Explorando os limites da teoria neo-riemanniana

Walter Nery Filho

Resumo


Este artigo propõe revisar e detalhar conceitos e modelos de transformações harmônicas elaborados na introdução da tese de doutorado de Steven Scott Baker de 2003 denominada Neo Riemannian Transformations and Prolongational Structures in Wagner’s Parsifal. Nesse trabalho, Baker faz uma revisão dos modelos neo-riemannianos vigentes, além de reaproveitar a função Split (S) introduzida no artigo de 1998 Voice-Leading Parsimony in the Music of Alexander Scriabin de Clifton Callender, a qual permite que uma determinada classe de altura se desmembre em duas, habilitando a transformação de uma tríade em uma tétrade e vice-versa (Split (S) reverso). Como se sabe, a teoria neo-riemanniana obteve grande impulso desde o simpósio de 1993 da State University of New York em Buffalo nos Estados Unidos, tendo seus alicerces fundamentados especialmente sobre os escritos de David Lewin, Brian Hyer e Richard Cohn. Desde então, pesquisadores vêm trabalhando criativamente em prol da expansão de seus domínios cujas limitações em muito ainda se devem à prevalência das funções P (Parallel), R (Relative) e L (Leittonwechsel) introduzidas na Tonnetz de Brian Hyer. Em benefício dessa expansão, Baker apresenta em sua tese dois novos conceitos importantes: o de Classes de Deslocamentos bem como as funções alternativas -L e *R, decorrentes da própria teoria de Classes de Deslocamentos. Essas funções apontam em sentido oposto às funções R e L ampliando consideravelmente o espectro de possibilidades transformacionais. A combinação dessas novas ideias com os conceitos propalados pelos autores do grupo de Buffalo - em particular a função Split (S) - possibilitou uma formulação algébrica simples e abrangente para transformações entre tríades, entre tétrades e entre tríades e tétrades, além da criação de redes gráficas alternativas de transformações que pudessem incluir e relacionar acordes ausentes das demais redes conhecidas.

Texto completo:

PDF