Shakespeare e as indicações espaciais: Um estudo sobre o espaço cenico em encenações brasileiras contemporâneas

Joana Angélica Lavallé de Mendonça Silva

Resumo


O tema deste pré-projeto de dissertação de Mestrado partiu da observação da presença de indicações espaciais nas falas de personagens de William Shakespeare em Romeu e Julieta, onde predominam espaços metafóricos, conceito desenvolvido por Jean Pierre Ryngaert (1996). Aqui neste estudo deve se impor o que estes indícios podem nos sugerir a respeito das características do edifício teatral elisabetano, cenografia-arquitetura de origem desta dramaturgia, conforme conceitua Anne Surgers (2003), bem como as relações desta escrita com a cena e o espectador, à luz do estudo das simbologias dos espaços. Interessa a maneira pelas quais estas indicações aparecem e em que elas podem implicar em processos contemporâneos de construção cênica. O objetivo geral desta pesquisa é aprofundar as abordagens do espaço como campo de reflexão e de possibilidades para encenações contemporâneas inspiradas na obra de Shakespeare, sejam montadas no interior do edifício teatral, sejam nos espaços urbanos . Pretende-se investigar como a espacialidade presente nesta obra pode servir a um desejo de encontro e aproximação da cena e do público na contemporaneidade, a partir do estudo comparativo entre montagens brasileiras escolhidas. Esta proposta de pesquisa pretende levantar subsídios para concepção de espaços cênicos, que são muitas vezes deflagradores das encenações que buscam esta relação estreita entre o público e a cena. Para isto pretende-se analisar e comparar três montagens de textos dramáticos da obra de William Shakespeare. Serão analisados os seguintes espetáculos: Romeu e Julieta do Grupo Galpão, Belo Horizonte (MG); Sonho de uma noite de verão do Bando de Teatro Olodum , Salvador (BA); e por fim Os dois cavalheiros de Verona, do Grupo Nós do Morro, Rio de Janeiro (RJ).

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