DIREÇÃO E ATUAÇÃO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA: Campo de Visão, Neurobiologia e Ecologia

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Marcelo Lazzaratto
Marina Elias

Resumo

Este artigo faz uma reflexão sobre a direção e a atuação teatral na infância e adolescência tendo como eixo o Campo de Visão, procedimento pedagógico e criativo desenvolvido por Marcelo Lazzaratto. Ao longo do texto, alguns relatos da experiência de Marina Elias que vem aplicando o Campo de Visão em aulas e montagens com crianças e adolescentes há mais de 10 anos, e em especial nos últimos 3 anos em sua escola de teatro e inteligência emocional, o Arteduca. O Campo de Visão é um potente caminho de desenvolvimento artístico e humano na infância e adolescência justamente por reunir atributos que fazem dele uma prática neurocompatível com a aprendizagem de habilidades sensíveis e complexas como as habilidades técnicas e artísticas relacionadas ao campo de ensino-aprendizagem do ator infantojuvenil, e também as socioemocionais, e as de autoconhecimento. Mais do que uma técnica, o Campo de Visão é compreendido aqui como uma ecologia do olhar: um ambiente de interdependência entre ver, agir e conviver. Inspirado nas ideias de Edgar Morin, Paulo Freire, Peter Brook, Karin Purvis e Humberto Maturana o texto investiga como o trabalho revela a essência relacional do teatro — um espaço onde direção e atuação se confundem, e o aprendizado nasce da escuta intra e interpessoal, da interação sistêmica e do jogo.


Palavras-chave: Infância; Adolescência; Campo de Visão; Direção; Atuação; Neurobiologia; Ecologia.


ABSTRACT


This article offers a reflective examination of theatrical directing and acting in childhood and adolescence, taking as its central framework the Campo de Visão, a pedagogical and creative methodology developed by Marcelo Lazzaratto. Throughout the text, it incorporates accounts from Marina Elias, who has applied the Campo de Visão in classes and theatrical productions with children and adolescents for more than ten years—and, in particular, over the past three years at her school of theater and emotional intelligence, Arteduca. The Campo de Visão constitutes a powerful pathway for both artistic and human development during childhood and adolescence. Its effectiveness lies in the fact that it brings together attributes that make it a neuro-compatible practice for the acquisition of sensitive and complex skills: not only the technical and artistic abilities central to the teaching–learning process of young actors, but also socioemotional competencies and skills related to self-knowledge. More than a technique, the Campo de Visão is understood here as an ecology of seeing—an environment of interdependence among perceiving, acting, and coexisting. Drawing on the ideas of Edgar Morin, Paulo Freire, Peter Brook, Karyn Purvis, and Humberto Maturana, the article investigates how this practice reveals the relational essence of theater: a space in which directing and acting become intertwined, and in which learning emerges through intra- and interpersonal listening, systemic interaction, and play.


Keywords: Childhood; Adolescence; Campo de Visão; Directing; Acting; Neurobiology; Ecology.

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Biografia do Autor

Marcelo Lazzaratto, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Livre Docente em Artes da Cena pela Universidade Estadual de Campinas com a tese ''Campo de Visão: um exercício de alteridade''; Doutor em Artes da Cena pela Universidade Estadual de Campinas com a tese ''Arqueologia do Ator: personagens e heterônimos''. Graduado como Bacharel em Interpretação pela Universidade de São Paulo (1991). Pesquisa e desenvolve o sistema improvisacional e pressuposto estético Campo de Visão há 30 anos, tendo publicado o livro ''Campo de Visão: exercício e linguagem cênica'', em 2011, ''Arqueologia de um Ator'', em 2022; ''Campo de Visão: um exercício de Alteridade'', em 2023. É diretor artístico da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico sediada na cidade de São Paulo. Atualmente é Professor Associado- MS 5.2 da Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Teatro, atuando principalmente nos seguintes temas: improvisação teatral, direção teatral, interpretação teatral e dramaturgia cênica.

Marina Elias, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Pós-Doutora pelo Programa de Pós-Doutorado do LUME/ Unicamp, sob supervisão do Prof. Dr. Renato Ferracini. Atriz e pesquisadora, docente do Departamento de Artes Corporais da UFRJ e do Programa de Pós Graduação em Dança da UFRJ. Coordenadora do NUPI - Núcleo de Pesquisa em Improvisações DAC /UFRJ. Doutora (2011) pelo Instituto de Artes da UNICAMP, com a pesquisa Cartografia de um Improvisador em Criação, financiada pela FAPESP. Mestre em Artes (2007), pela Instituto de Artes da UNICAMP, com a pesquisa Zona do Improviso. Bacharel em Artes Cênicas (2003) pela UNICAMP. Fundou e dirigiu durante 5 anos a Cia SeisAcessos, com a qual realizou principalmente espetáculos de improvisação. Com a Cia SeisAcessos, ganhou o Prêmio Funarte Klauss Vianna (2010). Fundou, em parceria com o ator Daniel Dalberto, a Cia Terraço Teatro, com a qual atuou em diversos espetáculos, participando de festivais e encontros de Artes no Brasil. Ganhou o prêmio de melhor atriz pelo espetáculo "Otelo para Todos os Brasileiros, de Antonio Abujamra, com direção de Marcelo Lazzaratto.