Transgressão na máscara do palhaço

Andre Luiz Rodrigues Ferreira

Resumo


Em que medida a transgressão está ligada à mascara do palhaço? De que maneiras a transgressão pode se manifestar nesta figura cômica? Como a transgressão pode enriquecer o jogo entre o palhaço e seus espectadores? Estas são algumas das inquietações que movem esse trabalho que tem como objetivo investigar a linguagem do palhaço a partir de suas relações com a transgressão, pensando este termo não como uma categoria estanque, mas como uma lente multifacetada através da qual possamos olhar o clown e seu jogo cômico, espécie de conceito “guarda-chuva” que nos permita desenvolver vários focos para pensar e investigar a atuação clownesca. Neste percurso de busca e aproximação estabeleceremos zonas de contato e atrito com o que chamamos de docilização do palhaço, tomando o cuidado de não construir uma dicotomia enrijecida entre eles, uma vez que estas instâncias aparecem imbricadas no jogo clownesco, atravessando em maior ou menor grau o trabalho desta figura cômica. Longe de propor um olhar saudosista ao passado, uma busca por quais meandros da história restara perdida a capacidade transgressora do palhaço, esta investigação objetiva examinar o trabalho de alguns palhaços de nossa época – Jango Edwards e Leo Bassi - a partir da análise de registros videográficos de suas apresentações bem como do estudo de entrevistas e escritos dos próprios artistas, articulando teoria e prática como formas complementares e não excludentes da pesquisa em arte, onde a cena pode ajudar a iluminar ou, ao contrário, pode desestabilizar as reflexões teóricas e vice-versa.

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