Religamento dos afetos perdidos Autoria, linguagem e dramaturgia: a auto-biografia como artefato para a atitude cênica.

Ana Vitória Silva Freire

Resumo


Corpo, criação, educação, autoria e método. Qual o desafio que atravessa o projeto estético contemporâneo? Se a estética contemporânea é fragmentária, complexa e não-narrativa, onde o intérprete-criador vai buscar suporte para a construção de um corpo singular, autoral e expressivo? A auto-biografia seria um terreno fértil que impulsionaria essa re-descoberta para uma gramática autoral? Grotowski (1994), dizia que o ator e o seu corpo são os únicos elementos imprescindíveis na arte teatral, justamente porque o corpo do ator é o que torna esta arte viva possível; através dele, da ação/expressão, a palavra se vivifica. Caberia, antes, indagar, de que corpo se fala? É o que procurarei desenvolver nas pesquisas que se seguem. A hipótese levantada nesta pesquisa aponta o trabalho corporal criativo-pedagógico, baseado na identidade, memória e história pessoal, valorizando a organicidade física e emocional para uma escrita cênica, como uma ferramenta potencial para se construir uma escrita corporal autoral e original. Neste contexto acontece de cada um poder reconhecer-se como ator e autor de si mesmo e cada subjetividade pode continuar tecendo-se a si mesma, com a matéria prima precária que lhe pertence e retrabalhá-la para a construção de uma dramaturgia física. Objetiva-se através deste estudo a observação da trajetória de um artista criador e sua pesquisa orientada pelo discurso auto-biográfico, que desdobra-se para a construção de uma linguagem estética e construção de uma metodologia para a dramaturgia do corpo em cena.

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