Vozes Femininas do Sarau Noturno: refletindo a arte cemiterial sob a perspectiva das representações e olhares femininos

Clarisse Ismério

Resumo


O presente artigo visa narrar como foi a construção das personagens femininos presentes no Sarau Noturno, sua importância para a história local e formação das acadêmicas que participaram do projeto. No Rio Grande do Sul a educação feminina foi marcada por uma mentalidade conservadora influenciada pelo discurso positivista, que nomeou a mulher a guardiã da moral e tinha como objetivo tirar a mulher do campo profissional e científico. E essa máxima é bastante difundida nas manifestações na arte cemiterial, cuja finalidade maior era consolidar junto ao imaginário social o símbolo da perfeição feminina, inspirado em Clotilde de Vaux, personificação da Religião da Humanidade. Porém, existiram mulheres que se posicionaram contra o conservadorismo patriarcal e foram protagonistas dos seus destinos.  Esses múltiplos perfis femininos foram determinantes para a construção do Projeto Cultural Sarau Noturno, criado em 2008 para sensibilizar a sociedade de Bagé sobre as riquezas patrimoniais existentes no Cemitério da Santa Casa de Caridade.  Em seu acervo observa-se vários tipos de representações femininas, tais como anjas, carpideiras, deusas e alegorias simbolizando a saudade, morte, dor, heroísmo, entre outras. Constata-se que durante os onze anos de atuação, de 2008 a 2019, o Sarau Noturno presenteou o público com apresentações que destacavam a importância histórica e artística do local. E contribuiu de maneira significativa para a formação cultural das acadêmicas que participaram ou participam do projeto.

Palavras-chave


Representações; Mulheres; Arte; Cemitérios; Mentalidade.

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DOI: http://dx.doi.org/10.9789/2525-3050.2020.v5i9.142-160

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