A conversa enquanto método para emergência da escuta de si

Autores

  • Lílian Campesato NuSom-USP, Sonora
  • Valéria Bonafé EMESP, NuSom-USP, Sonora

Palavras-chave:

escuta, conversa, subjetividade, alteridade, criação musical

Resumo

A partir de uma pesquisa de natureza prático-teórica, este artigo propõe forjar um método alternativo para apresentação, reflexão e análise de trabalhos artísticos. Na primeira parte, apresentamos o método - a conversa - e as reflexões sobre ele. Entendida enquanto espaço privilegiado para a investigação das poéticas de si, a conversa é não somente um meio para falar de um trabalho artístico, mas também um lugar de expressão de marcas éticas, estéticas e políticas. Na segunda parte do artigo, observamos o método da conversa em operação na análise dos dois trabalhos musicais feitos em 2015: de perto, de Lílian Campesato, e Trajetórias, de Valéria Bonafé. Os trabalhos tensionam um regime de escuta habitual e provocam, cada uma à sua maneira, o que chamamos de deslocamentos da escuta. Tanto na elaboração do método quanto na discussão sobre os trabalhos, reunimos um vocabulário comum, no qual conceitos como subjetividade e alteridade, habitual e não-habitual, familiar e estranho, foram experimentados. O artigo se constitui como um exercício inicial do que se poderia chamar de uma cartografia da subjetividade no campo da criação artística.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Lílian Campesato, NuSom-USP, Sonora

Lílian Campesato é artista, pesquisadora e curadora. Seus trabalhos exploram o uso da voz e gesto combinados a recursos eletrônicos e audiovisuais interativos. Doutora pela Universidade de São Paulo, atua principalmente nas seguintes áreas: estudos do som, música experimental, artes sonoras e feminismos. Seus textos discutem ruído, experimentalismo e discursos contra-hegemônicos. Recentemente realizou pós-doutorado junto ao NuSom - Núcleo de Pesquisas em Sonologia da USP com uma pesquisa que investiga os discursos acerca dos contornos e limites da música. Seus trabalhos sonoros investigam a voz e a performance. Pesquisadora do NuSom-USP e ativista da rede Sonora: músicas e feminismos. .www.liliancampesato.net

Valéria Bonafé, EMESP, NuSom-USP, Sonora

Valéria Bonafé é compositora, pesquisadora e professora. Realizou sua formação acadêmica - Bacharelado em Composição, Mestrado e Doutorado - na Universidade de São Paulo (Brasil) e na Musikhochschule Stuttgart (Alemanha). Entre os principais assuntos que têm mobilizado em suas pesquisas e trabalhos criativos recentes estão: as dimensões do tempo e do espaço; as noções de sonoridade e de imagem; a perspectiva da memória do afetos; a oralidade e o espaço (auto)biográfico; a escuta e o campo do feminismo. Atualmente é professora na EMESP – Escola de Música do Estado de São Paulo, pesquisadora do NuSom – Núcleo de Pesquisas em Sonologia da USP e ativista da rede Sonora: músicas e feminismos. Seus trabalhos estão disponíveis emwww.valeriabonafe.com.

Referências

BAKTHIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo, Martins Fontes, 2003.

BONAFÉ, Valéria; CAMPESATO, Lílian. A escuta em deslocamento: uma conversa sobre criação musical. In: Anais eletrônicos do Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13th Women’s Worlds Congress. Florianópolis, UFSC, 2018, pp. 1-12.

CAMPESATO, Lílian; BONAFÉ, Valéria. La conversación como método para la emergencia de la escucha de sí. In: El oído pensante, vol. 7, n. 1 (2019). Disponível em: http://ppct.caicyt.gov.ar/index.php/oidopensante/article/view/14037.

DELEUZE, Gilles; PARNET, Claire. Diálogos. São Paulo, Ed. Escuta, 1998.

FOUCAULT, Michel. A escrita de si. In: Ética, sexualidade e política. Coleção Ditos e Escritos, v. 5. Manoel Barros da Motta (org.). Rio de Janeiro, Forense Universitária, 2004, pp.144-162.

KANAAN, Dany Al-Behy. Escuta e subjetivação: a escrita de pertencimento de Clarice Lispector. São Paulo, Casa do Psicólogo e EDUC, 2002.

LAPLANTINE, François. Aprender Antropologia. São Paulo, Brasiliense, 2003.

MACEDO, João Paulo; DIMENSTEIN, Magda. Escrita acadêmica e escrita de si: experienciando desvios. In: Mental, v. 7, n. 12 (2009), pp. 153-166. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-44272009000100009&lng=pt&nrm=iso

NANCY, Jean-Luc. À escuta. Belo Horizonte, Chão da Feira, 2014.

RAGO, Margareth. A aventura de contar-se: feminismos, escrita de si e invenções da subjetividade. Campinas, Editora da Unicamp, 2013.

RAGO, Margareth. Epistemologia Feminista, gênero e história. In: Masculino, feminino, plural: gênero na interdisciplinaridade. Joana Maria Pedro e Miriam Pillar Grossi (orgs.). Florianópolis, Ed. Mulheres, 1998, pp. 21-42.

ROLNIK, Suely. Cartografia Sentimental: transformações contemporâneas do desejo. Porto Alegre, Sulina e Editora da UFRGS, 2016.

Downloads

Publicado

2019-11-27

Como Citar

Campesato, L., & Bonafé, V. (2019). A conversa enquanto método para emergência da escuta de si. DEBATES - Cadernos Do Programa De Pós-Graduação Em Música, (22). Recuperado de http://seer.unirio.br/revistadebates/article/view/9651