Cognição incorporada e dialética hegeliana: o espírito na música

Nilo Rafael Baptista de Mello

Resumo


A essência do estudo da cognição reside na curiosidade acerca do modo através do qual se dá a percepção do mundo pelo ser ou acerca do sentido de mundo a que chega esse ser. Ainda que, à primeira vista, aparente ser estritamente filosófica, esta discussão verte-se, também, de um caráter inegável de concretude, na medida em que se trata de compreender algo vivenciado diariamente por todos: no cotidiano, nas relações pessoais e sociais, no intervir consigo mesmo, sob absolutamente todos os aspectos da vida privada ou pública, ainda que de forma inconsciente.O presente artigo é resultante de etapa de pesquisa bibliográfica em curso que visa à discussão do papel da fenomenologia de Hegel (1992) como precedência histórica de uma psicologia fenomenológica husserliana, da virada dos oitocentos para os novecentos, que enquanto novo modo de fazer filosofia plantou definitivamente as bases de uma ciência experimental que resultou na pesquisa cognitiva da atualidade. Mais especificamente, discute-se a estruturação do pensamento sob a ótica hegeliana e em que medida se pode aplicar essa lógica mental à construção estabelecida pela audição, em sua conceituação sob a égide da cognição incorporada do entendimento musical, em seus diversos aspectos. Aos buscar entender o processo de formação do sentido musical, esta pesquisa realiza incursão ao meio através do qual a mente humana pode chegar a esse entendimento e, nesta empresa, obtém, durante este caminho inicial, resultados que podem ser considerados substanciais para o avanço do estudo.

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