Apontamentos sobre espaço público, discursos e desordem no Carnaval de rua do Rio de Janeiro

Marcelo Rubião de Andrade

Resumo


Este artigo apresenta resultados parciais de um estudo etnomusicológico, que tem como foco a relação entre a prática musical e um atual processo de mudança no carnaval de rua, na cidade do Rio de Janeiro. Um processo de mudança que se torna mais intenso e perceptível a partir da primeira década dos anos 2000, e é caracterizado por um aumento exponencial no número de participantes, bem como uma mudança na forma de ocupação do espaço público pelos festejos, e o surgimento de uma serie de novos grupos, e performances, ligados ao carnaval. Neste contexto, a prática musical aparece como um elemento central, atuando como gerador e organizador de espaços sociais, interpenetrados por campos de produção cultural, econômica e política. Este artigo busca destacar como a relação entre estes campos participa da formação de discursos sobre o carnaval, e movimentos de maior ou menor ocupação do espaço público. Assim, a prática musical é pensada em relação ao seu contexto social, e às relações de poder, dominação e subordinação em que ocorrem, como elemento ativo, e em estreita relação com os mecanismos de hierarquização social e distinção de classes. As dinâmicas que o caráter subversivo carnavalesco instaura são destacadas como possibilidades de oposição à ordem, e às relações de poder cotidianas. Sendo assim, relacionadas também à formação de espaços sociais, que se estabelecem em disputas pelo domínio simbólico do espaço público, e à formação de arenas discursivas específicas, em que a desordem aparece como um elemento central, e que possibilita novas formas de ação.

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