https://seer.unirio.br/revistam/issue/feed Revista M. Estudos sobre a morte, os mortos e o morrer 2025-12-26T21:10:48-03:00 Claudia Rodrigues revistam.unirio@gmail.com Open Journal Systems <p>A <strong><em>Revista M.</em></strong> é um periódico acadêmico temático de publicação semestral, on-line e de acesso aberto, vinculada ao <a href="https://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/4149230700872041" target="_blank" rel="noopener">Grupo de Pesquisas <em>Imagens da Morte e do Morrer na Ibero-América </em></a>– sediado na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e credenciado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Sua missão é divulgar amplamente a produção científica nacional e internacional sobre a temática da morte, tornando-se um periódico de referência para os interessados nas diferentes formas de conhecimento produzido sobre a finitude, com enfoques e perspectivas os mais variados possíveis, abordando diferentes sujeitos em torno do morrer, assim como a diversidade das práticas e concepções ligadas à morte humana nas mais diferentes ambientações, culturas e épocas.</p> <p>É financiada e produzida pelo Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), por meio de verba da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), vinculada ao governo federal do Brasil, e conta com a parceria latino-americana da Universidad Autónoma del Estado de Hidalgo (UAEH) / México e de outras instituições, associações e grupos de pesquisa do Brasil e da Argentina. Tem contado com a colaboração de autores, editores, membros do conselho editorial e do conselho consultivo, além de pareceristas, de diferentes países, com destaques para os ibero-americanos.</p> <p>Publica artigos originais e inéditos, escritos preferencialmente por doutores, que não estejam sendo avaliador por outro periódico, provenientes de áreas das ciências sociais e humanidades ou na interface com elas. Aceita submissão de textos em português, espanhol, inglês e francês e recebe colaborações em fluxo contínuo, exclusivamente on-line, através do acesso ao programa de SUBMISSÃO, disponível no Portal de Periódicos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO): <a href="http://seer.unirio.br/revistam/about/submissions">http://seer.unirio.br/revistam/about/submissions</a>.</p> https://seer.unirio.br/revistam/article/view/13650 Ruínas de tempo presente: reflexões sobre o luto pandêmico 2025-09-30T23:28:07-03:00 Dayane Dias Braz dayanediaspsi@gmail.com Anamaria Silva Neves anamaria.neves@ufu.br <p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da pandemia da covid-19, a contaminação exponencial pelo novo vírus, o isolamento social, as mortes massivas ao redor de todo o mundo marcaram um sofrimento sem precedentes na história recente. Na catastrófica contagem de vítimas aos milhares, produziu-se uma vala comum, suprimindo a legitimação de cada morte como única e insubstituível. A ameaça constante de contaminação impactou as possibilidades de enlace social, e inviabilizou a realização de ritos fúnebres, suprimindo uma expressão de valor cultural, comunitário e psíquico para elaboração de uma perda. O luto é um trabalho subjetivo, que se realiza na dimensão do laço social, e que está submetido à lógica política, econômica e social que rege a vida. Nesse sentido, o presente artigo abordou, a partir do referencial psicanalítico, as singularidades do trabalho de luto nesse evento histórico, a partir do enfrentamento político e social da pandemia no contexto brasileiro. Sustentada a hipótese de que o luto instaurado durante a pandemia foi desmentido ou desautorizado socialmente, o trabalho reflete sobre e as marcas e impactos atuais da experiência de uma tragédia.</span></p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/13788 Ensaio sobre uma imagem sem nome ou: aprender a ouvir os mortos 2025-02-11T23:59:56-03:00 Marianna Knothe Sanfelicio ma.sanfelicio@gmail.com <p><span style="font-weight: 400;">Este ensaio tem como objetivo discutir de que maneiras o luto da pandemia de covid-19 e o luto pessoal podem se imbricar durante o processo de pesquisa acadêmica, de que modo eles têm consequências mútuas e quais os impactos para o investigador quando se trabalha com um tema tão próximo a traumas e problemas pessoais. Argumenta que o trabalho acadêmico causa consequências e impactos ao pesquisador em sua vida pessoal e que esses não são visíveis quando se inicia o processo de pesquisa. Isso ocorre também porque, neste processo, vamos ao encontro de algo que nos aflige. Pesquisas anteriores, feitas a partir da metodologia etnográfica da antropologia visual, são trazidas em comparação para tratar dos eventos da pandemia e da morte de minha mãe. Conclui que tal processo modifica o pesquisador por inteiro e que a antropologia permite que ele seja afetado por esse fazer de maneira irremediável. </span></p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14580 Apresentação do Dossiê nº 21: O legado da pandemia da covid-19 sobre o pensar, o agir e o cuidar diante dos processos de morte e luto 2025-12-23T19:24:51-03:00 Andreia Vicente da Silva deiavicente@gmail.com Aline Silva Santos paisageira@gmail.com Gabriela Casellato gabriela.casellato@4estacoes.com <p>Por que publicar, cinco anos após o primeiro ano da pandemia da covid-19, um dossiê dedicado às intervenções, às práticas de cuidado, aos rituais e às reflexões sobre morte e luto?&nbsp;A proposta deste dossiê nasce da compreensão de que a maior tragédia sanitária do século XXI produziu impactos profundos, complexos e duradouros nos modos de viver, adoecer, morrer e elaborar perdas. Trata-se de um evento cujas reverberações atravessam os continentes, impactando de maneiras distintas diferentes culturas e produzindo efeitos que permanecem em curso e exigem reflexão crítica contínua. Ao reunir vozes, territórios e experiências diversas, este dossiê não se propõe a encerrar o debate sobre os efeitos da pandemia, mas a mantê-lo vivo como exercício ético, científico e coletivo. Ao iluminar práticas de cuidado, narrativas de perda, disputas de memória e desafios institucionais, os artigos aqui apresentados reafirmam que a morte e o luto não são apenas experiências privadas, mas fenômenos sociais e políticos que convocam responsabilidades compartilhadas. Que esta coletânea contribua para ampliar espaços de escuta, reconhecimento e elaboração, fortalecendo práticas de cuidado comprometidas com a dignidade da vida, do morrer e da memória, em contextos ainda atravessados pelas marcas profundas da pandemia.</p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14045 Éticas comunitarias del cuidado al final de la vida. La pandemia de covid-19 en Guadalajara, Jalisco (México) 2025-10-01T00:15:39-03:00 Angelica Yasmin Davila Landa angdlanda@gmail.com <p>El objetivo de este artículo es analizar cómo, frente a las muertes solitarias producidas en el contexto de la pandemia de covid-19, los cuidados paliativos se desplegaron como éticas comunitarias del cuidado al final de la vida que permitieron acompañar y atender colectivamente a las personas que atravesaban su proceso de morir. Para ello, el artículo sitúa su análisis en el caso de la Fundación Mexicana de Medicina Paliativa, ubicada en la ciudad de Guadalajara, Jalisco, México. A partir de una metodología cualitativa, basada en entrevistas al fundador e integrantes de esta organización, el artículo da cuenta de cómo fue posible brindar cuidados paliativos en el ámbito comunitario para acompañar el final de la vida de diferentes personas, desde un horizonte ético y práctico que recuperaba su humanidad y su dignidad.</p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14017 Intervenções psicossociais no contexto pandêmico por covid-19: sistematização de ações preventivas e suportivas emergenciais online 2025-09-08T06:39:29-03:00 Gabriela Casellato gabriela.casellato@4estacoes.com Luciana Mazorra lucuiana.mazorra@4estacoes.com Valéria Tinoco valeria.tinoco@4estacoes.com <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo descreve e sistematiza intervenções psicossociais emergenciais implementadas durante a pandemia de covid-19, voltadas à população geral, profissionais de saúde, educação e enlutados. A pandemia é analisada como um desastre prolongado, com foco nas especificidades do luto e nas ações desenvolvidas com base em quatro modelos interventivos: psicoeducação, rodas de conversa, apoio psicológico breve e grupos de apoio a enlutados. Fundamentado em diretrizes nacionais e internacionais e teorias contemporâneas do luto, o estudo destaca a importância de respostas rápidas e adaptativas em contextos críticos. Observou-se a viabilidade das ações propostas, considerando-se o alto volume de demanda, o ambiente virtual e a quantidade de profissionais disponíveis. Questões éticas foram criteriosamente consideradas, e defende-se a inclusão da temática na formação de profissionais de saúde em todo o país.</span></p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14048 Cuidar desde lejos. El uso de prácticas espirituales para acompañar familiares enfermos de covid-19 2025-10-01T16:33:39-03:00 Teresa Ordorika tordorika@yahoo.com <p>Este artículo analiza cómo, durante la pandemia de covid-19, algunas personas reconstruyeron formas de presencia y cuidado cuando los protocolos hospitalarios impidieron acompañar físicamente a sus familiares enfermos o moribundos. A partir de tres testimonios —Karina, Eva y Posima— se examina el uso de meditaciones, velas, varas de cobre y ceremonias mayas como prácticas espirituales activadas para restituir el vínculo afectivo a distancia. El análisis, sustentado en teoría fundamentada, muestra que estas acciones no constituyen un rechazo de la modernidad, sino formas contemporáneas de reencantamiento que combinan materialidades, corporalidades y ontologías múltiples. Las prácticas espirituales aparecen como recursos éticos de cuidado y reparación del vínculo, capaces de ofrecer presencia y agencia en un contexto marcado por el aislamiento hospitalario y la incertidumbre. Se concluye que la espiritualidad funcionó como un modo moderno, legítimo y situado de acompañar en situaciones de vulnerabilidad extrema.</p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/13940 El cuidado formal al final de la vida. Una aproximación basada en perspectivas y experiencias desde la práctica 2025-09-30T23:33:25-03:00 Eugenia Clara Savino eugeniasavino@usal.es Karina Ramacciotti karinaramacciotti@gmail.com <p><span style="font-weight: 400;">El artículo indaga en el complejo proceso de acompañar a una persona hasta “el último respiro”</span> <span style="font-weight: 400;">a partir de la experiencia de personas que se dedican al cuidado formal en diversas regiones de Argentina. Desde la perspectiva de la ética del cuidado, se exploran los entrecruces entre las dimensiones materiales, relacionales y emocionales del trabajo de cuidados brindado en la etapa final de la vida, considerando la adquisición de conocimientos y el lugar del vínculo afectivo en la práctica. Se propone un acercamiento cualitativo basado en entrevistas abiertas y semiestructuradas realizadas en el marco de una investigación más amplia sobre diversas ocupaciones del cuidado. Se seleccionaron 50 entrevistas (en su mayoría mujeres) que se enfocan en tres espacios laborales: el cuidado en casas particulares a personas mayores, enfermería y el cuidado en residencias de larga estadía. Como resultado, se destaca la situación de desprotección que experimentan las cuidadoras formales, que se contrapone a la gratificación y valoración recibidas en el cotidiano. La hipótesis central del trabajo consiste en que aquellas tensiones y búsquedas que atraviesan a las cuidadoras en la práctica del cuidado (visibilizadas a través de sus testimonios) permanecen ausentes en los cambios normativos impulsados recientemente en Argentina. </span></p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14046 Pandemia, memória e jardim: reflexões a partir de um cemitério e um crematório paulistano 2025-09-07T10:59:43-03:00 Aline Silva Santos paisageira@gmail.com <p>O presente artigo visa debater sobre como a pandemia evidenciou a importância dos espaços cemiteriais para os enlutados, ressaltando a necessidade de que sejam mais cuidadosamente planejados e desenhados. Para tanto, toma como ponto de partida as manifestações do processo de luto expressas por meio da constituição de jardins construídos sobre o local de disposição dos mortos em espaços cemiteriais, em um entrelaçamento do movimento destes jardins e do luto. Nesse sentido, tem-se como recorte empírico a cidade de São Paulo, com foco no Cemitério São Pedro e no Crematório Municipal; e, como método, apoia-se na etnografia e em entrevistas com orientação fenomenológica. Apresentam-se ponderações sobre a concepção espacial desses equipamentos e as transformações recentes pelas quais vêm passando. Entende-se, então, que é preciso considerar os aspectos sensíveis e relacionais dos enlutados no espaço cemiterial para promoção de espaços mais acolhedores, transcendendo-se soluções projetuais racionalistas e tecnocráticas.</p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14002 “Deu vontade de trazer ele para casa, o corpo estava inteiro”: exumação, dor e indignação nas narrativas de Nalva sobre o corpo morto de Fernando 2025-10-18T16:37:31-03:00 Weverson Bezerra Silva weversonsilbez@gmail.com Mónica Franch monicafranchg@gmail.com <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo apresenta um relato etnográfico centrado na experiência de Nalva, viúva de Fernando, vítima da covid-19, no Rio de Janeiro, em 2021.</span> <span style="font-weight: 400;">O objetivo é compreender de que maneira o processo de “</span><em><span style="font-weight: 400;">exumação compulsória</span></em><span style="font-weight: 400;">” pode intensificar a vivência do luto, especialmente quando ocorre sem mediação adequada por parte do poder público. A ausência de informação e de suporte institucional nesse contexto evidencia a precariedade das políticas públicas voltadas para as dimensões emocionais e simbólicas que envolvem a morte e o </span><em><span style="font-weight: 400;">post-mortem</span></em><span style="font-weight: 400;">, particularmente em um período marcado por despedidas comprometidas pelas restrições sanitárias impostas pela pandemia. A partir da narrativa de Nalva, o estudo destaca como a “</span><em><span style="font-weight: 400;">gestão burocrática</span></em><span style="font-weight: 400;">” dos cemitérios públicos, quando desarticulada de uma perspectiva humanizada, pode intensificar dores já latentes, ao ignorar vínculos afetivos e práticas culturais relacionadas à morte, aos mortos e ao morrer. A exumação, enquanto procedimento técnico, sobrepõe-se às necessidades subjetivas da enlutada, gerando tensões entre o direito administrativo e o direito à memória. Diante disso, o relato etnográfico aponta para a urgência de se repensar os modos de gestão da morte em contextos pós-pandêmicos, nos quais ainda se elaboram perdas atravessadas por interrupções, silenciamentos e desamparos institucionais.</span></p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/13391 Rituais e lutos na pandemia da covid-19: revisão integrativa da literatura 2025-09-04T17:25:45-03:00 Camila Maria de Oliveira Ramos camilamariaramos@gmail.com Sara Régia Vieira Freire sararegiafreire@hotmail.com Julita Gomes Maia de Sena juhsena@hotmail.com Kayline Macêdo Melo kaylinemelo@gmail.com Renata da Conceição da Silva Pinheiro renatacsp1@gmail.com <p><span style="font-weight: 400;">Esta revisão integrativa da literatura teve como objetivo investigar a produção científica sobre os efeitos do isolamento social e das medidas de contenção do contágio na </span><em><span style="font-weight: 400;">performance</span></em><span style="font-weight: 400;"> e na estrutura dos rituais fúnebres durante a pandemia de covid-19. A seleção dos artigos foi realizada nas bases de dados do SciELO, MEDLINE e LILACS, com três combinações de descritores e booleanos em português, inglês e espanhol, entre 2020 e 2022. Como resultado, dentre os 666 artigos elegíveis, foram analisados 17 artigos. Os principais resultados evidenciaram repercussões significativas na saúde mental, relações sociais e processos de luto. Houve aumento de sintomas como ansiedade, depressão, insônia e somatização, agravados pelo isolamento e pelas restrições de contato. A interrupção dos rituais fúnebres e o impedimento das despedidas foram fatores centrais de sofrimento, dificultando a elaboração do luto e caracterizando uma crise coletiva de saúde mental. A tecnologia emergiu como mediadora dos vínculos afetivos, permitindo novas formas de expressão simbólica da perda, como encontros virtuais e memoriais digitais, o que contribuiu para a reconfiguração das práticas de luto e para a adaptação cultural frente as restrições impostas pela pandemia. Conclui-se que as restrições fúnebres influenciaram diretamente nos processos de luto, nas possibilidades de expressão da dor e sofrimento e nas percepções de morte.</span></p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/13537 Quem enxugará minhas lágrimas? Apontamentos sobre luto e orfandade na pandemia de covid-19 à luz da teoria do apego 2025-09-04T17:38:33-03:00 Jorge Luís Maia Morais jorgeluismm6@gmail.com Danila Dias Cordeiro daniladiascordeiro@gmail.com Evanira Rodrigues Maia evanira.maia@urca.br Rosely Leyliane dos Santos rosely.enfa@yahoo.com.br Rogênia Rocha Nascimento rogeniarocha@hotmail.com <p>Revisão integrativa que objetivou compreender, à luz da Teoria do Apego, o impacto da perda dos genitores na saúde mental de crianças órfãs decorrente da pandemia de covid-19. Realizaram-se buscas no período de março a abril de 2022, nas bases de dados: CINAHL, PsycNET, Pubmed, Scopus e Web of Science. Dos 121 artigos inicialmente reportados, apenas cinco estudos atenderam aos critérios de inclusão. Estima-se que mais de 5 milhões de crianças tenham ficado órfãs pelo SARS-CoV-2 em todo o mundo, com prevalência de órfãos paternos, bem como de egressos de grupos familiares com condições socioeconômicas menos favorecidas. Também foram encontradas divergências no número de órfãos entre os países. Luto complicado, quadro depressivo e transtorno de estresse pós-traumático são apontados como os principais impactos psicossociais da perda parental. Dadas as parcas evidências encontradas e a fonte de dados secundária dos estudos avaliados, não se pode fazer generalizações, haja vista o risco de viés. Todavia, é evidente a necessidade de investigações posteriores que esclareçam melhor a orfandade decorrente da atual pandemia, bem como a ingerência das desigualdades sociais no enlutamento de órfãos.</p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14000 Os enlutados da pandemia de covid-19 e a gestão do governo Bolsonaro 2025-09-30T23:48:46-03:00 Marcio Bruno Barra Valente barra_valente@yahoo.com.br Cezar Luís Seibt cezluse@yahoo.com.br <p><span style="font-weight: 400;">O artigo evidencia os efeitos da gestão do governo federal da pandemia sobre o processo de enlutamento, a partir dos sentidos construídos em torno da vacinação. O recorte deriva de uma pesquisa qualitativa sobre a experiência com a morte e o luto de filhos adultos que perderam seus pais. Foram realizadas quatro entrevistas individuais semiestruturadas online (três mulheres e um homem), inspiradas na fenomenologia heideggeriana. Os resultados apontam o entrelaçamento entre o privado, o coletivo e o político na experiência do luto por covid-19, uma vez que a condução governamental impactou o contexto das perdas: o descaso com ofertas de vacinas, a demora na imunização, o desprezo pelos doentes e o desrespeito à memória dos mortos. Conclui-se pela urgência de validar o luto, fortalecer políticas públicas e reconhecer os crimes do Estado Brasileiro sob a liderança de Jair Messias Bolsonaro.</span></p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14016 Como canto de ave desolada: uma autoetnografia do luto na pandemia de covid-19 2025-09-30T14:08:57-03:00 Cleonardo Mauricio Junior cleonardomj@gmail.com <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo trata das especificidades traumáticas de se perder um ente querido durante a pandemia de covid-19 no Brasil. Como as pessoas que passaram por essa experiência lidam com o luto em suas vidas cotidianas? A partir de um relato autobiográfico em diálogo com as ciências sociais, e principalmente com a Antropologia, quero responder a essa pergunta, enfatizando as dificuldades de se levar adiante uma vida enlutada em meio a uma crise sanitária. Irei abordar o enfrentamento do que chamo de economia moral das mortes por covid-19 por parte dos enlutados, quando encaramos constrangimentos tácitos ou manifestos às expressões de enlutamento em meio à privação da vivência coletiva do luto, seu reconhecimento comunitário, além da supressão dos ritos fúnebres e de despedida. Também pretendo que este texto sirva de memorial aos mortos pela covid-19, contribuindo com um repertório de acolhimento e consolo para os que atravessaram esse evento crítico. </span></p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/13551 A lei e o luto: um estudo sobre as leis solonianas e a prothesis 2025-04-21T14:36:20-03:00 Carina Sucro carinasucro1994@gmail.com Maria Regina Cândido medeiacandido@gmail.com <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo aborda a </span><em><span style="font-weight: 400;">prothesis</span></em><span style="font-weight: 400;">, parte do ritual funerário grego, a partir das transformações das leis solonianas, no início do Período Arcaico. Por meio de fontes textuais e imagéticas, o objetivo do trabalho é demonstrar o impacto das leis sobre as práticas funerárias, elemento de fortalecimento do </span><em><span style="font-weight: 400;">demos</span></em><span style="font-weight: 400;"> sobre o poder da aristocracia. Além disso, o artigo utiliza as imagens de três vasos lutróforos da Ática para confrontar as fontes textuais, em particular, a dinâmica do ritual, avançando sobre as questões de gênero e as estratégias simbólicas da aristocracia nas quais é possível perceber os limites das leis solonianas. Finalmente, o texto toma as teses de Van Gennep sobre os ritos de passagem, repensando-os a partir da realidade histórica da Grécia Antiga. </span></p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/13556 Vida e morte sob o manto mercedário: irmandades e práticas fúnebres em Minas Gerais, séculos XVIII e XIX 2024-09-20T18:14:03-03:00 Vanessa Cerqueira Teixeira vanessa.cerqueira.teixeira@gmail.com <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo tem como objetivo abordar a atuação das Irmandades de Nossa Senhora das Mercês em Minas Gerais, entre os séculos XVIII e XIX, em contexto cultural barroco. No território minerário e agromercantil, essas corporações surgiram a partir do agenciamento crioulo, isto é, dos afrodescendentes nascidos na América portuguesa, na condição de escravizados, forros ou livres, demarcando a constituição de grupos sociais e identidades pautadas em nova simbologia. Os crioulos das Mercês erigiram irmandades em pelo menos 20 localidades, sendo a quarta devoção mais propagada na capitania. Por uma perspectiva cultural serão analisadas as representações, as práticas e os conflitos em torno da morte, relacionados a uma de suas principais funções, os rituais fúnebres, por meio de fontes confraternais como Livros de Compromisso, Entradas, Contabilidade, Termos de Reunião, Correspondências e Causas Judiciais, salvaguardados, sobretudo, nos arquivos eclesiásticos.</span></p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14014 “Ninguém sonha em ser coveiro”: vozes do silêncio em tempos de pandemia 2025-09-05T19:46:24-03:00 Karla de Souza Magalhães krlapsi@gmail.com Rachel Aisengart Menezes raisengartm@terra.com.br <p><span style="font-weight: 400;">O presente estudo analisa as representações midiáticas sobre o trabalho dos coveiros durante a pandemia de covid-19 no Brasil, buscando compreender como a imprensa retratou esses profissionais e os impactos emocionais, sociais e simbólicos de sua atuação. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza documental, cujas fontes primárias foram reportagens e notícias divulgadas no portal de busca Google entre março de 2020 e dezembro de 2021. A busca utilizou as palavras-chave “coveiros”, “sepultadores”, “cemitérios”, “Brasil”, “pandemia” e “covid-19”. Após a leitura integral das matérias e a aplicação de critérios de inclusão e exclusão, 26 notícias foram selecionadas para análise. A categorização dos conteúdos revelou oito eixos temáticos: condições de trabalho e infraestrutura; visibilidade e invisibilidade social; impactos psicológicos e emocionais; representações midiáticas e discursivas; dimensões políticas e institucionais; religião, espiritualidade e sentido do trabalho; narrativas humanas e biográficas; e rituais de morte e alterações no luto. Os resultados apontam que os coveiros, apesar de ocuparem um papel essencial na linha de frente da crise sanitária, permaneceram socialmente invisíveis, enfrentando sobrecarga física e sofrimento emocional. As narrativas jornalísticas analisadas evidenciam a desvalorização histórica da profissão e ressaltam a urgência de reconhecer sua relevância social e simbólica não apenas em contextos de pandemia.</span></p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/13672 O processo de luto de viúvos idosos em psicoterapia e o papel da rede de apoio 2025-09-05T19:08:22-03:00 Maria Laura Alexandre Inocêncio inocencioml@unesc.net Paola Rodegheri Galeli paolarodg@unesc.net <p><span style="font-weight: 400;">A morte é um tema recorrente e presente na vida de todos os seres humanos, podendo acarretar um processo de luto diante da perda de uma pessoa querida. Considerando que o ser humano lida com a certeza da morte ao longo de todas as etapas de seu desenvolvimento, compreende-se que os idosos vivenciam diversos processos de luto até o fim da vida, dentre eles, o luto pela perda do cônjuge. Desse modo, os viúvos precisam enfrentar sentimentos dolorosos e diversas mudanças que ocorrerão em sua vida. O presente estudo tem por objetivo analisar o processo de luto e a reorganização da vida após a morte do cônjuge em idosos em atendimento psicológico. Sendo assim, para buscar compreender as formas subjetivas de enfrentamento do luto, bem como a psicoterapia pode impactar a vida de pessoas enlutadas, foram realizadas entrevistas com seis idosos, com a faixa etária de 69 a 83 anos, que perderam o cônjuge num período de quatro a 12 anos, sendo todos pacientes de uma clínica de psicologia. Os idosos relataram diversas formas de enfrentamento e adaptação à viuvez, além de demonstrarem a importância do apoio da família, dos amigos, da religião e da psicoterapia, o que lhes permitiu tempo para a elaboração do luto e a reestruturação emocional, bem como ofereceu apoio afetivo em um momento de fragilidade.</span></p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14392 Rastros de morte nos sertões brasileiros: múltiplas experiências do fim 2025-10-21T20:26:40-03:00 Johnnys Jorge Gomes Alencar johnnysjalencar@gmail.com <p>As representações do(s) sertão(ões) no imaginário social brasileiro há muito tempo se encontram encapsuladas em uma redoma de estereótipos, reduzidas frequentemente a um conjunto fixo de práticas, saberes e a uma iconografia caricata, como o sol escaldante, a seca, o gado e o jagunço. Contra essa prisão conceitual, nos últimos anos os pesquisadores da História dos Sertões têm produzido e circulado conhecimento no meio acadêmico, em grupos de pesquisa, programas de pós-graduação e dossiês temáticos em periódicos, que buscam alargar as possibilidades de significação dos sertões, destacando sua pluralidade cultural, natural e social. “A morte e o morrer nos sertões do Brasil”, obra organizada por Claudia Rodrigues, Cícero Joaquim dos Santos e Durval Muniz de Albuquerque Júnior, inscreve-se com vigor nesse movimento de reabertura do conceito, porém, com um mote profundamente provocativo: a morte e o morrer.</p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14015 Reflexões sobre os legados de uma experiência de atendimento psicológico em grupo online a enlutados por covid-19 2025-10-26T08:17:28-03:00 Mariele Rodrigues Correa mariele.correa@unesp.br José Sterza Justo jose.justo@unesp.br <p><span style="font-weight: 400;">O objetivo deste texto é mapear e discutir legados da pandemia de covid-19, construídos numa prática de atendimento psicológico a enlutados realizado em grupo, no ano de 2020, com o intuito de registrá-los e transmiti-los às gerações seguintes. O aumento da demanda por atendimento psicológico e as restrições a encontros presenciais impostas por medidas sanitárias levaram à necessidade de buscar alternativas. Uma destas alternativas foi a do atendimento online</span> <span style="font-weight: 400;">e em grupo, a enlutados por mortes que produziram intensos sofrimentos devido às rupturas de vinculações afetivas, agravados por repentinas modificações nos rituais de sepultamento. Foram criados grupos heterogêneos, com pessoas de diferentes regiões do país e até do exterior. Como principais resultados, foi possível observar a importância do compartilhamento das experiências de perdas afetivas, do acolhimento mútuo, da flexibilidade nas relações, dos sentimentos de solidariedade e apoio e dos vínculos, que se prolongaram após o encerramento dos grupos.</span></p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026 https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14579 EDITORIAL v. 11, n. 21, jan./jun. 2026 2025-12-23T18:49:06-03:00 Mauro Dillmann maurodillmann@hotmail.com <p>A passagem da pandemia covid-19 levou diferentes sociedades a se depararem com ideias acerca da mortalidade, com as desigualdades dessa experiência e com os efeitos, naturais e políticos, diante das tantas mortes acumuladas dia a dia. Quem experienciou perdas de familiares e amigos próximos, enfrentou de diferentes formas o estado de luto. Mesmo com o início da aplicação da primeira vacina contra a covid no Brasil e em diversos outros países, o número diário de mortos continuou a assustar. É nesse caminho que o <strong>Dossiê </strong>deste número se insere: por meio de análises de vivências individuais ou coletivas a respeito das práticas e dos (des)cuidados diante da morte e do luto pandêmico, o conjunto de artigos pode contribuir para pensar esse “legado”. O “luto” foi o conceito mais abordado nesse número, seja a partir de uma dimensão psicossocial, como resposta psicológica à morte ou à perda (Kauffman, 2004, p. 321), seja na dimensão da experiência e do ritual construídos culturalmente e situados no tempo, no espaço e em marcações interseccionais. Compreendido como construção do esquecimento ou como busca pela agência dos mortos na promoção de ações humanas (Despret, 2023, p. 17), o luto ganhou contornos políticos peculiares durante e após a pandemia, como demonstram os textos dessa edição. Fica o convite à reflexão sobre as distintas experiências de luto e as possibilidades e desafios de (re)construção de seus significados.</p> 2025-12-26T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2026