Entre a vanguarda e o experimentalismo: o surgimento da Música Teatro

Fernando de Oliveira Magre

Resumo


O presente artigo tem por objetivo avaliar que fatores contribuíram para o aparecimento da Música Teatro, um gênero híbrido que relaciona elementos sonoros e visuais a partir de técnicas composicionais musicais, gerando obras cênicas muitas vezes inusitadas e cômicas. Embora o ideal de relacionar de forma igualitária os elementos cênicos e musicais persiga a arte ocidental desde, pelo menos, o conceito de Obra de Arte Total (Gesamtkunstwerk) de Wagner, passando ainda por compositores como Stravinsky e Schoenberg, foi apenas a partir dos anos 60 que essa concepção foi formalizada e se tornou um gênero de fato. De acordo com nossas pesquisas, colocamos a hipótese de que a Música Teatro surgiu a partir do embate entre o Happening dos experimentalistas norte-americanos (sobretudo a obra e o pensamento de John Cage) e o Serialismo europeu. A partir de levantamentos bibliográficos, percebemos que a passagem de Cage em 1958 pelos Internationale Ferienkurse für Neue Musik em Darmstadt foi fundamental para a reconfiguração do pensamento musical ocidental. Vários compositores salientam que essa passagem de Cage, David Tudor e o grupo Fluxus pela Europa foi crucial para desestabilizar a estética serialista dominante. Dentre eles, Mauricio Kagel e Gilberto Mendes, dois dos principais criadores do gênero Música Teatro, descrevem longamente como foram atingidos pelo pensamento cageano e como isso se refletiu em suas obras naquele momento e posteriormente. A partir dessas declarações levantamos a possibilidade de o gênero ter surgido não do desenvolvimento ou saturação da Ópera, como comumente é apontado, mas sim do choque entre a Vanguarda e o Experimentalismo. Tal contato proporcionou um campo fértil para o desenvolvimento de novas linguagens musicais, dentre as quais, a Música Teatro.

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