Teatro em n dimensões: O hiperespaço contemporâneo em polieri e svoboda

Luiz Henrique da Silva e Sá

Resumo


Nas artes cênicas, a cenografia deve complementar e/ou transformar o sentido imediato da cena em uma atmosfera que se refere à imagem e ao espaço, ajudando o espectador a se orientar e provocando nele uma colaboração ativa. Torna, assim, evidentes os hábitos tradicionais de ver, sentir e pensar. Ser cenógrafo significa, portanto, representar e re-apresentar o mundo em espaços conceituais. E a cenografia teatral, desde suas formas primevas, buscou e continua buscando modelos de representação do espaço compatíveis com o paradigma filosófico-científico de compreensão de mundo. A partir de trabalho de Raymond COGNIAT, que separou os problemas da cenografia do século XX em três grandes grupos – psicológicos, plásticos e técnicos – a presente comunicação toma como foco a formação de partidos psicológicos na cenografia contemporânea, momento projetual onde se definem os parâmetros de compreensão global do espaço a ser criado. Tais partidos relacionam-se, pois, às mudanças paradigmáticas na compreensão de mundo, onde encontram-se os modelos físico-científicos de interpretação do real. A lenta absorção dos modelos quânticos e relativistas de mundo, do começo do século XX que, recentemente, resultam em um pensamento sistêmico, paradigma da ciência contemporânea emergente – constituído de pressupostos epistemológicos de crença na complexidade, na instabilidade e na intersubjetividade –, conduz a representações cenográficas no teatro contemporâneo que fornecem novas concepções psicológicas para a compreensão espacial. A partir da década de 1960, vemos dois artistas engajados com uma nova concepção espacial, notadamente de possibilidades multidimensionais, baseada em formulações geométricas não-euclidianas, que se afinam com as concepções quânticas de organização da natureza. Josef Svoboda (1920-2002) buscando um hiperespaço cenográfico. Jacques Polieri (1928-2011) buscando um hiperespaço cênico.

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