O ÁLBUM FONOGRÁFICO E A DIGITALIZAÇÃO DA CULTURA

FRAGMENTAÇÃO, RECOMPOSIÇÃO E CRIAÇÃO DE MEMÓRIAS

Autores

  • Sabrina Dinola Programa de Pós-graduação em Memória Social - Unirio
  • Charles Gavin

Palavras-chave:

álbum fonográfico, artefato de memória, fragmentação, digitalidade

Resumo

Este artigo resulta de uma interlocução reflexiva entre dois processos de pesquisa que vêm lidando com acervos musicais e a relação entre música, memória e socialidade. O procedimento consistiu em acionar o “modelo teórico” da tese de doutorado de um dos autores para gerar o vocabulário e a abordagem interpretativa da atuação do segundo no campo específico dos acervos fonográficos. O fio narrativo é o dos “encontros etno(fono)gráficos” que resultaram no argumento que aqui é ensaiado. Entendemos que os LPs-álbuns analógicos constituíram um modo singular de fazer fonogramas de performances musicais e, simetricamente, criar performances musicais com fonogramas. Mostramos que as articulações de técnica, arte e ritualidade em torno do fazer música e do fazer discos de música são de complexidade equivalente à dos vínculos envolvidos na escuta e nas lides de pesquisa e re-memoração, no fazê-los (re)circularem. Com base nisso, afirmamos que, a despeito do que percebemos como “fragmentação do álbum analógico”, que decorre da migração para os suportes digitais, subsiste uma memória pervasiva do “formato-álbum” capaz de gerar ou participar de modalidades contemporâneas de experiência da música digitalizada.

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Biografia do Autor

Sabrina Dinola, Programa de Pós-graduação em Memória Social - Unirio

Sabrina Dinola é bacharel em Ciências sociais (FESPSP), especialista em Sociologia urbana (UERJ), mestra e doutora em Memória Social pelo Programa de Pós-graduação em Memória Social (PPGMS) da Unirio.  Atua nas áreas de memória, cultura e patrimônio; música popular e antropologia da música e do som; cinema, imagem e visualidades; produção cultural e digitalização da cultura. Colabora como pesquisadora e professora no Programa de Pós-graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (PPGMS-Unirio). É supervisora de pesquisa do Observatório do Patrimônio Cultural do Sudeste - http://observatoriodopatrimonio.com.br/site/ - e integra a equipe do projeto "Cineclube Leila Ribeiro". E-mail de contato: sadinola@gmail.com.

Charles Gavin

Charles Gavin é músico, pesquisador e apresentador. Cursou administração de empresas na PUC-SP. Estudou bateria, piano, baixo, harmonia e percepção. Como músico, a partir de 1985, passou a se profissionalizar ao ingressar nos Titãs, onde permaneceu até 2010. Neste período, Gavin percorreu o Brasil, apresentando-se com o grupo em todos os estados do país. O convívio com plateias de diferentes regiões e cidades brasileiras ofereceu uma experiência singular sobre a diversidade sociocultural do país. Há décadas dedica-se à pesquisa da história discográfica da música brasileira e de seus agentes. E-mail de contato: charlesgavin.riodejaneiro@gmail.com

Referências

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O amor em paz. Áurea Martins. RCA Victor, 1972

SdV, 13ª Temporada (2019)

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Os Mutantes e seus Cometas no País dos Baurets. Mutantes. Polydor, 1972

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Origens. Martinho Da Vila. RCA Victor, 1973

SdV, 10ªTemporada (2016)

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Remonta. Liniker e Os Camelllows. Pommelo, 2017

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Sonho de um sambista. Nelson Sargento. Eldorado, 1979

SdV, 9ª Temporada (2015)

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Verde, anil, amarelo, cor de rosa e carvão. Marisa Monte. EMI, 1994

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Xênia. Xênia França. Agogo Cultural, 2017

SdV, 13ªTemporada (2019)

https://www.youtube.com/watch?v=NojMnOWlKb0

Publicado

2023-12-30

Como Citar

Dinola, S., & Gavin, C. (2023). O ÁLBUM FONOGRÁFICO E A DIGITALIZAÇÃO DA CULTURA: FRAGMENTAÇÃO, RECOMPOSIÇÃO E CRIAÇÃO DE MEMÓRIAS. DEBATES - Cadernos Do Programa De Pós-Graduação Em Música, 28, e2824D3. Recuperado de https://seer.unirio.br/revistadebates/article/view/13208

Edição

Seção

Dossiê temático