Elementos estruturais e gestuais da Primeira Toccata Nordestina para piano solo de Júlio Braga

Tamara Ujakova Corrêa Schubert

Resumo


Na construção interpretativa de uma obra musical, a habilidade e sensibilidade do intérprete acopladas a um estudo analítico fornecem consistência à sua execução. A natureza subjetiva e não mensurável da representação gráfica pode se mostrar insuficiente às peculiaridades de determinadas obras. No caso da Primeira Toccata Nordestina para piano solo do compositor Júlio Braga (1918-1992), objeto de estudo deste trabalho, a adjetivação ‘nordestina’ no título da obra, a partir da análise, desperta no intérprete a necessidade de buscar estratégias para tal associação. De forma a subsidiar a posterior interpretação da obra em foco, este estudo objetivou delinear e classificar os aspectos estruturais, gestuais e, consequentemente, evidenciar a eventual existência de expedientes pertinentes ao ambiente regional. A sistemática metodológica consistiu na análise estrutural e gestual através da identificação dos gestos musicais inseridos na macroestrutura formal que se articula a partir de dois fatores fundamentais: materiais temáticos e centricidades (STRAUS, 2012). Como suporte teórico para a análise gestual utilizou-se os conceitos de Robert Hatten no livro Interpreting musical gestures, topics and tropes: Mozart, Beethoven, Schubert (HATTEN, 2004), observando-se também as implicações desses gestos para as estratégias interpretativas. Como resultado do estudo analítico realizado, observou-se que a alternância de quatro temas no decorrer da obra fortaleceu a ideia de pensar sua execução a partir de um viés narrativo que remete ao repente nordestino. A construção de estratégia interpretativa para a Primeira Toccata Nordestina de Júlio Braga, a partir de diálogo entre diferentes personagens, favorece a criação de atmosferas contrastantes tanto em caráter quanto em sonoridades cooperando para a manutenção do dinamismo na execução da referida obra.

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