Dossiê Funk
“É som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado!” Esse verso é parte do “Rap da Felicidade”, música dos funkeiros Cidinho e Doca, estouradíssima nos bailes funks dos anos 1990, nas comunidades do Rio de Janeiro e Brasil afora. Advento da contemporaneidade, o funk é, antes de tudo, uma expressão afrossônica e uma manifestação cultural na diáspora, forjada nos subúrbios, nas quebradas e nas favelas, alimentada pela dinâmica dos batidões, sampleada pelas melodias do caos e difundida pelas harmonias do “atura ou surta”. Essa manifestação pode ser compreendida, vista e dançada nos bailes, nos alto-falantes de carros, nas festas das mais diferentes localidades e nos meios midiáticos de difusão musical (Spotify, YouTube, SoundCloud e rádios) e de informações sobre o universo funk, contando histórias outras que a história não conta. Reduto das variadas experiências estéticas, o funk, conforme sua larga difusão no Brasil e no mundo, pode ser batidão, melody, tamborzão, ostentação, brega, consciente, proibição, pop e gospel, dentre outros campos de atuação. Entre BPMs, rimas, samples e beats, a musicalidade afrodiaspórica, que é uma expressão das favelas, becos e vielas, anuncia as realidades vividas pelas pessoas nos seus cotidianos, produzindo ousadia e liberdade, sociabilidade e identidade, afeto e cuidado. A partir de experiências e práticas pautadas no campo da música, compreendida de maneira expandida, convidamos artistas funkeiros, artistas das mais diferentes áreas, pesquisadoras/es, educadoras/es e demais pessoas de interesse de outras áreas afins ao foco deste dossiê a apresentarem artigos científicos sobre o funk. Convite este pautado por inflexões que reflitam sobre o universo funk, visto de fenômenos acústicos, históricos, sociais, econômicos, técnicos, culturais, políticos, sonoros e conceituais, priorizando a produção nacional em diálogo com os diferentes campos da música. Outras áreas tais como as Ciências Sociais, Comunicação e Economia Criativa estão convidadas a submeter textos que extrapolem estes direcionamentos à temática do dossiê.
Entre os subtemas sugerimos, a título de exemplo:
Funk como Experiência Afrodiaspórica
Funk, gênero e sexualidade
Funk e musicalidades: subgêneros
Funk e Histórias, Memórias e Territorialidades
Funk e Diversidade de corpos e sujeites : artistes, grupos, etc
Funk, Favelas, Subúrbios, Baixadas e Identidades: sociabilidades e pertencimentos
Funk e Política: criminalização e resistência cultural
Funk e Estéticas: performatividades
Funk e Economia(s) Criativa(s)
Funk e Mídias Digitais: Indústria Musical e Plataformas
Funk e Educação: Saberes, Pedagogias e Produção de Conhecimento
Editoras/es convidadas/os: Iasmin Turbininha, Leonardo Moraes, Renan Moutinho e Taísa Machado
Submissões: de 10 de março a 10 de julho de 2026
As submissões para o dossiê devem ser feitas pelo Sistema OJS e formatadas conforme as orientações para os autores (ver aba Submissões).
Serão aceitas submissões em português, espanhol e inglês.
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