DEBATES - Cadernos do Programa de Pós-Graduação em Música
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<p><strong data-start="51" data-end="122">Debates – Cadernos do Programa de Pós-Graduação em Música da UNIRIO</strong> é uma publicação anual do PPGM/UNIRIO que tem como objetivo oferecer um espaço para a reflexão e o debate de temas relevantes em todas as vertentes da música, além de difundir a produção resultante da pesquisa acadêmica na área. A revista recebe colaborações para os dossiês temáticos divulgados periodicamente pela comissão editorial, bem como artigos de temática livre submetidos em fluxo contínuo. São aceitas contribuições em português, espanhol e inglês.</p> <p>A revista tem utiliza a licença <em>Creative Commons - Atribuição-CompartilhaIgual.</em></p> <p><strong>e-ISSN:</strong> 2359-1056 | <strong>Ano de criação:</strong> 1997 | <strong>Área do conhecimento:</strong> Música | <strong>Qualis:</strong> A2 (Artes)</p>PPGM-UNIRIO - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiropt-BRDEBATES - Cadernos do Programa de Pós-Graduação em Música1414-7939APRESENTAÇÃO
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<p>Introdução ao dossiê temático <em>Arranjo: História, técnica, pedagogia e transformações contemporâneas.</em></p>David GancLuciana Requião
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2026-03-032026-03-0330e3026D1e3026D1As PRÁTICAS ORAIS NA FORMAÇÃO DE ARRANJADORES DE MÚSICA POPULAR
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<p>: Este artigo apresenta um relato etnográfico sobre as práticas de arranjo na música popular, com foco na oralidade e nas estratégias pedagógicas utilizadas no curso do Centro Ian Guest de Aperfeiçoamento Musical (CIGAM). Essas práticas foram observadas em um estudo realizado em 2009, numa das últimas turmas ministradas pelo idealizador do curso. A pesquisa investiga como os conceitos musicais são transmitidos através das atividades práticas do curso, especialmente na Orquestra Laboratório de Arranjo (OLA). As atividades privilegiam a criatividade, a oralidade e a colaboração entre músicos, em contraste com a formalidade dos métodos tradicionais. Além disso, discutimos a evolução histórica do arranjo na música popular e suas definições, destacando a importância de práticas pedagógicas flexíveis e democráticas na formação de arranjadores e músicos, contribuindo para a compreensão das dinâmicas contemporâneas do ensino e da performance musical.</p>Rafael Velloso
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2026-03-032026-03-0330e3026D2e3026D2UM ARRANJO NAS TRANSFORMAÇÕES ESTILÍSTICAS DO CHORO
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<p>Este artigo investiga o papel do arranjo nas transformações estilísticas do gênero musical choro no final do século XX, a partir da atuação de Paulinho da Viola, Radamés Gnattali, da Camerata Carioca, do grupo Nó em Pingo D’Água e de formações associadas ao chamado “neo-choro” — termo cunhado pelo jornalista e crítico Tárik de Souza. Discute-se o uso dos conceitos de “estilo”, “gênero”, “hibridismo” e “arranjo” no campo da música popular brasileira ‑— e do choro, especificamente —, considerando tanto os processos de criação musical de instrumentistas e conjuntos quanto o contexto de recepção de novas propostas. O aporte teórico articula contribuições de musicólogos e historiadores como Allan F. Moore, Ana Maria Ochoa, Ary Vasconcelos, Baptista Siqueira, Franco Fabbri, Henrique Cazes, Jairo Severiano, José Ramos Tinhorão, Mário de Andrade, Pedro Aragão, Paulo Aragão, Acácio Piedade, Philip Tagg e Sheila Zagury. A análise da versão de <em>Assanhado</em>, de Jacob do Bandolim, arranjada por Rodrigo Lessa e gravada pelo Nó em Pingo D’Água, evidencia aspectos significativos das recentes mudanças estilísticas no choro.</p>Mário Sève
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2026-03-032026-03-0330e3026D3e3026D3ORQUESTRAÇÃO FLUIDA EM BANJO-KAZOOIE
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<p>Este artigo investiga como a trilha sonora do videogame <em>Banjo-Kazooie</em> apresenta um sistema de orquestração fluida, no qual o material musical se adapta em tempo real às ações do jogador e aos ambientes explorados durante a partida. O objeto de análise é a peça <em>Gruntilda's Lair</em>, tema central do jogo, e suas múltiplas variações instrumentais, cada uma associada a um acontecimento específico acessado a partir do castelo-labirinto da antagonista. Argumenta-se que essas variações não apresentam uma simples reprodução da instrumentação utilizada nos temas originais das fases correspondentes, mas operam como reconfigurações do tema <em>Gruntilda</em>’<em>s Lair</em>, mantendo sua identidade melódica e harmônica enquanto adaptam a orquestração para evocar elementos extramusicais característicos de cada ambiente do jogo. O fluxo musical nesse jogo assume um caráter fluido, uma vez que é elemento constituinte de uma <em>obra em movimento</em> (Eco, 1976), revelando um processo de construção musical que se organiza por meio da adaptação contínua de seu conteúdo instrumental. Conclui-se que a música de <em>Banjo-Kazooie</em> funciona como uma metáfora de localização do personagem, orientando o ouvinte e ampliando a imersão por meio de uma escuta interativa, cômica e contextualizada.</p>Caio SouzaDaniel Fils Puig
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2026-03-032026-03-0330e3026D4e3026D4VOU VENCER
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<p>Este artigo apresenta uma análise musicológica de <em>Vou vencer</em>, samba inédito atribuído a Cartola, a partir de uma partitura localizada no acervo Rádio Mayrink Veiga, preservada no Arquivo Nacional (RJ). Por meio de uma abordagem que integra estudo histórico, análise documental e investigação estilística, busca-se investigar as condições históricas de produção da peça e propor diretrizes para uma reconstituição interpretativa, respeitando tanto a historicidade quanto a expressividade artística. A análise do manuscrito é articulada a referenciais da musicologia contemporânea, especialmente à noção de partitura como script performativo e aos princípios da performance historicamente informada. A proposta interpretativa considera a reativação da obra como gesto de arqueologia sonora, buscando não apenas recuperar sua sonoridade, mas também reinscrever sua função cultural.</p>José Gabriel Gonzaga Tavares
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2026-03-032026-03-0330e3026D5e3026D5RECRIAR O INTRADUZÍVEL
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<p>Este artigo investiga processos de recriação musical envolvidos na tradução, para o violão, de uma peça escrita originalmente para Piano. Trata-se de <em>Brin</em>, peça para piano solo, composta pelo compositor italiano Luciano Berio em 1990. Considerando a relevância do pensamento e obra de Luciano Berio ao campo do arranjo/reescrita musical, este artigo se concentra em analisar, discutir e refletir processos e procedimentos inventivos ligados a (re)criação musical no contexto da música dos séculos XX e XXI. Inicialmente, realizo uma análise musical da obra sob o enfoque da gestualidade e sonoridade. Em seguida, são analisados os processos de arranjo/reescrita e os procedimentos - ações inventivas - empregadas por Bruce Charles na tradução da obra para o violão, de forma a observarmos na tradução analisada, o seguinte conjunto de procedimentos inventivos: recriação notacional, reconfigurações de agregados sonoros, manutenção e estratégias adicionais de ressonância, exploração de scordatura e ornamentações de ativação espectral.</p>Ricardo Serrão
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2026-03-032026-03-0330e3026D6e3026D6O REGENTE-ARRANJADOR COMO ELO ENTRE CRIAÇÃO E PERFORMANCE NO AMBIENTE CORAL
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<p>Este artigo tem por foco a prática do arranjo coral, destacando a importância do regente-arranjador como elo entre a criação e a performance. Como metodologia, foi realizada uma revisão bibliográfica inicial que apontou para a ausência de temas relevantes, o que levou à realização de entrevistas semiestruturadas e abertas com os regentes-arranjadores Eduardo Fernandes, Marcelo Recski e Roberto Rodrigues, residentes em São Paulo. Tais entrevistas foram uma forma efetiva de se chegar a esclarecimentos sobre as questões práticas sobre criação e interpretação de arranjos de música brasileira, além de questões específicas sobre determinados arranjos (utilizados como exemplos em partitura), que as outras metodologias não eram capazes de abarcar. A metodologia incluiu também o levantamento de dados sobre regentes-arranjadores em atividade no sudeste do Brasil desde a década de 70, utilizando dados disponíveis na internet, a partir do método prosopográfico. O artigo problematiza três aspectos da prática de arranjos corais: 1) o repertório como fator de identidade de grupo; 2) adaptações de arranjos; 3) comunidade interpretativa: regras e estratégias de escrita, leitura e interpretação de arranjos corais. Entre os resultados, é fornecido um perfil do regente-arranjador em atividade no sudeste do Brasil e são apresentadas discussões sobre a prática da criação e performance de arranjos corais. Conclui-se que as partituras de arranjos corais são geralmente partituras abertas, sujeitas a alguns acréscimos, supressões ou transformações, de acordo com as regras e estratégias de uma comunidade interpretativa. A partir das entrevistas, foi possível identificar práticas de leitura e de uso compartilhadas pelos regentes corais brasileiros. Destaca-se ainda a importância dos coralistas e dos regentes-arranjadores na definição de obras a serem arranjadas e nos processos de adaptação e performance.</p>Carolina Andrade OliveiraSusana Cecilia Igayara-Souza
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2026-03-032026-03-0330e3026D7e3026D7BRINGING UP THE HIDDEN BRAZILIANESS OF HENRIQUE OSWALD
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<div class="page" title="Page 1"> <div class="section"> <div class="layoutArea"> <div class="column"> <p>This case study departs from the elaboration of an arrangement to challenge a consolidated and biased musicological perspective about Henrique Oswald (1852-1931), one the most important Brazilian composers of all times. It involves three interconnecting issues: (1) the dilemma between Brazilian versus European music after the 1922 “<em>Semana de Arte Moderna</em>” (Week of Modern Art); (2), the limitations to notate <em>choro </em>performance practices in music scores, and (3) the adaptation of Henrique Oswald’s “<em>Serrana</em>” from a trio (violin, cello and piano) to a duet (double bass and piano) instrumentation. Despite the historical belief that Oswald refused to embrace the emerging Nationalism in his music, I argue that there is a Brazilian essence not only in the programmatic title of “<em>Serrana</em>”, but also in the 5 cyclic motifs, especially the syncopated rhythms that he uses to organize the quasi-<em>choro</em> rhapsodic <em>A-B-C-Coda</em> form. Documental and analytical data suggest that “<em>Batuque</em>” [“Drumming”], an early <em>choro </em>by Ernesto Nazareth dedicated to Oswald, inspired “<em>Serrana</em>”, his most Brazilian work; “<em>Serrana</em>”, in turn, possibly inspired Villa-Lobos’ “<em>Trenzinho do Caipira</em>” [“The Little Train of the Countryside Man”]. The main results indicate that (1) Oswald’s thick contrapuntal textures, (2) his predominant <em>legato</em> and <em>detaché</em> articulation, (3) the absence of a clear <em>choro</em> groove, (4) the challenges in notating popular music performance practices, and (5) the tradition of playing and recording the work at slow tempos may have contributed to the work’s poor reception and ostracism. I hope this arrangement of “<em>Serrana</em>” provides not only an opportunity to develop Brazilian chamber music and the idiomatic writing for the double bass, but also to discuss the need to better notate performance practices of popular music and change the musicological perspective about Henrique Oswald’s alleged lack of Brazilianess.</p> </div> </div> </div> </div>Fausto Borem de Oliveira
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2026-03-032026-03-0330e3026D8e3026D8DON’T LET ME DOWN
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<p>Este artigo investiga o processo de arranjo e produção musical da canção Don’t Let Me Down (The Beatles, 1969), na versão realizada pelo Bloco do Sargento Pimenta, coletivo musical carioca que, desde 2010, dedica-se à releitura do repertório dos Beatles em diálogo com práticas musicais brasileiras. O relato considera a organização interna do grupo, marcada pela atuação colaborativa de diferentes lideranças musicais e pela divisão entre bateria (percussão) e banda (harmonia e melodia), bem como os procedimentos criativos que articulam referências do original e experimentações rítmico-harmônicas. O estudo de caso demonstra que a releitura de Don’t Let Me Down foi inicialmente concebida em medley com Anunciação (Alceu Valença), mas resultou, em 2019, em uma versão independente devido a restrições autorais e a objetivos fonográficos. A participação do músico e produtor Pedro Tie introduziu recursos eletrônicos (sintetizadores, samples e beats), ampliando o espectro sonoro do grupo. O arranjo combina elementos de ijexá, <em>reggaeton</em> e <em>funk</em>, explorando contrastes entre camadas acústicas e eletrônicas, com ênfase na clareza textural obtida no processo de mixagem. Conclui-se que a releitura reafirma a prática de aproximação entre culturas que é característica do bloco, na qual a herança beatle é recontextualizada por meio de ritmos afro-latinos, carnaval e experimentação coletiva, produzindo uma síntese que articula tradição e contemporaneidade.</p>Marcelo de Souza Saboya BarrosLeandro Donner
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2026-03-032026-03-0330e3026D9e3026D9DISCOS FONOGRÁFICOS COMO FONTE DE PESQUISA
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<p>Em um cenário de crescente interesse pela música das primeiras décadas do século XX e com o objetivo da dar suporte a pesquisas musicológicas e a procedimentos curatoriais de manutenção de acervos sonoros, aqui é proposta uma metodologia para análise de discos fonográficos de 78 rpm, enfatizando os discos gravados por meios mecânicos no Brasil (1902-1927), mas que se aplica a discos de outras épocas e origens. Os procedimentos propostos tem como princípio que os discos em sua materialidade não são apenas meros suportes dos fonogramas, são sim importantes fontes de pesquisa que devem ser cuidadosamente analisados através de métodos claramente expostos. A parte central da metodologia consiste de uma proposta de normatização para transcrição das informações presentes no selo e no corpo dos discos. Um glossário de termos morfológicos e uma tipologia dos selos fonográficos brasileiros da fase das gravações acústicas é fornecida, incluindo ilustrações da maior parte deles.</p>Sandor Buys
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2026-01-092026-01-0930e302601e302601CONECTANDO MARCAS E CONSUMIDORES
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<p> <span class="fontstyle0">Este estudo analisa o uso da música como instrumento de conexão emocional entre marcas e consumidores em campanhas publicitárias. A aplicação musical na publicidade tem evoluído ao longo do tempo, incorporando diferentes formatos (como </span><span class="fontstyle2">jingles</span><span class="fontstyle0">, </span><span class="fontstyle2">spots </span><span class="fontstyle0">e trilhas sonoras), além de conceitos mais recentes, como </span><span class="fontstyle2">Sound Branding </span><span class="fontstyle0">e </span><span class="fontstyle2">Music Branding</span><span class="fontstyle0">. Com base nesse contexto, o artigo tem como objetivo investigar a percepção de profissionais da área de áudio publicitário sobre o processo de criação de peças sonoras capazes de atender aos objetivos das marcas e gerar vínculo emocional com o público-alvo. Trata-se de uma pesquisa Aplicada, de caráter Exploratório e Descritivo, com abordagem Qualitativa. Os procedimentos metodológicos incluíram revisão Bibliográfica e Pesquisa de Campo, por meio de entrevistas com cinco profissionais atuantes no setor de áudio publicitário. O estudo se destaca por seu caráter inédito no campo da publicidade: embora existam abordagens que relacionam música e emoção, poucas exploram sua aplicação como ferramenta estratégica nesse contexto. Os resultados indicam que a construção de uma conexão emocional eficaz entre marca e consumidor, por meio da música, depende principalmente de dois fatores: a atuação de profissionais com repertório cultural sólido e a coerência entre a comunicação sonora e a identidade da marca, evitando aderência a tendências efêmeras que não representem sua essência.</span> </p>Nicole Juliane KelschSimone Carvalho da RosaMauricio Barth
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2026-01-092026-01-0930e302602e302602A OFICIALIZAÇÃO DO CARNAVAL E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O SURGIMENTO DA BOSSA NOVA
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<p>Neste artigo promovemos uma discussão acerca do processo de oficialização do carnaval e do samba como fator contribuinte para o surgimento da bossa nova. Para tanto, tomamos como referência os conceitos de carnavalização e de oficialização da cultura, tais quais apresentados por Bakhtin (1987). Em seguida, apresentamos uma conceitualização acerca do estilo bossa nova, bem como uma breve análise a respeito da abordagem musical de João Gilberto, violonista, intérprete e compositor brasileiro. O trabalho interpretativo desempenhado pelo artista, contribuiu, de maneira substancial, para a consolidação da bossa nova e tornou-se, naquele contexto, um dos símbolos da modernidade almejada pelas elites em um país que atravessava um momento notável de desenvolvimento. Por fim, concluímos que a análise dos eventos que marcaram o desenvolvimento do carnaval carioca e posteriormente da bossa nova, podem ser correlacionados como acontecimentos diretamente ligados, que contribuíram para a construção de um quadro conceitual mais objetivo acerca da formação cultural de nosso país.</p>Vinicius Maurício Queiróz Hipólito da Silva William Teixeira da Silva
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2026-01-092026-01-0930e302603e302603AS FONTES NARRATIVAS NA HISTÓRIA DA MÚSICA
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<p><span class="fontstyle0">O presente artigo discute a variedade e tipos de fontes narrativas com as quais os historiadores e musicólogos podem contar para a investigação e reflexão sobre temas e problemas diversos da História da Música. Depois de uma breve reflexão sobre a grande diversidade de fontes de natureza diversa disponíveis aos estudiosos de temas históricos relacionados à música, o artigo segue desdobrando reflexões mais específicas sobre as subcategorias de fontes narrativas, entre as quais as crônicas, as obras literárias, as escritas de si – com ênfase nas biografias e autobiografias – e, por fim, as narrativas derivadas do cinema, teatro e outras mídias.</span> </p>José D'Assunção Barros
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2026-01-092026-01-0930e302604e302604“PASTEIS DE VENTO MUSICAL"
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<p> <span class="fontstyle0">O longa-metragem de animação brasileiro </span><span class="fontstyle2">Piconzé </span><span class="fontstyle0">(1972), dirigido por Ippe Nakashima, destaca-se por sua estética de bricolagem na concepção visual e na trilha musical, em que geografias e figuras díspares, como castelo medieval, sertão nordestino, sacis, dragão, bruxa e cangaceiros, são acompanhados por uma variedade musical, de música clássica europeia a baião, tango e jazz. Com o objetivo de compreender sua natureza híbrida, exploramos a trilha musical sob a ótica da bricolagem sonora na visão de Michel de Certeau (1995) e do sentido de paisagem sonora conforme Murray Schafer (2001). Em nossa análise, constatamos um processo de bricolagem estética em que a trilha musical atua em conjunto com as imagens em favor de uma paisagem cinemática permeada pela heterogeneidade de materiais musicais.</span> </p>Joezer SouzaJulie Lemes
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2026-01-092026-01-0930e302605e302605O TREINAMENTO RESISTIDO E SEU EFEITO NOS PARÂMETROS FÍSICOS E TRANSTORNOS PSÍQUICOS EM FLAUTISTAS
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<p> <span class="fontstyle0">Este estudo teve como objetivo investigar os efeitos do treinamento com exercícios físicos sistematizados de membros superiores e tronco sobre os parâmetros físicos e o bem-estar psicológico de flautistas. Doze estudantes de flauta, do sexo feminino, de um programa universitário de música e de um conservatório foram divididas em dois grupos, para um estudo experimental intervencional não randomizado e por conveniênica: um grupo intervenção (GI; n=6) e um grupo controle (GC; n=6). O GI participou de um programa de treinamento de 12 semanas, consistindo na prática de exercícios físicos duas vezes por semana, complementados por um dia de caminhada, enquanto o GC seguiu sua rotina regular. Parâmetros antropométricos, físicos e psicológicos foram avaliados para análise. Os resultados pós-treinamento não revelaram alterações significativas nos parâmetros antropométricos ou na composição corporal. No entanto, foram observadas melhorias (p<0,05) na força e potência isométricas de membros superiores [2,99 (0,31) vs 3,49 (0,21)], bem como reduções nos escores de depressão e ansiedade [36,83 (8,98) vs 81,67(12,89)] entre os participantes que concluíram o protocolo de treinamento. Esses achados sugerem que a intervenção proposta serve como uma ferramenta eficaz para aprimorar o desempenho físico e pode auxiliar no manejo não farmacológico de sintomas de ansiedade e depressão em flautistas.</span> </p>João Vitor SantosMarcelo Parizzi Marques FonsecaMatheus Fernandes Martins BicalhoAlessandro de Oliveira
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2026-02-032026-02-0330e302606e302606DESCONSTRUINDO A CELEBRIDADE PERFEITA
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<p>Este artigo analisa criticamente a construção e desconstrução da imagem pública de Lady Gaga a partir de seus álbuns de estúdio, de <em>The Fame</em> (2008) a <em>Mayhem</em> (2025), com foco na faixa “<em>Perfect Celebrity</em>”. Considerando os álbuns como unidades narrativas e simbólicas, investiga-se como a artista articula elementos estéticos, discursivos e performáticos para questionar e reconfigurar os paradigmas da fama e da autenticidade na cultura pop contemporânea. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa de caráter exploratório, fundamentada na análise de conteúdo e sustentada por referenciais teóricos dos estudos culturais, da performance e da teoria crítica. O estudo evidencia como Gaga mobiliza sua persona artística para tensionar as normas de gênero, identidade e espetáculo, transformando o pop em campo de resistência simbólica.</p>LUIS OTÁVIO VILELA DA CRUZ
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2026-01-302026-01-3030e302607e302607A MÚSICA CORAL DE ANTÔNIO CARLOS B. PINTO COELHO (TOM K)
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<p style="font-weight: 400;"><span class="fontstyle0">Antônio Carlos Batista Pinto Coelho (1953-2023), mais conhecido como Tom K, professor, regente de coro, compositor e arranjador, escreveu obras instrumentais e vocais que têm sido interpretadas no Brasil e no exterior. A música coral é muito significativa na obra de Tom K, que, em termos peculiares, a define como BIS (Breve, Intensa e Simples). Entre arranjos e composições, ele escreveu mais de uma centena de peças para coros. O objetivo geral deste artigo é apresentar o referido compositor, destacando aspectos da sua vida e obra, descrevendo elementos característicos do seu fazer criativo. O trabalho, com caráter qualitativo, envolve pesquisa bibliográfica e documental com consultas a acervos privados em busca de manuscritos, obras não publicadas, programas de concerto, encartes de mídias e fotografias que se relacionam com o objeto de estudo. Na primeira parte, nos detemos nos aspectos biográficos do compositor, apresentando sua trajetória como violonista, regente, professor e compositor-arranjador. Na segunda, o foco recai sobre as composições, incluindo peças instrumentais e vocais. A investigação é pioneira e vem preencher uma lacuna no registro de repertório de música coral produzida no estado da Paraíba. Nossa meta é contribuir para a preservação da memória musical brasileira, servindo de suporte para os trabalhos de regentes e profissionais da área. Os resultados indicam que a literatura coral produzida por Tom K contempla uma diversidade de formações, peças </span><span class="fontstyle2">a cappella </span><span class="fontstyle0">e com acompanhamento, com diferentes níveis de dificuldade técnica.</span> </p>Daniel Berg Cirilo AlvesVladimir Silva
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2026-02-032026-02-0330e302608e302608LA INFLUENCIA DE LA EVALUACIÓN FORMATIVA EN LA ENSEÑANZA DEL PROFESORADO DE CUERDA FROTADA
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<p>Este estudio aborda la enseñanza instrumental desde la perspectiva de la evaluación formativa. Desde ese análisis se ofrece una propuesta a la integración de la evaluación formativa en estudiantes y profesores de violín, viola y violonchelo de niveles escolar y universitario del Departamento de Música de la Universidad de La Serena. Como objetivo se establece describir los efectos de la implementación de esta modalidad de evaluación en las prácticas pedagógicas del profesorado de cuerda frotada en este contexto. Para esto se adquiere una metodología cualitativa en un estudio de caso múltiple, en donde se analizan tanto las percepciones del profesorado como las actuaciones del alumnado a través de vídeos. Los resultados muestran que la adopción de esta forma de evaluar permite una regulación más efectiva de estrategias y metodologías docentes. Asimismo, esta práctica propicia el enfoque constructivista en el desarrollo de las clases, contribuyendo a la superación del modelo tradicional maestro-aprendiz. De esta forma, el profesorado cambia su rol tradicional transformándose en gestor del conocimiento en el aula de instrumento.</p>Leonardo Godoy
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2026-02-062026-02-0630e302609e302609O LUGAR DO SOM
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<p>O apego ao lugar é um conceito discutido na Geografia Humanista e na Psicologia Ambiental a partir do qual se compreende que as pessoas criam vínculos com os locais que fazem parte de suas vidas. No entanto, em grande parte da literatura, a abordagem e as discussões têm privilegiado os aspectos visuais das paisagens. Por isso, considerando-se que toda paisagem visual é indissociável de uma paisagem sonora, neste texto discutem-se os componentes sonoros que perpassam esse vínculo, tomando-se como ponto de partida o campo da Ecologia Sonora. A discussão é ampliada para se compreender o papel que a noção de apego ao lugar desempenha ou pode vir a exercer na Educação Sonora e na composição musical. A conclusão a que se chega é que os aspectos de sentido e significado que envolvem a noção de apego contribuem para o trabalho do educador e para que o compositor produza obras com maior aderência ao público.</p>Sergio Leal
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2026-02-202026-02-2030e302610e302610BETWEEN REGULATION AND FREEDOM
https://seer.unirio.br/revistadebates/article/view/14346
<p>The paper analyzes the integration of musicians into the labor market in Brazil, considering discussions on the professionalization of occupations. The research combines quantitative methods – statistical analyses based on data from the 2010 Census and the Continuous National Household Sample Survey (PNAD-C) from 2012 to 2019 – with qualitative methods, including participant observation and interviews with musicians from the city of Salvador (the capital of Bahia state, Brazil). Findings indicate that although the musician occupation is institutionally recognized as a profession, it has only partially met the requirements for full professionalization, resulting in various consequences for the market integration. Efforts to promote market closure for musicians – via institutional channels – have had a limited impact in areas such as education and professional practice. The conclusion emphasizes the need for public policies to strengthen organizations representing workers in this field, ensuring that the effort to create a less segmented, unequal, and precarious labor market for musicians is led by these organizations, while respecting the field’s specific characteristics, values, and nuances. It also highlights the importance of ongoing dialogue with the sector and the active involvement of musicians in policy formulation.</p>Rodrigo Heringer CostaIan Prates
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