A negação da morte e o negacionismo na pandemia da COVID-19
DOI:
https://doi.org/10.9789/pb.v23i1.74-97Palavras-chave:
morte, negação, psicanálise, pandemia da covid-19Resumo
A morte nos comove quando nos deparamos com a perda de outra pessoa. A ausência de alguém nos lembra de nossa própria finitude e transitoriedade. Com frequência, refletimos sobre nossa condição passageira apenas diante da morte do outro e, nesse confronto, despertamos o temor por nossa própria mortalidade. No entanto, mesmo com a morte de milhões de pessoas ao redor do mundo sendo incessantemente televisionada, parte da população permaneceu insensível durante a pandemia da COVID-19. Diante desse cenário, este estudo investiga a negação da morte e o negacionismo disseminado ao longo do período pandêmico. Para isso, recorremos à teoria freudiana, articulando-a com a dessensibilização do sujeito contemporâneo diante da constante exposição ao número de óbitos. Aprendemos com Freud (1930), no texto “O mal-estar da cultura”, a importância de estudar a cultura de seu tempo para compreender o mal-estar social. Observamos que a recusa em reconhecer a própria finitude é inerente ao ser humano, mas se torna perigosa quando convertida em discurso oficial, especialmente quando proferida por líderes nacionais — como ocorreu no Brasil. A obra “Psicologia das Massas e Análise do Eu” (1921), de Freud, revela-se crucial para compreender esse fenômeno, pois demonstra como a adoração a um líder pode fortalecer mecanismos de contágio e sugestionabilidade.
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