Os limites do moderno na canção de câmara de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes

Carlos Ernest Dias

Resumo


O artigo aborda o contexto histórico em que foi produzido o LP “Canção do Amor Demais”, gravado no Rio de Janeiro em 1958, o qual contém canções de Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes interpretadas pela cantora Elisete Cardoso e grupo instrumental com participação de João Gilberto. Discute-se ao longo do artigo se o LP possui reflexos de uma orientação modernista na realização de um tipo de canção culta e refinada, e ao mesmo tempo de sabor popular. Argumentamos no sentido de que a proposta estética contida neste LP tenha sido abandonada em função da projeção que a bossa nova alcançou à mesma época, mas também em função dos acontecimentos sociais, culturais e políticos ocorridos nos anos subseqüentes, que interromperam o fluxo de ideias e provocaram a desorganização do ambiente de produção musical no Brasil. A partir destes argumentos, analisamos o percurso histórico do modernismo, no sentido de aferir se a sonoridade e outros elementos presentes no LP se relacionam ao projeto modernista. Dessa forma, pretende-se contribuir para o aprofundamento nos processos históricos e culturais que marcam a construção e por vezes a desconstrução de nossa identidade musical.

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