A hibridação do Brazilian Jazz e o processo de modernização do país na década de 1980

Deborah Weiterschan Levy

Resumo


A produção de música instrumental que encontrou campo fértil para florescer no eixo Rio-São Paulo na década de 1980 por uma geração de músicos que lançou mão da mistura de elementos de gêneros norte-americanos – do jazz em sua grande maioria, mas também do blues, do funk e do soul – com elementos de gêneros brasileiros em suas composições, fez surgir uma música hibridizada, aqui denominada de Brazilian Jazz. Essa denominação guardaria em si a chave para um entendimento mais aprofundado a respeito de processos sócio-culturais e econômicos do país, localizados dentro do contexto da modernização latino-americana das décadas de 1980 e 1990, na medida em que seu entendimento é controverso dentro e fora do país. A análise toma como ponto de partida a primeira participação de um grupo brasileiro no Festival de Montreux, Suíça, em 1977 - o grupo Azymuth - e as relações entre a escolha do grupo e o mercado cultural da época. Será analisado como o jazz, gênero nascido em finais do séc.XIX em Nova Orleans, EUA, foi usado para legitimar uma música frente a um novo mercado, cerca de 80 anos depois, no Brasil. A intenção é a de acender uma luz sobre um período da música instrumental brasileira, pouquíssimo estudado no âmbito acadêmico. Como suporte teórico, será tomado como base o trabalho de Nestor Garcia Canclini sobre a hibridação e a modernização da América Latina, “Culturas híbridas - estratégias para entrar e sair da modernidade” e o conceito de campo artístico, de Pierre Bourdieu.

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