Os principais estilos de raspagem de palheta de oboé no Brasil: um estudo espectográfico para caracterização timbrística

Ravi Shankar Magno Viana Domingues

Resumo


O presente artigo é fruto da primeira etapa do meu projeto de pesquisa do Doutorado em Performance Musical que busca compreender e caracterizar os conceitos subjetivos relacionados ao timbre dos principais estilos de palhetas utilizados no Brasil: o alemão e o americano. O artigo aborda a importante catalogação e classificação feita por Ledet (1981) com o intuito de visualizarmos a diversidade de tipos de raspagem de palhetas disponíveis destacando os conceitos subjetivos de timbre relacionados aos raspados predominantes no Brasil. Procuramos explorar de maneira breve os principais conceitos relacionados ao timbre e aos descritores acústicos utilizados na pesquisa como: centroide espectral, fluxo espectral, duração do ataque e duração da nota. Os dados acústicos extraídos nos permitiram comparar alguns conceitos recorrentes relativos ao timbre do oboé com dados mais objetivos, nos indicando a possibilidade de que nem sempre nosso senso comum corresponde à realidade acústica do som. Nesse contexto foi possível uma reflexão a cerca dos pré-conceitos que frequentemente limitam os oboístas de desfrutar das vantagens que os diferentes estilos de raspado proporcionam. Nas próximas etapas do projeto iremos aumentar os números de amostras analisadas para verificarmos a recorrência ou não das considerações até aqui alcançadas, buscando estabelecer os aspectos mais importantes para caracterização do timbre do oboé e ampliar a compreensão sobre o papel da palheta na construção do timbre do oboísta. Espera-se que o presente trabalho venha estimular a utilização das ferramentas de análise empírica disponíveis como recursos adicionais para o desenvolvimento das habilidades técnico-musicais dos instrumentistas, buscando continuamente o desenvolvimento da comunicação através da Música.

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