Funções e significados da música no Rio de Janeiro do século XIX: Corte, Império, capital e civilização

Gilberto Vieira Garcia

Resumo


O objetivo desta comunicação é refletir sobre as disputas em torno da definição das funções e dos significados socioculturais e políticas da música que ocorreram no Rio de Janeiro, no século XIX, tendo como marcos temporais: a transferência da Corte portuguesa, em 1808, e os primeiros anos do II Reinado, especialmente, a década de 1850. Momentos aos quais a cidade passa por intensas transformações políticas, econômicas e socioculturais, onde a música ocupou um lugar de destaque. A metodologia utilizada centra-se na análise de discurso, tendo como fonte alguns artigos publicados em periódicos, basicamente, de autoria de Manuel Araújo Porto Alegre (1806-1879 – importante pintor, arquiteto e caricaturista; escritor e periodista; professor, crítico e “historiador” da arte do Brasil Império) e Francisco Manuel da Silva (1795-1865 – músico e regente; compositor de uma das músicas políticas mais importantes do Estado Imperial, o Hino Nacional; personagem central na criação e direção do Imperial Conservatório de Música). O principais referencias teóricos que norteiam as análises e as discussões tem como base a concepção historiográfica de “processo civilizatório” desenvolvida por Norbert Elias e, em certa medida, as discussões sobre os usos e funções da música propostas por Alan Merriam. Como parte de uma pesquisa de doutorado sobre a História da Educação Musical que ainda está em desenvolvimento, esta comunicação procura demonstrar que, juntamente com a gradativa formação de um mercado de entretenimento na cidade que teve a música como um de seus principais bens, houve também uma intensa discussão moral sobre as suas funções e significados dentro de um processo de civilização da “boa sociedade” da capital e da própria afirmação do lugar do Brasil junto às grandes nações.

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