Como canto de ave desolada: uma autoetnografia do luto na pandemia de covid-19

Auteurs

  • Cleonardo Mauricio Junior Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional – Rio de Janeiro, RJ, Brasil

DOI :

https://doi.org/10.9789/2525-3050.2026.v11n21.e14016

Mots-clés :

Covid-19, Luto, Cotidiano, Autoetnografia

Résumé

Este artigo trata das especificidades traumáticas de se perder um ente querido durante a pandemia de covid-19 no Brasil. Como as pessoas que passaram por essa experiência lidam com o luto em suas vidas cotidianas? A partir de um relato autobiográfico em diálogo com as ciências sociais, e principalmente com a Antropologia, quero responder a essa pergunta, enfatizando as dificuldades de se levar adiante uma vida enlutada em meio a uma crise sanitária. Irei abordar o enfrentamento do que chamo de economia moral das mortes por covid-19 por parte dos enlutados, quando encaramos constrangimentos tácitos ou manifestos às expressões de enlutamento em meio à privação da vivência coletiva do luto, seu reconhecimento comunitário, além da supressão dos ritos fúnebres e de despedida. Também pretendo que este texto sirva de memorial aos mortos pela covid-19, contribuindo com um repertório de acolhimento e consolo para os que atravessaram esse evento crítico. 

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Biographie de l'auteur

Cleonardo Mauricio Junior, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional – Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Doutor em Antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco. Pesquisador de Pós-doutorado no Museu Nacional, UFRJ. Bolsista do Pós-doutorado Nota 10 da FAPERJ. CV: https://lattes.cnpq.br/8257727698456026

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Publiée

2025-12-26

Comment citer

Mauricio Junior, C. . (2025). Como canto de ave desolada: uma autoetnografia do luto na pandemia de covid-19. Revista M. Estudos Sobre a Morte, Os Mortos E O Morrer, 11(21), e14016. https://doi.org/10.9789/2525-3050.2026.v11n21.e14016