriza-se pela ênfase no jogo, na prática e no improviso. Isso os coloca em posição de fértil diálogo para uma melhor compreensão das especificidades de cada um e também para refletir sobre novas formas de trabalho, a partir do equilíbrio entre as três principais instâncias de ensino artístico mencionadas acima.

Texto completo:

PDF