Ⱥ psicopatologia freudiana não existe: interações da clínica e da teoria na constituição dos modelos psicopatológicos na obra de Sigmund Freud

Autores

  • Renato Palma Universidade do Estado do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.9789/pb.v23i1.174-176

Palavras-chave:

Psicanálise, Psicopatologia, Sigmund Freud, Sofrimento Psíquico

Resumo

Este estudo tem por objetivo averiguar qual é a psicopatologia teorizada pela psicanálise de Sigmund Freud e o que ela inaugura de novo. Temos como hipótese que a psicopatologia psicanalítica freudiana não é tão simples de ser definida, como se ela fosse única ou imutável. Ao contrário, acreditamos encontrar no seio da própria psicanálise movimentos e evoluções que permitem evidenciar diferentes maneiras de descrever o sofrimento psíquico. Em outros termos, supomos que, por mais que a psicanálise freudiana tenha um fio condutor único que oriente a sua teoria, através dos conceitos de pulsão e de inconsciente, ela não fornece uma única descrição psicopatológica, mas que foram surgindo diferentes leituras sobre a doença a partir da clínica e de cada invenção teórica. Para investigar essa hipótese, foi realizada uma pesquisa teórico-bibliográfica, dividida em quatro eixos de análise: o primeiro, histórico; o segundo, teórico; o terceiro, nosológico; e o quarto, clínico. Primeiramente, foi feito um breve histórico de como o “pathos” foi representado ao longo da história, e o ilustramos através de uma comparação entre os períodos da Grécia Antiga, da Idade Média e da Era Moderna. Este capítulo teve como objetivo não só apresentar as mudanças na forma de representar a doença na transição de uma época para outra, como também demonstrar as diferentes leituras psicopatológicas dentro de um mesmo período histórico. No segundo capítulo, abordamos o campo psicanalítico freudiano propriamente dito. Visamos demonstrar se as diferentes invenções conceituais apresentadas ao longo da obra do autor promoveram, como supomos, releituras em seu campo psicopatológico. No terceiro capítulo, investigamos como Freud descreveu o quadro clínico da melancolia. Escolhemos esta apresentação clínica porque ela é uma questão central que permeia toda a obra freudiana. E como sua teoria é marcada por movimentos e evoluções baseadas na criação de novos conceitos, investigamos se esse caráter dinâmico da teoria produziu consequências na forma de conceituar a melancolia. E por fim, analisamos sete casos clínicos freudianos para tentar compreender como eles foram construídos e quais recursos teóricos o autor utilizou para fundamentar suas hipóteses psicopatológicas. A partir da clínica, tentamos demonstrar se nossa hipótese de pesquisa é verdadeira ou não. Esta investigação, que se apoia exclusivamente no referencial psicanalítico, é sobretudo teórico-clínica. Dado que a questão colocada diz respeito a conceitos freudianos, as fontes bibliográficas utilizadas foram essencialmente primárias e justificadas em função da relevância teórica, coerência e fidedignidade aos conceitos envolvidos. Freud orientou uma perspectiva de pesquisa baseada na experiência clínica psicanalítica. Ele deixou como legado uma obra que destaca a articulação dessa experiência em forma de teoria. E é nessa perspectiva que nos deixamos guiar na proposta e no desenvolvimento dessa pesquisa, articulando clínica e teoria na investigação da psicopatologia psicanalítica freudiana.

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Biografia do Autor

Renato Palma, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Psicólogo e Psicanalista.
Doutor em Psicologia pela École Doctorale Sociétés, Humanités, Arts et Lettres da Université Côte d’Azur. Mestre e Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Psicanálise da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Analista membro do Corpo Freudiano Escola de Psicanálise. Supervisor clínico no Instituto de Estudos da Complexidade (IEC). Professor da Pós-Graduação em Psicanálise, Clínica e Cultura da Universidade Celso Lisboa.

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Publicado

2026-03-31

Como Citar

PALMA, R. Ⱥ psicopatologia freudiana não existe: interações da clínica e da teoria na constituição dos modelos psicopatológicos na obra de Sigmund Freud. Psicanálise & Barroco em Revista, [S. l.], v. 23, n. 1, p. 174–176, 2026. DOI: 10.9789/pb.v23i1.174-176. Disponível em: https://seer.unirio.br/psicanalise-barroco/article/view/14255. Acesso em: 1 abr. 2026.

Edição

Seção

Teses e Dissertações