Call for Papers: REVISTA M. – Dossiê 5 – vol. 3, nº 1, jan.-jun., 2018

RESUMO:

O objetivo deste dossiê é reunir artigos provenientes das ciências sociais e humanas que analisem as relações entre morte, regimes políticos e violência em diferentes países do mundo, a partir de diversificados enfoques teóricos, metodológicos e/ou conceituais. Nos últimos anos, no âmbito de um crescente interesse nas múltiplas dimensões que implica o processo de morrer, vários estudos têm se dedicado a analisar esta relação enfatizando a associação entre corpos mortos e política como um modo de entender as formas em que a soberania é exercida e reclamada (Verdery, 1999; Hansen y Stepputat, 2005; Lomnitz, 2006; Anstett y Dreyfus, 2013; Stepputat, 2014). Este dossiê busca reunir trabalhos que reflitam sobre a relação entre morte e política com enfoque nos contextos de violência extrema e em comunidades políticas e morais subnacionais ou em estados nacionais consolidados. A perspectiva de análise compreende, desse modo, os regimes políticos de exceção, as democracias formais, os processos de constituição de estados nacionais em curso no século XIX ou seus desmembramentos nos séculos XX ou XXI. O recorte temporal abrange o período entre os séculos XIX e XXI.

Estamos abertos a receber propostas que enfoquem a “política dos corpos mortos”, pondo em relevo tanto as práticas de exercício de soberania como nas reações e questionamentos que essas práticas podem suscitar. Nesta perspectiva, nos interessam tanto a intervenção sobre os cadáveres individuais ou em massa, como os ritos funerários que acompanham o processo de morrer, as inumações, exumações ou re-inumações; além de outros rituais –públicos ou privados – que podem ser instituídos a partir de certas práticas de morte violenta. Serão bem-vindas também aquelas contribuições que explorem mobilizações sociais que demandem e reclamem por uma ou várias mortes, os discursos – profissionais ou leigos – que a violência e a morte geram, assim como as formas de representação artística da morte, da violência e das experiências limites. Pode-se tratar de mortos anônimos que se tornam públicos imediatamente após seu falecimento, como também da morte de figuras com algum grau de publicidade ou notoriedade prévia.  

Esperamos receber estudos que abordem um ou vários dos tópicos sugeridos nesta convocatória, enfocando diferentes temporalidades, a fim de se apreender os significados sociais e políticos das “vidas post-mortem”.

Referências:

ANSTETT Élisabeth y DREYFUS, Jean-Marc (Dir.). Cadáveres impensables, cadáveres impensados. El tratamiento de los cuerpos en las violencias de masa y los genocidios. Buenos Aires: Miño y Dávila, 2013

HANSEN, Thomas Blom y STEPPUTAT, Finn. Sovereing Bodies. Citizens, Migrants, and States in the Postcolonial Word. Princeton: Princeton University Press, 2005.

LOMNITZ, Claudio. La idea de la muerte en México. México: FCE, 2006.

STEPPUTAT, Finn. Governing the dead. Sovereignty and the politics of dead bodies. Manchester/UK: Manchester University Press, 2014.

VERDERY, Katherine. The Political Lives of Dead Bodies. Reburial and Postsocialist Change. New York: Columbia University Press, 1999.