“Dizem que em algum lugar/ parece que no brasil, / existe / um homem feliz ” – uma análise da montagem brasileira de o percevejo em 1981

Débora Oelsner Lopes

Resumo


Na graduação em Arquitetura na USP, fui do grupo de teatro “Coro de Carcarás”. Tínhamos muita influência do teatro da vanguarda russa e da montagem de O Rei da Vela (1967) pelo teatro Oficina. Interessada nesses temas, no trabalho final de graduação, intitulado O teatro de Meyerhold, pesquisei a metodologia desenvolvida por Meyerhold (a biomecânica) e as montagens das peças escritas por Maiakóvski (Mistério Bufo, O Percevejo e Os Banhos). Ainda interessada em cenografia, retomei os estudos. Cheguei a Helio Eichbauer – não sabia muito mais além de que ele fora o cenógrafo da histórica e revolucionária montagem de O Rei da Vela. Desde então venho pesquisando sobre Eichbauer. No primeiro semestre de 2012, cursei, como aluna especial na UNIRIO, a disciplina A cena, a selva e a festa: origens e desdobramentos da antropofagia no teatro brasileiro, do professor Dr. André Gardel. Embora tenhamos estudado a antropofagia em sentido amplo, além da apropriação modernista e tropicalista do termo, vi a possibilidade de estudar a vanguarda russa e os trabalhos de Helio Eichbauer. No colóquio, apresentarei o trabalho feito para a disciplina - um estudo sobre a montagem brasileira de O Percevejo (Maiakóvski, 1928), em 1981, pelo grupo Klop (direção de Luis Antônio Martinez Corrêa), no Teatro Dulcina no Rio de Janeiro . “Para nós, brasileiros, que vivemos abaixo do equador e no sistema capitalista, acreditamos que somente haveria sentido montar essa peça se tivéssemos com ela uma relação oswaldiana, antropofágica, procurando evidenciar sua universalidade”, escreveu o grupo Klop no programa da peça . Helio Eichbauer fez cenários, figurinos e iluminação.

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