O idiota e o compartilhamento da criação como Potência político-poética

Tuini dos Santos Bitencourt

Resumo


A presente comunicação quer discutir os processos de construção do espetáculo O Idiota da Mundana Companhia de Teatro, dirigido por Cibele Forjaz e baseado no romance de Dostoiévski. A peça, de 7 horas de duração, circulou diversas cidades do Brasil sendo apresentada em “capítulos” divididos em três dias, ou num único dia com dois pequenos intervalos. O público acompanha os atores num percurso de múltiplos espaços e inesperadas apropriações. A intenção desse trabalho é analisar de que modo as condições de criação muito peculiares influenciaram na qualidade da relação entre atores e espectadores ao longo de todo o espetáculo. A peça se construiu a partir de Exercícios Cênicos assistidos pelo público. Os atores recebiam, 30 minutos antes, as indicações do capítulo a ser trabalhado naquele dia. Cenógrafa, iluminador e figurinista recebiam as mesmas indicações dois dias antes, e desenvolviam propostas com as quais os atores se confrontavam no momento em que entravam “em cena” para a improvisação. O público compartilhava com o elenco esse momento de gênese, de criação, de desconhecido, que não tinha limite de duração temporal. Esse processo de criação transformado em experiência estética é capaz de conferir ao espetáculo uma espécie de potência muito peculiar, gerando uma forma específica de inclusão e de engajamento. O objetivo é explorar, a partir desta análise, de que modo é construído um campo de experiência que emana dos atravessamentos e das possíveis relações entre estética, criação artística e política.

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