Reflexões sobre a construção dos discursos e dos sentidos sobre “gafieiras” no Rio de Janeiro

Daniela Spielmann

Resumo


A palavra “gafieira” começou a aparecer no início do sec. XX no Rio de Janeiro e, até hoje, é usada de diversas maneiras: para caracterizar um local, em baile ou um subgênero do samba, o “samba de gafieira”. Inicialmente gafieira aparece vinculada ao carnaval; em seguida em discursos de inadequação e criminalidade principalmente entre 1930-1950. A partir da década de 1960 começa a construção de um novo sentido para gafieira como baile, onde a entrada era paga e com inclusão social, além da primeira referência a um possível “mito” de origem, a “gafe”. No discurso dos músicos (coletados através de entrevistas e conversas informais), gafieira (ou dancing) é relacionada a formações instrumentais (como as jazz bands e big bands), e a um repertório adequado para a dança. Utilizando o conceito de “trama narrativa” (VILA, 1996), a noção de Gafieira é costurada por meio de diversas falas e fontes, tais como os jornais de diferentes épocas e vertentes, a fala de cronistas de época, teses, além de entrevistas com músicos que viveram a gafieira a partir de 1940.

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