A negação da morte e o negacionismo na pandemia da COVID-19

Autores

  • Priscila Cristina Gomes Drumond Silveira Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
  • Monah Winograd PUC-Rio

DOI:

https://doi.org/10.9789/pb.v23i1.74-97

Palavras-chave:

morte, negação, psicanálise, pandemia da covid-19

Resumo

A morte nos comove quando nos deparamos com a perda de outra pessoa. A ausência de alguém nos lembra de nossa própria finitude e transitoriedade. Com frequência, refletimos sobre nossa condição passageira apenas diante da morte do outro e, nesse confronto, despertamos o temor por nossa própria mortalidade. No entanto, mesmo com a morte de milhões de pessoas ao redor do mundo sendo incessantemente televisionada, parte da população permaneceu insensível durante a pandemia da COVID-19. Diante desse cenário, este estudo investiga a negação da morte e o negacionismo disseminado ao longo do período pandêmico. Para isso, recorremos à teoria freudiana, articulando-a com a dessensibilização do sujeito contemporâneo diante da constante exposição ao número de óbitos. Aprendemos com Freud (1930), no texto “O mal-estar da cultura”, a importância de estudar a cultura de seu tempo para compreender o mal-estar social.  Observamos que a recusa em reconhecer a própria finitude é inerente ao ser humano, mas se torna perigosa quando convertida em discurso oficial, especialmente quando proferida por líderes nacionais — como ocorreu no Brasil. A obra “Psicologia das Massas e Análise do Eu” (1921), de Freud, revela-se crucial para compreender esse fenômeno, pois demonstra como a adoração a um líder pode fortalecer mecanismos de contágio e sugestionabilidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Priscila Cristina Gomes Drumond Silveira, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Psicóloga.
Especialista em Psicologia Médica e em Cuidados Paliativos, ambas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ.
Mestre e doutoranda em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio.

Monah Winograd, PUC-Rio

Professora associada do Departamento de Psicologia/ PUC-Rio.

Coordenadora do Laboratório de Humanidades Digitais.

Coordenadora do Laboratório de Estudos Avançados em Psicanálise e Subjetividade.

Downloads

Publicado

2026-03-31

Como Citar

SILVEIRA, P. C. G. D.; WINOGRAD, M. A negação da morte e o negacionismo na pandemia da COVID-19. Psicanálise & Barroco em Revista, [S. l.], v. 23, n. 1, p. 74–97, 2026. DOI: 10.9789/pb.v23i1.74-97. Disponível em: https://seer.unirio.br/psicanalise-barroco/article/view/13870. Acesso em: 1 abr. 2026.