Cognição musical e imaginação: construindo os sentidos da execução musical

Isadora Schee Casari

Resumo


O artigo apresenta uma discussão teórica a respeito da relação entre projeções metafóricas, imaginação e execução musical. A imaginação tem um papel chave em nossos processos de construção de sentido e, portanto, na construção de novos conhecimentos. Pela metáfora projetamos nossa experiência em determinado domínio em outros que desejamos conhecer e tal procedimento cognitivo só é possível pela nossa capacidade de imaginar e de assim gerar novos arranjos mentais. A cognição musical não trabalha de maneira diferente. Projetamos experiências a priori não musicais na construção dos sentidos em música. Estão em jogo no ouvinte uma intrincada rede de sentidos oriundos de sua experiência corporal, que passam por uma experiência de movimento e de manipulação de objetos, que nos possibilita dar sentido aos sons que ouvimos e que pela metáfora, entendida enquanto veículo do pensamento e da ação e não apenas como um recurso da linguagem, projeta essa experiência nos sons que adquirem assim sentido e podem ser por nós entendidos como música. O músico, da mesma maneira, lança mão de uma gama de experiências extra-musicais na construção e na realização da interpretação de uma obra. Nossa experiência artística, seja na construção de uma obra seja na construção de seu sentido, é uma experiência emocional, sensível, imediata e incorporada. Discutir a imaginação como um elemento chave na cognição humana possibilita a construção de um quadro teórico que dê conta de elucidar os processos cognitivos que possuem um viés mais emocional, imediato e sensível que discursivo racional, como é o caso da cognição musical.

Texto completo:

PDF