"Cuidar mais da saúde dos vivos do que do descanso dos mortos": a Santa Casa da Misericórdia no trato da morte em Vitória-Espírito Santo, na segunda metade do século XIX

Júlia Freire Perini, Marcelo Durão Rodrigues da Cunha

Resumo


Este artigo tem o objetivo de verificar como se deu a atuação da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia no processo de modificação do entendimento da morte e do morrer na cidade de Vitória-ES, durante a segunda metade do século XIX. Analisando jornais e relatórios de inspetores de higiene produzidos nesse período, sustentaremos a hipótese de que o malogro da Santa Casa da Misericórdia em modificar alguns hábitos funerários da população local – como o reposicionamento do cemitério público na cidade e a tentativa de monopolizar o aluguel de esquifes – representou não apenas a força política das antigas irmandades naquela cidade, como também a persistência de formas tradicionais de entendimento da morte e do morrer na capital do Espírito Santo, até os anos iniciais da Primeira República. Por fim, o artigo tem o objetivo de preencher uma importante lacuna nos estudos a respeito dessa temática na historiografia capixaba, considerando os contornos que o processo de modernização da morte possuiu, ao longo da história do Espírito Santo

Palavras-chave


Santa Casa de Misericórdia; história da morte; Vitória; história do Espírito Santo; modernização

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DOI: http://dx.doi.org/10.9789/2525-3050.2019.v4i8.397-418

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