O forró como gênero transversal entre umbanda, catolicismo e pentecostalismo

Artur Costa Lopes

Resumo


Este artigo é fruto da dissertação de mestrado, intitulada A música como instrumento para o diálogo inter-religioso, ainda em andamento, a partir da perspectiva da musicologia (etnografia das práticas musicais). Esta foi uma pesquisa-ação participativa desenvolvida pelo Templo Cultural, grupo de estudo situado em Xerém, 4° distrito de Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Para este trabalho, levei em consideração um recorte das atividades realizadas nos encontros - análises dos repertórios - capaz de fornecer um estudo sobre as semelhanças entre práticas cristãs e de religiões afro-brasileiras, através do que é comumente conhecido como forró. O conceito de Trabalho Acústico, proposto por Samuel Araújo (1999), ajudou a buscar respostas para as seguintes perguntas: Qual é a relevância de se estudar o diálogo inter-religioso através de um gênero musical específico? Quais elementos utilizados no Forró podem ser vistos dentro das práticas religiosas analisadas por este trabalho? Como estas práticas religiosas se adaptam a tradição musical brasileira? Esta pesquisa teve como base a análise de amostras do repertório católico, pentecostal e da umbanda, além de considerar a literatura sobre o tema, transcrições de células rítmicas e visitas aos locais de cultos religiosos. Assim, foi possível observar como as variações do forró são utilizadas no interior das crenças estudadas. Desta forma, constatou-se que a transversalidade deste gênero vai além das composições, ela está dentro das performances cotidianas destas práticas religiosas.

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