ENSINAR E CRIAR: A Encenação como Território Formativo na Graduação em Artes Cênicas
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Resumo
Este artigo investiga a encenação como território formativo na graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a partir do processo pedagógico-criativo do espetáculo Des-encontro, desenvolvido na disciplina Encenação IV com estudantes de licenciatura e bacharelado. Realizado em um bar em funcionamento, o trabalho evidencia que o espaço atua como componente ativo das relações que organizam a criação e a aprendizagem. Orientada pela cartografia, a análise acompanha deslocamentos, tensões e decisões emergentes ao longo do processo, com atenção aos modos de atuação do encenador-professor, à escrita de cartas como dispositivo de acompanhamento e às relações estabelecidas entre estudantes, espaço e criação. Os resultados indicam que trabalhar em situação convoca os estudantes a lidar com instabilidade, presença e negociação, ampliando sua implicação nos processos de criação. Assim, no contexto da formação inicial em Artes Cênicas, a encenação configura-se como um campo legítimo de aprendizagem no qual criar não significa acumular saberes, mas formar-se na experiência.
Palavras-chave: Encenação; Criação; Formação em Artes Cênicas; Cartografia.
ABSTRACT
This article investigates staging as a formative territory in the undergraduate Theatre program at the Federal University of Grande Dourados (UFGD), based on the pedagogical-creative process of the performance Des-encontro, developed in the course Directing IV with licensure and bachelor's degree students. Conducted in a functioning bar, the project demonstrates that space operates as an active component in the relationships that organize both creation and learning. Guided by a cartographic approach, the analysis follows the shifts, tensions, and decisions that emerged throughout the process, focusing on the modes of action of the directorteacher, the writing of letters as a pedagogical accompaniment device, and the relationships established among students, space, and creation. The findings indicate that working in situ requires students to engage with instability, presence, and negotiation, deepening their involvement in creative processes. In the context of initial theatre education, staging emerges as a legitimate field of learning in which creating does not mean accumulating knowledge, but rather being formed through experience.
Keywords: Staging; Creation; Theatre Education; Cartography.