A música popular brasileira nas orquestras da Rádio Nacional nas décadas de 1940 e 50

Ítalo Simão Neuhaus

Resumo


No início da década de 1940, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro já era a emissora líder em audiência no Brasil, com alcance em todo o país, investimentos constantes e um elenco que contava com praticamente todos os cantores de sucesso comercial do período. Apesar disso, desde sua inauguração, em 1936, eram poucas as orquestras na emissora e nenhuma tocava repertório popular nacional, restando o acompanhamento de música brasileira exclusivamente ao conjunto regional. No ano de 1943, com a criação do programa “Um milhão de melodias”, patrocinado por uma marca norte-americana de refrigerante, esse padrão de acompanhamento foi rompido, com a criação da “Orquestra Brasileira”. Montada pelo pianista, arranjador e compositor Radamés Gnattali e destinada a tocar repertório que incluía música popular brasileira, o sucesso desta orquestra expandiu imediatamente o estilo de acompanhamento orquestral a diversos outros programas da Nacional, durante a chamada “Era de Ouro” do rádio no Brasil. A presença de arranjos orquestrais de música brasileira, no cotidiano da maior emissora do país, colaborou diretamente na padronização e difusão de um estilo de arranjo orquestral para interpretação de gêneros musicais nacionais, que seguiria presente pelas décadas seguintes, nos mais diversos meios. O presente texto parte da criação desta primeira orquestra “à brasileira” da Rádio Nacional, em 1943, para discutir a mudança do padrão de acompanhamento na emissora, com a presença de elementos musicais e influências de diferentes matrizes, como a música de concerto e as orquestras de jazz, levando em conta um contexto que incluía o Estado Novo e a Política da boa vizinhança.

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