Transmissão musical de folclore na obra pedagógica de Heitor Villa-Lobos

Fabiano Lemos Pereira

Resumo


A obra pedagógica de Villa-Lobos calcada no canto orfeônico teve início na década de 1930 no Rio de janeiro e representou uma política pública em educação, principalmente durante a era Vargas. Embora o projeto educacional de Villa-Lobos não tenha recursos metodológicos explícitos, a produção de um material didático baseado nos ideais do canto orfeônico encontra confluência com outras autoridades pedagógicas em ensino de música no Brasil e no exterior. Como repertório, além de músicas eruditas europeias, Villa-Lobos se utilizou do folclore nacional como fonte para a construção do material didático, transmitido através de partituras. O uso do folclore na música de concerto ocorre na obra de Villa-Lobos e de outros compositores aliados a Mário de Andrade, aplicando o uso de temas folclóricas em meio a técnicas orquestrais polifônicas. A opção pela forma de transmissão através da partitura é um caminho sistematizado em seu material didático que merece uma reflexão sobre as diversas formas de transmissão musical, tanto na década de 30 quanto nos dias atuais. Se por um lado a opção por uma cultura escrita pode ser um instrumento de limitação e dominação cultural, por outro lado a cultura escrita pode vir adicionar elementos à cultura oral. A transcrição de músicas folclóricas para a partitura, conforme usado por Villa-Lobos, é uma forma de adaptação não isocrônica ao padrão rítmico e de afinação europeu. O presente artigo propõe uma reflexão desses fatores atrelado a música popular urbana da atualidade, uma vez que a música eletrônica popular propõe um retorno à não isocronia existente nas músicas folclóricas ao redor do mundo.

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