Música, memória autobiográfica e idosos: interfaces de uma pesquisa experimental na educação musical

José Davison da Silva Júnior

Resumo


Este texto apresenta os resultados parciais de uma pesquisa de doutorado em educação musical em finalização, cujo objetivo foi investigar o efeito da participação em atividades musicais de composição, apreciação e performance sobre o conteúdo das memórias autobiográficas com idosos entre 65 e 85 anos e sem déficit cognitivo sugestivo de demência. A memória autobiográfica pode ser acessada pela música, especialmente música popular da juventude do sujeito. Os estudos sobre música e memória autobiográfica utilizaram apenas a audição musical como estímulo, por isso este estudo ampliou os estímulos musicais para três condições: audição musical, música de fundo e atividades musicais (composição, apreciação e performance). O estudo experimental foi realizado com vinte idosos da cidade de Curitiba/PR com idade entre 65 e 85 anos, sem quadro de demência. Foram selecionadas vinte canções populares brasileiras da época em que os participantes tinham entre quinze e vinte e cinco anos de idade. A entrevista autobiográfica foi utilizada como instrumento de coleta e análise de dados para quantificar elementos da memória autobiográfica de lembranças verbais de eventos específicos dos sujeitos. Os resultados parciais mostram que os conteúdos dos relatos verbais das entrevistas autobiográficas foram maiores na condição “atividades musicais” (61%). Em segundo lugar foi a condição “audição musical” (20%) e em terceiro lugar a condição “música de fundo” (19%). Esses resultados indicam que, no processo de educação musical no qual o envolvimento direto com a música através das atividades musicais de composição, apreciação e performance estejam presentes, é possível pensar no aumento da memória autobiográfica com alunos idosos como objetivo secundário na educação musical.

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