Revista M. Estudos sobre a morte, os mortos e o morrer
https://seer.unirio.br/revistam
<p>A <strong><em>Revista M.</em></strong> é um periódico acadêmico temático de publicação semestral, on-line e de acesso aberto, vinculada ao <a href="https://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/4149230700872041" target="_blank" rel="noopener">Grupo de Pesquisas <em>Imagens da Morte e do Morrer na Ibero-América </em></a>– sediado na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e credenciado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Sua missão é divulgar amplamente a produção científica nacional e internacional sobre a temática da morte, tornando-se um periódico de referência para os interessados nas diferentes formas de conhecimento produzido sobre a finitude, com enfoques e perspectivas os mais variados possíveis, abordando diferentes sujeitos em torno do morrer, assim como a diversidade das práticas e concepções ligadas à morte humana nas mais diferentes ambientações, culturas e épocas.</p> <p>É financiada e produzida pelo Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), por meio de verba da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), vinculada ao governo federal do Brasil, e conta com a parceria da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Universidad Autónoma del Estado de Hidalgo (UAEH) / México e de outras instituições, associações e grupos de pesquisa do Brasil. Tem contado com a colaboração de autores, editores, membros do conselho editorial e do conselho consultivo, além de pareceristas de diferentes países, com destaque para os ibero-americanos.</p> <p>Publica artigos originais e inéditos, escritos preferencialmente por doutores, que não estejam sendo avaliados por outro periódico, provenientes de áreas das ciências sociais e humanidades ou na interface com elas. Aceita submissão de textos em português, espanhol, inglês e francês e recebe colaborações em fluxo contínuo, exclusivamente on-line, através do acesso ao programa de SUBMISSÃO, disponível no Portal de Periódicos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO): <a href="http://seer.unirio.br/revistam/about/submissions">http://seer.unirio.br/revistam/about/submissions</a>.</p>Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)pt-BRRevista M. Estudos sobre a morte, os mortos e o morrer2525-3050<p>Licença Creative Commons CC BY 4.0</p>Apresentação do Dossiê nº 22: Preservação dos espaços cemiteriais: desafios e soluções
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/15016
<p>A política de preservação do patrimônio brasileiro tem origem na década de 1930, com a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), atual IPHAN. No campo cemiterial, consolidou-se ao longo do século XX, em busca de valores monumentais e artísticos. Com o alargamento do conceito de patrimônio cultural, trazido pelo Artigo 216 da Constituição de 1988, houve o avanço para além da excepcionalidade arquitetônica, tornando possível disputar o reconhecimento das diferentes memórias fúnebres como referências à identidade, à ação e à memória dos diversos grupos formadores da sociedade brasileira, reconhecendo também as “formas de expressão” e os “modos de criar, fazer e viver”. O que levou à compreensão de que os bens materiais não se esgotam em sua fisicalidade, pois estão atravessados por práticas, saberes, crenças e experiências sociais. Em 2000, a política de patrimônio imaterial do IPHAN, instituída pelo Decreto nº 3.551, consolidou a necessidade de salvaguardar práticas culturais, saberes e celebrações. Dessa maneira, os espaços cemiteriais e funerários, compreendidos para além de suas edificações, tornam-se dispositivos ativos na negociação das memórias preservadas. Esse campo de investigação é fundamental para visibilizar cemitérios e rituais historicamente marginalizados pelas políticas de preservação e, consequentemente, excluídos das narrativas oficiais. Neste entendimento, este dossiê propõe um debate transdisciplinar e reflexivo sobre o Patrimônio Funerário. O objetivo é ultrapassar a mera perspectiva comemorativa e interpretar esses bens como instrumentos capazes de reparar violências históricas e de dialogar sobre direitos humanos, assegurando o uso democrático da memória coletiva e o direito à cidade tanto para os vivos quanto para os mortos.</p>Ana Catarina Peregrino Torres RamosPollyana Calado de Freitas Viviane Maria Cavalcanti de Castro
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2026-06-292026-06-291122e15016e1501610.9789/2525-3050.2026.v11n22.e15016O Cemitério dos Imigrantes de Joinville entre patrimonialização, disputas pela memória e novas representações do passado
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14166
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecido como Cemitério dos Imigrantes, o estudo problematiza a patrimonialização do Cemitério Protestante de Joinville, iniciada nos anos de 1960, abordando os grupos envolvidos nesse processo, os critérios adotados na elaboração dos discursos de valoração deste bem e os elementos motivadores. Utilizando como fontes processos de tombamento, imagens da época, matérias de jornais e um movimento entre a historiografia local e mundial, tentamos compreender de que maneira dimensões sociais e simbólicas foram acionadas na construção de narrativas de valor voltadas à seleção e preservação desse cemitério como patrimônio cultural nacional. Ao mesmo tempo, de acordo com o conceito de Pierre Nora, observam-se diferentes reapropriações do local como um “lugar de memória”, que evidenciam uma disputa simbólica capaz de questionar a hegemonia das narrativas históricas oficiais da cidade. </span></p>Tiago Castaño Moraes
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2026-06-292026-06-291122e14166e1416610.9789/2525-3050.2026.v11n22.e14166As rosas negras do Largo de Santa Rita, RJ: a patrimonialização do Cemitério dos Pretos Novos
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14167
<p><span style="font-weight: 400;">O presente artigo aborda a patrimonialização do Cemitério dos Pretos Novos do Largo de Santa Rita, a partir da conexão de pesquisas arqueológicas, históricas e cartográficas que constataram a existência do espaço fúnebre, bem como sua delimitação, a partir de uma demanda da Comissão Pequena África. O grupo de trabalho criado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), associado à ampliação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no centro da cidade do Rio de Janeiro, foi fundamental para a patrimonialização de um cemitério, datado do século XVIII e destinado a africanos trazidos para o Brasil na condição de escravizados. Para destacar o local e construir um marco paisagístico, foi realizada reurbanização do espaço e a inserção de pavimentação, por meio de pedras portuguesas, com o desenho de rosas negras, referente a um símbolo utilizado por abolicionistas. A patrimonialização do Cemitério dos Pretos Novos de Santa Rita se deu a partir da arqueologia colaborativa realizada em parceria com a Comissão Pequena África e traz visibilidade a uma parte relevante da história da cidade do Rio de Janeiro.</span></p> <p> </p>Ana Luiza BerredoMadu Gaspar
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2026-06-292026-06-291122e14167e1416710.9789/2525-3050.2026.v11n22.e14167Cemitérios da Serra Geral de Minas Gerais: memória, cuidado e preservação
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14260
<p><span style="font-weight: 400;">Este artigo analisa os desafios e as possibilidades para a preservação dos cemitérios na Serra Geral de Minas Gerais, compreendendo-os como espaços de memória, de vínculo comunitário e de permanência no território. Mais do que locais de sepultamento, esses espaços reúnem práticas culturais, sentidos religiosos, laços afetivos e formas de cuidado que ajudam a compreender a relação entre as comunidades e seus mortos. O texto defende que sua preservação precisa ir além das soluções técnicas, incorporando a escuta das populações locais, o reconhecimento dos saberes comunitários e a atenção aos valores materiais e imateriais associados aos cemitérios. Também discute caminhos de reconhecimento institucional, como inventários culturais, tombamento, regularização fundiária e ações de salvaguarda. Ao articular preservação, memória, participação comunitária e instrumentos de proteção, o artigo busca contribuir para o debate sobre os espaços fúnebres e sua importância para a compreensão das relações entre território, cultura e vida comunitária.</span></p>Marcos Winício de Sousa
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2026-06-292026-06-291122e14260e1426010.9789/2525-3050.2026.v11n22.e14260Mediando vínculos entre comunidade e cidades cemiteriais: a pesquisa-ação como dispositivo de educação patrimonial no Cemitério Santa Izabel em Belém do Pará
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14265
<p><span style="font-weight: 400;">Este artigo apresenta as atividades de visitas mediadas em cidades cemiteriais como </span><em><span style="font-weight: 400;">pesquisa-ação</span></em><span style="font-weight: 400;">, prática que consiste em identificar um problema da realidade pesquisada e enfrentá-lo junto aos demais envolvidos. O objetivo consiste em demonstrar como a experiência das visitas mediadas no Cemitério Santa Izabel, em Belém do Pará, configura-se como uma </span><em><span style="font-weight: 400;">pesquisa-ação</span></em><span style="font-weight: 400;">, na medida em que articula a produção do conhecimento com a intervenção direta no campo. Adotou-se uma abordagem qualitativa, envolvendo uma análise etnográfica das visitas mediadas realizadas no local em 2023 e 2024, com atenção às interações entre público, espaço e narrativas mobilizadas durante os percursos. Complementarmente, analisam-se os registros fotográficos produzidos ao longo das visitas. Os resultados evidenciam a importância da realização de atividades educacionais, turísticas, culturais e econômicas nas necrópoles como dispositivo de educação patrimonial, com o intuito de ampliar o acesso aos espaços, às histórias e narrativas, bem como inserir a população nesse circuito por meio de projetos educacionais e culturais.</span></p>Elisa Gonçalves RodriguesLeonardo de Souza Silva
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2026-06-292026-06-291122e14265e1426510.9789/2525-3050.2026.v11n22.e14265Dançando com vampiros e beijando caixões: uma perspectiva de valorização dos espaços cemiteriais a partir das subculturas urbanas e suas formas de socialização
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14163
<p><span style="font-weight: 400;">O presente trabalho discute o potencial das subculturas urbanas, em especial a gótica e a emo, como aliadas na valorização e ressignificação dos espaços cemiteriais. Partindo da perspectiva dos cemitérios históricos da cidade do Recife e de conceitos como thanaturismo e turismo de conteúdo, argumenta-se que, por meio de sua estética e relação simbólica com a morte, esses grupos podem contribuir para reinserir os cemitérios no cotidiano urbano como espaços de memória, arte e socialização. A abordagem do artigo combina análise bibliográfica e reflexão crítica, articulando patrimônio, juventude e sensibilidade cultural. Dessa forma, são apresentadas possibilidades práticas, como eventos culturais, ações educativas, desenvolvimento de produtos e estratégias de comunicação digital voltadas à valorização do patrimônio cemiterial. Por fim, conclui-se que, embora não sejam uma solução definitiva, essas subculturas podem atuar como catalisadoras do engajamento social e de novas formas de pertencimento simbólico aos espaços da morte, contribuindo, assim, para mitigar os estigmas que permeiam os cemitérios na atualidade.</span></p>Yasmin KouryNatal Anacleto Chicca Junior
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2026-06-292026-06-291122e14163e1416310.9789/2525-3050.2026.v11n22.e14163Uma análise da conservação dos artefatos de memória nas lápides do século XIX do Cemitério de Santo Amaro, PE
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14175
<p>O presente trabalho analisa as condições e o grau de conservação das lápides referentes aos anos de 1851 a 1900, que se encontram no Cemitério do Senhor Bom Jesus da Redenção de Santo Amaro das Salinas, em Recife, relacionando-as à conservação dos diferentes suportes materiais de memória ali presentes. Constata que, se por um lado há estruturas que possuem valores arquitetônicos, artísticos e arqueológicos e precisam ser preservadas nesse cemitério, por outro, também há nesses mesmos artefatos diversas formas de materialização de memórias que ali se encontram, são estabelecidas e esquecidas pelos mesmos processos e agentes que as estruturaram, segundo argumenta Paul Ricoeur, estabelecendo entre elas uma relação em que uma é essencial para a outra. O estudo do estado de conservação dos artefatos contidos nesse cemitério evidencia uma série de debates que permeiam a realidade e os desafios de conservar espaços multicomponenciais e funcionalmente ativos em sua finalidade primária. Afinal, quais são as características comuns aos suportes de memória que ali estão preservados? Quais os principais aspectos que estes comunicam sobre o passado e, por fim, o que evidenciam sobre a necessidade de se reavaliar o estabelecimento de diretrizes preventivas relacionadas à manutenção do patrimônio nas necrópoles?</p>Fabio Marcelo de Albuquerque Mélo JúniorJuliane Carla Guedes Lima da SilvaAlberto Lopes da. Silva Jr.
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2026-06-292026-06-291122e14175e1417510.9789/2525-3050.2026.v11n22.e14175Os “Anjos” do Cemitério da Várzea (Recife/PE): reflexões acerca do patrimônio funerário & ausência do poder público
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14110
<p><span style="font-weight: 400;">O presente artigo examina um setor do Cemitério da Várzea, localizado no bairro da Várzea, em Recife, denominado “Cemitério dos Anjos”, com ênfase nas consequências da omissão do poder público em relação ao patrimônio cemiterial. A análise contempla os aspectos socioarqueológicos do espaço, destacando sua relevância para a memória social e a identidade local, bem como a ausência de políticas públicas eficazes, discutida como fator central para a progressiva degradação do sítio nos dias atuais, e aborda conceitos como a perda de identidade coletiva e individual mediante destruição patrimonial, a conservação pública patrimonial e o patrimônio para o futuro. A pesquisa fundamenta-se em revisão crítica da literatura especializada, em atuação de campo, em registros imagéticos e em entrevistas não estruturadas com os funcionários. Por fim, conclui-se que o Cemitério dos Anjos configura um caso emblemático de desassistência estatal em relação ao patrimônio cultural, tornando urgente a adoção de medidas de proteção, valorização e reconhecimento institucional de sua importância, bem como dos impactos de omissões semelhantes no patrimônio público e de seus dilemas para com o futuro.</span></p> <p> </p>Marília NascimentoSérgio Serafim Monteiro da Silva
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2026-06-292026-06-291122e14110e1411010.9789/2525-3050.2026.v11n22.e14110A morte como troféu: escritas de si na Guerra do Paraguai (1864-1870)
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/13929
<p><span style="font-weight: 400;">O artigo analisa como a proximidade com a morte e a violência extrema foram narradas em relatos autobiográficos de combatentes da Guerra do Paraguai. Por meio da análise de diários e reminiscências de militares brasileiros e paraguaios, são discutidas as representações da morte, do heroísmo e das práticas de mutilação de cadáveres como forma de propaganda, intimidação e construção simbólica do inimigo. A abordagem privilegia as “escritas de si” enquanto fontes que revelam subjetividades marcadas pela experiência da guerra e pelas disputas de memória. Além disso, considera também o contexto de publicação desses relatos, evidenciando como os discursos sobre o morrer em combate foram moldados por expectativas sociais, valores patrióticos e construções de masculinidade. Conclui-se que a guerra produziu uma memória heroica, marcada pelo silenciamento do medo e pela idealização da morte como sacrifício.</span></p>Vitor Cabral Braga
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2026-06-292026-06-291122e13929e1392910.9789/2525-3050.2026.v11n22.e13929Mortes voluntárias e vidas involuntárias: o suicídio em Recife na primeira década da República
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/13796
<p><span style="font-weight: 400;">Este estudo investiga como os casos de suicídio ocorridos na cidade do Recife foram noticiados no periódico “Diário de Pernambuco” durante a primeira década da República (1889-1899). Aborda o teor narrativo e sensacionalista das notícias e os apontamentos médicos publicados no referido periódico, relacionando-os aos símbolos, à mentalidade e ao cotidiano de uma nascente sociedade industrial, urbana e republicana. Constata a influência de imperativos domesticadores, como o culto ao trabalho, símbolo do projeto civilizador, e a repressão e criminalização das camadas pobres da sociedade, sobre as motivações e repercussões dos suicídios noticiados por motivos financeiros. Inseridos nessa engrenagem de coerção, esses atos de desespero revelam o peso de uma modernização que reduziu a existência das classes populares a uma condição trágica de vidas involuntárias.</span></p>Tatiana Silva de LimaPedro Felipe Félix Peixoto
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2026-06-292026-06-291122e13796e1379610.9789/2525-3050.2026.v11n22.e13796Os Desesperados da Vida: As relações entre suicídio e cocaína em São Paulo (1900-1920)
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14679
<p><span style="font-weight: 400;">Este artigo tem como objetivo analisar as relações entre o consumo de cocaína e os suicídios ocorridos na cidade de São Paulo nas primeiras décadas do século XX, investigando o papel da imprensa na construção pública desse fenômeno. Argumenta-se que, a partir da década de 1910, a cocaína se consolidou como um tóxico de escolha em determinados suicídios urbanos, não apenas em função de suas propriedades farmacológicas e de sua ampla disponibilidade anterior à criminalização, mas, sobretudo, pelo lugar simbólico que passou a ocupar nos discursos médicos, policiais e jornalísticos. A partir da análise das narrativas produzidas pelo </span><em><span style="font-weight: 400;">Correio Paulistano</span></em><span style="font-weight: 400;">, o artigo examina como os relatos de suicídios por cocaína foram articulados a editoriais e campanhas morais que associavam a substância ao perigo e à desordem urbana. Sustenta-se, como hipótese central, que a visibilidade desses episódios foi mobilizada como recurso discursivo para legitimar políticas repressivas e projetos de criminalização da droga, revelando a cocaína como um dos operadores na formulação de uma gramática moral e política da morte voluntária no contexto da modernização paulistana.</span></p>Monaliza Caetano dos Santos
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2026-06-292026-06-291122e14679e1467910.9789/2525-3050.2026.v11n22.e14679O “olhar compassivo” no processo de morrer no Brasil
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14654
<p><span style="font-weight: 400;">O artigo tem como objetivo analisar como a Favela Compassiva, organização comunitária de cuidados paliativos na Rocinha e no Vidigal (Rio de Janeiro), interpreta e responde às necessidades de cuidado no processo de morrer. Proponho o conceito de </span><em><span style="font-weight: 400;">olhar compassivo </span></em><span style="font-weight: 400;">para definir esse modo de apreensão e de constituição da realidade dos problemas de cuidado no fim da vida. O olhar compassivo é compreendido em termos de dois princípios, um restritivo e outro expansivo, que emergem das soluções práticas para os dilemas cotidianos das situações de cuidado. Abordo como esse olhar é constituído e reproduzido nas práticas de educação. A abordagem é etnográfica, com observação participante nas atividades da organização: visitas domiciliares, reuniões e cursos de formação. Concluo que as comunidades compassivas brasileiras operam como uma configuração emergente de saúde pública no fim da vida, produzindo novas formas de organizar socialmente o cuidado no processo de morrer.</span></p>Lucas Faial Soneghet
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2026-06-292026-06-291122e14654e1465410.9789/2525-3050.2026.v11n22.e14654Luto infantil na perda de um irmão recém-nascido: estudo de caso da perspectiva da criança e sua mãe
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/13837
<p><span style="font-weight: 400;">Este estudo teve como objetivo compreender a vivência do luto infantil decorrente da morte do irmão no período neonatal, com ênfase na comunicação parental nesse processo. O luto infantil está relacionado ao desenvolvimento psicoafetivo e cognitivo da criança, sendo influenciado tanto pelo que se diz sobre a morte quanto pela abertura para compartilhar sentimentos. Na cultura ocidental, os adultos supõem que a criança não compreende a morte e, na tentativa de protegê-la, evitam o tema ou recorrem a metáforas, o que pode dificultar o luto infantil, tornando-o um luto não legitimado. Realizou-se uma pesquisa qualitativa do tipo estudo de caso, por meio de entrevistas com uma criança e sua mãe, utilizando um recurso lúdico para mediar a entrevista com a criança. A análise de conteúdo revelou que a comunicação parental e a possibilidade de participar de rituais simbólicos influenciam o luto infantil, e a disponibilidade parental auxilia na elaboração da perda e reduz o risco de luto complicado. Observou-se também que é difícil para os pais falarem sobre o tema, o que indica a necessidade de apoiar o luto adulto para promover o cuidado ao luto infantil. O estudo destaca a importância de dar visibilidade ao luto infantil, ainda negligenciado, e contribui para orientar o cuidado adequado.</span></p>Bruna Pôrto RangelLuciana Bicalho Reis
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2026-06-292026-06-291122e13837e1383710.9789/2525-3050.2026.v11n22.e13837Diretivas antecipadas de vontade e suas possibilidades terapêuticas no luto antecipatório
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/13898
<p><span style="font-weight: 400;">O objetivo deste artigo é refletir sobre as diretivas antecipadas de vontade, realizadas no contexto dos cuidados paliativos, enquanto um instrumento facilitador no processo de enfrentamento da morte, bem como no luto antecipatório do familiar cuidador. Trata-se de um estudo de caso único, no qual foram realizadas quatro entrevistas abertas, seguidas de transcrição e análise temática. Os resultados foram divididos em três eixos temáticos: (1) o papel da equipe, (2) o processo de morte e a elaboração do luto antecipatório, (3) o papel das diretivas antecipadas de vontade no luto antecipatório. Revelou-se que as DAV podem facilitar diálogos sobre a morte, proporcionar despedidas, reduzir o sentimento de culpa e angústia do familiar cuidador e da equipe em relação às tomadas de decisão, além de serem um instrumento que apoia a equipe na vivência do luto da família.</span></p>Júlia Maria OmenaKeyla CooperMarina Kohlsdorf
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2026-06-292026-06-291122e13898e1389810.9789/2525-3050.2026.v11n22.e13898Editorial v. 11, n. 22, jul./dez. 2026
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/15017
<p>Em 2026, a <strong>Revista M. Estudos sobre a morte, os mortos e o morrer</strong> completa 10 anos. Nessa década, foram publicados 22 números e diversos artigos, com periodicidade semestral ininterrupta, sempre acompanhados de dossiês temáticos específicos. Enquanto revista temática produzida pelo Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), assumiu o caráter multidisciplinar desde sua concepção, embora esteja vinculada à área de “História” junto à CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). O rigor profissional e técnico com que foi conduzida até o momento, com destaque para o trabalho da equipe editorial anterior, elevou a Revista ao Qualis A1, fato que merece ser mencionado em que pese a mudança atual dos critérios avaliativos das revistas acadêmicas. A <strong>Revista M.</strong> segue sendo uma publicação gratuita que prima pela qualidade dos artigos publicados, pelo acesso aberto, pela estabilidade e pela periodicidade absolutamente regular de seus volumes.</p> <p>É com esse propósito, o da manutenção da qualidade, e com esse impulso, o do rigor na manutenção da regularidade, que trazemos ao público o número 22. Além das seções <strong>Artigo Livre</strong>,<strong> Em Campo</strong>, <strong>Ensaios sobre a Finitude </strong>e<strong> Resenha</strong>, apresenta o <strong>Dossiê</strong> temático intitulado <em>Preservação dos espaços cemiteriais e funerários: desafios e soluções</em>, organizado pelas pesquisadoras <strong>Ana Catarina Peregrino Torres Ramos, Pollyana Calado de Freitas e Viviane Maria Cavalcanti de Castro</strong>, ligadas à Universidade Federal de Pernambuco, que nos permite pensar criticamente “como” e “se” os espaços cemiteriais e funerários têm sido preservados, quem tem promovido ações de preservação e de que maneira. Ademais, possibilita também questionar quais impactos sociais, políticos e culturais podem e devem ser considerados diante de iniciativas e ações de preservação ou, do seu oposto, da destruição de espaços cemiteriais e funerários.</p>Mauro Dillmann
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2026-06-292026-06-291122e15016e1501610.9789/2525-3050.2026.v11n22.e15017Frida Kahlo: a arte como ponto de reflexão de tabus sociais e saúde
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/13619
<p><span style="font-weight: 400;">O objetivo deste ensaio é buscar, na expressão artística, um caminho para resistir às verdades morais e socialmente condicionadas, em especial no que diz respeito ao suicídio. Pretendemos demonstrar que a arte pode atuar como um modo de acolhimento àquele que pensa em dar fim à vida na medida em que o que acolhe não carregue preconceitos e estigmas sobre o tema. Para tanto, mostraremos a obra de Frida Kahlo, O suicídio de Dorothy Hale (1938), como exemplo da potência da arte na suspensão fenomenológica diante da moral estabelecida. Como caminho metodológico, analisaremos também o contexto histórico, as características da linguagem visual, os aspectos artísticos, contemporâneos e formais do quadro. Pretendemos observar a relevância de aprimorar o amparo às famílias enlutadas ou às pessoas com pensamentos suicidas, bem como a relação entre a arte e a contemplação artística como uma oportunidade de diálogo para aumentar a compreensão, a aceitação e o respeito, por parte da sociedade em geral, daquele que decide pela morte voluntária. </span></p>Cintia Fasano LeãoAna Maria Lopez Calvo de Feijoo
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2026-06-292026-06-291122e13619e1361910.9789/2525-3050.2026.v11n22.e13619Entre a memória e o esquecimento: narrativas póstumas do esporte argentino
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14401
<p>Trata-se da resenha do livro “Muertes, funerales, biografías póstumas y deportes en la Argentina (siglos XX y XXI): en las márgenes del panteón deportivo - Tomo II”, dos organizadores César R. Torres e Pablo Ariel Scharagrodsky, publicado no ano 2025. A obra está construída ao redor de dez capítulos que relatam aspectos diversos vinculados às mortes de importantes nomes do esporte na história da Argentina. Essas mortes, embora não tenham alcançado o seleto grupo do "panteão esportivo nacional", obtiveram reconhecimento e visibilidade em níveis local ou regional. A obra relembra suas histórias de vida a partir das narrativas das suas mortes.</p>Karen Lorena Gil Eusse
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2026-06-292026-06-291122e14401e1440110.9789/2525-3050.2026.v11n22.e14401Emoções fúnebres: experiências com a morte e o luto
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14851
<p>É nessa sensível, imbricada, mas instigante intersecção da tríade entre doença, morte e emoções que a obra “<em>Um luctuoso theatro de dor e desesperação: </em>emoções fúnebres na Parahyba do Norte diante da epidemia de cólera-morbo (1854–1858)” de Laércio de Araújo Sousa Júnior (2024) se insere. O trabalho — que desponta pela sua originalidade na abordagem conceitual, bem como pelo volume de dados serializados, a extensa documentação compulsada e o fôlego de escrita de seu autor — é fruto da dissertação de mestrado defendida em 2023 por Laércio Júnior no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).</p>Rafael Nóbrega Araujo
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2026-06-292026-06-291122e14851e1485110.9789/2525-3050.2026.v11n22.e14851As mulheres do Cemitério de Santo Amaro em Recife/PE: entre a memória e o esquecimento (1898-1958)
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14168
<p><span style="font-weight: 400;">Este artigo investiga a presença e a ausência femininas no Cemitério de Santo Amaro, no Recife, buscando demonstrar o silêncio em torno das mulheres enquanto sujeitos sociais, em inversa proporcionalidade às inúmeras representações femininas alegóricas. Será feito um estudo de caso a partir da presença de cinco mulheres sepultadas em Santo Amaro (entre o final do século XIX e o início do século XX), que, embora nomeadas, não possuem o devido reconhecimento. A análise parte da observação da arte tumular do local, das inscrições tumulares, da pesquisa histórica em periódicos locais, do levantamento iconográfico e de breves perfis biográficos. Ao final, o estudo aponta caminhos para pensar o cemitério como território simbólico, no qual as narrativas visuais podem ser revisitadas. Além de propor uma releitura do espaço, a fim de reparar os silêncios que permeiam a história das mulheres de Santo Amaro, por meio da preservação de suas memórias.</span></p>Alynne Cavalcante Bezerra da Silva
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2026-06-292026-06-291122e14168e1416810.9789/2525-3050.2026.v11n22.e14168A extubação paliativa como estratégia para uma morte digna: relato de experiência
https://seer.unirio.br/revistam/article/view/14828
<p><span style="font-weight: 400;">O estudo tem como objetivo discutir os aspectos bioéticos relacionados à morte digna e os impactos emocionais da Extubação Paliativa (EP), com base em um relato de experiência em uma unidade de terapia intensiva. A análise parte do entendimento de que a EP deve ser indicada quando a ventilação mecânica se torna uma medida desproporcional para pacientes sem possibilidade de recuperação, e deve ser orientada pelos princípios da bioética. O caso evidenciou a resistência inicial da família em aceitar a terminalidade, o que exigiu da equipe multiprofissional uma comunicação contínua, bem como estratégias de acolhimento e de esclarecimento progressivo. O suporte psicológico foi fundamental para favorecer a aceitação da perda e auxiliar no enfrentamento do luto antecipatório e do luto pós-óbito. A EP, apesar das decisões difíceis envolvidas, quando conduzida de forma ética e humanizada, contribui para preservar a dignidade do paciente no final da vida e auxilia os familiares no processo de luto.</span></p>Stephanie Cavalcante RealAline Alves MenezesWalter Lisboa
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2026-06-292026-06-291122e14828e1482810.9789/2525-3050.2026.v11n22.e14828