Call for Papers: REVISTA M.: Dossiê, vol. 1, n. 2, jul.-dez. 2016

RESUMO:

A proposta deste Dossiê é reunir artigos que apresentem diferentes enfoques teóricos e metodológicos atualizados sobre práticas culturais referentes à morte, aos mortos e o morrer, temáticas estas já abordadas por diversos autores contemporâneos, o que indica um crescente interesse investigativo no presente (Walter, 1996; Howarth, 2007; Kellehear, 2007; entre outros). O dossiê abordará este tema sempre presente no imaginário social, tanto do ponto de vista das tradições dos ritos e do significado histórico e cultural dos mitos, das formas de manejo e condução do luto, como as perspectivas mais pós-modernas, contemporâneas e criativas no que diz respeito à morte e suas implicações.

Se as referências culturais de cada povo determinam os cuidados com a matéria e seu destino, os rituais em torno da morte refletem tanto as ideias quanto as crenças compartilhadas por cada sociedade. Assim, ao abordarmos elementos da tradição e da pós-modernidade nas várias temporalidades e espaços, buscaremos reunir textos que sejam análises sobre costumes fúnebres ou visões sobre a morte em sociedades de períodos mais antigos ou em épocas mais recentes ou, ainda, sociedades que apresentem traços de tradição dentro da contemporaneidade. Assim, proporcionaremos um diálogo entre sociólogos, antropólogos, arqueólogos, linguistas, historiadores, dentre outros especialistas, que abordem tempos e espaços sociais e culturais que possam nos oferecer apoio epistemológico importante para a observação, estudo e interpretação do tradicional tema da morte, com o objetivo de submeter as relações espirituais e simbólicas entre os vivos e os mortos, que se constituem em objetos de interesse científico à discussão interdisciplinar. Abordaremos temas como: a identidade (não apenas do morto, mas também dos assistentes, dos enlutados, do grupo familiar e social); o papel da memória na configuração da percepção sobre a morte e os mortos; as transformações da matéria corporal e os rituais que acompanham cada etapa desta transformação na constituição da morte e dos mortos; a morte natural e a morte derivada de conflitos ou crises; o suicídio, o genocídio, o ecocídio; a eutanásia, o controle dos corpos, a biopolítica e o biodireito; dentre outros sugestivos aspectos de um fenômeno definitivo para a vida.

Deste modo, estimados colegas, lhes convidamos a nos enviar seus estudos para fazer deste fundo e transcendental tema humano e desta Revista, que serve de “ponte” entre a vida e a morte, um especial fórum de intercâmbios científicos que nos permita aportar reflexões e visões para nossas sociedades.

REFERENCIAS:

HOWARTH, Glennys. Death and Dying: A Sociological Introduction. Oxford: Polity Press, 2007. 312p.

KELLEHEAR, Allan.  A Social History of Dying. Sydney/Australia: Cambridge University Press, 2007. 310p.

WALTER, Tony. Facing Death without Tradition In: HOWARTH, Glennys; JUPP, Peter C. (eds.). Contemporary Issues in the Sociology of Death, Dying and Disposal. United Kingdom: Palgrave Macmillan UK, 1996, p. 193-204.