Engajamento, etnomusicologia e transformação social em uma pesquisa de pós-graduação: uma breve revisão de literatura

Pedro Mendonça

Resumo


O artigo busca apresentar o corpo teórico e metodológico de uma pesquisa de doutoramento em etnomusicologia que se pretende engajada em uma perspectiva de transformação social. Em uma breve revisão de literatura apresento aqui as tendências mais recentes da área em repensar questões epistemológicas da prática acadêmica, aqui assumida como eurocentrada e colonialista, com pouco espaço e “pouca voz” para populações historicamente oprimidas. Pautado principalmente no trabalho do grupo Musicultura, ligado ao Laboratório de Etnomusicologia da UFRJ - grupo de pesquisa que desde 2003 realiza pesquisa sobre as práticas musicais do bairro Maré no Rio de Janeiro - esta comunicação conversa, a partir do conceito de práxis sonora, com perspectivas metodológicas que estariam ligadas a uma verdadeira “virada” epistemológica, na qual o tradicional “nativo” se torna elemento de voz ativa dentro da pesquisa, enunciando suas próprias visões de mundo sobre aquilo que faz, sem a necessidade de um “intérprete” acadêmico para “traduzir” sua cultura e sua música. Estas perspectivas metodológicas giram em torno da prática da pesquisa dialógica e seus dilemas, incluindo a questão do prazo da pesquisa e da autoria do texto etnográfico. Como possibilidades e apontamentos futuros, o artigo busca apresentar também de maneira breve as táticas e estratégias adotadas nesta pesquisa de doutoramento sobre aquilo que chamo de “cena funk autonomista” do Rio de Janeiro a partir da interlocução entre o campo e o universo da Academia. Assim abdicamos do discurso da neutralidade, negando-a, e afirmando a partir da práxis de pesquisa uma interlocução entre nossos desejos políticos de transformação e nossa prática acadêmica.

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