Retourner le monde
arte e memória às voltas com uma antroplogia inquieta
Resumo
Dando continuidade ao projeto do que chamou de uma “antropologia dos restos”, Octave Debary tem se dedicado nos últimos anos a pesquisar as diversas formas em que as artes e as antropologias se entrecruzam com as escrituras da história e com o trabalho da memória. Seu mais recente livro Retourner le monde: arts, anthropologies, ressemblances [Retornar o mundo: artes, antropologias, semelhanças] (Debary, 2025), constitui nesse sentido tanto uma condensação de uma série de trabalhos realizados junto à artistas contemporâneos e coleções museais, mas também a ocasião de uma revisão e aprofundamento teórico e conceitual acerca da difícil questão de como acomodar os restos da história. O texto que segue trata-se de uma resenha, acrescida de alguns comentários, deste livro em que o antropólogo retraça seus percursos acompanhando esses “objetos” cuja “ontologia” é tão incerta quanto inquieta, e cuja persistência por vezes é causa de um mal-estar na e da cultura.