Interpretando o imaginário de seresta na 7ª Valsa de Esquina para piano de Francisco Mignone

Sigridur Malaguti

Resumo


O imaginário de seresta é uma esfera ou metáfora ligada à 7ª Valsa de Esquina para piano de Francisco Mignone de forma intencional: já de início este imaginário é indicado no próprio título das Doze Valsas de Esquina para piano, série da qual a7ª Valsa de Esquina faz parte. A ”esquina” do título convida para um cenário de rua, aonde, à época de juventude do compositor Mignone, aconteciam de costume serestas musicais, das quais ele participava; em seguida o referido imaginário é evocado pelas indicações na partitura feitas pelo compositor e por referências idiomáticas a instrumentos tocados em serestas no Brasil; e ainda é chamado em cena por fartas referências a feições musicais facilmente identificadas como pertencentes a um universo musical brasileiro. Um estilo específico de tocar música de seresta ainda pode ser encontrado em pequenas cidades como Conservatória/RJ, onde a tradição de seresta se mantém até hoje. Obviamente não pode se pressupor que a maneira de executar música de seresta em Conservatória hoje em dia seja idêntica àquela das serenatas das quais Mignone participava nas ruas de São Paulo nas primeiras décadas do século XX, as quais foram fonte de inspiração na composição das Doze Valsas de Esquina para piano. Porém, a atmosfera de nostalgia e exaltação sentimental pode ser constatada em ambos os casos. Como traduzir essas referências do compositor a tradição de seresta em interpretação? Para abordar este problema, gravações de diferentes interpretações da peça foram analisadas, observando as variadas maneiras com que os intérpretes moldaram o tempo na busca por uma atmosfera saudosa e amorosa, emblemática da seresta no Brasil.

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