Os solos para violone nas sinfonias de Haydn e as diferenças de aspectos técnicos na execução no contrabaixo e violone

Ricardo Bessa Magalhães França

Resumo


O movimento da Performance Historicamente Informada (PHI) surgiu no fim do século XIX e início do século XX como um movimento que se pautava em pesquisas musicológicas para embasar uma nova visão interpretativa. Parte de suas características foi a pesquisa por instrumentos históricos, sua construção e técnicas próprias, visando incorporar às interpretações contemporâneas os instrumentos para os quais as obras do passado foram escritas. No período Clássico o instrumento mais comum utilizado para realizar os graves na orquestra era o Violone Vienense, instrumento mais grave da Família da Viola da Gamba com afinação baseada em terças e quarta (F A d f# a), fundo chato, trastes, cordas de tripa mais leves que as atuais de metal e próximas umas das outras, o arco utilizado também diferia do modelo atual. Devido à diferença na afinação do Violone para o Contrabaixo atual afinado em quartas (E A d g), algumas características próprias idiomáticas do instrumento se perdem na execução de repertório escrito para o Violone quando executado no Contrabaixo. Dentre as características básicas presentes no repertório clássico-vienense para o instrumento encontram-se a exploração da orientação baseada em acordes, facilitando a execução de trechos arpejados e em terças, passagens de cordas alternadas e bariolagem. O autor exemplifica alguns dos idiomatismos do instrumento utilizando trechos de solos de Sinfonias de Haydn originalmente compostos para o instrumento e quais as modificações técnicas necessárias para a execução no Contrabaixo. Busca criar uma reflexão a cerca da interpretação do repertório clássico tocado no Contrabaixo, chamando atenção para a prática da PHI no Violone.

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