Memória Social Migrante
fundamentos teóricos para a constituição de uma abordagem da memória social em contextos de migração
Resumen
A relação entre memória e migração tem ganhado centralidade em debates contemporâneos, mas permanece marcada por dispersões conceituais e usos não sistematizados de expressões como “migrant memory” e “memória migrante”. Embora esses termos circulem em diferentes campos — das artes aos estudos culturais —, raramente dialogam de modo direto com a tradição da memória social. O presente artigo apresenta uma revisão bibliográfica crítica que articula autores clássicos da memória social (Halbwachs, 1925, 1990; Pollak, 1989; Bosi, 2007; Ricoeur, 2007) com contribuições dos estudos da migração, da diáspora e sobre identidade (Sayad, 1998; Hall, 1992, 2003; Gilroy, 2001; Glissant, 2005; Pratt, 1999; hooks, 2022) buscando compreender como o deslocamento reconfigura quadros de pertencimento, práticas de lembrar e modos de existência. A partir desse percurso, propõe-se o conceito de Memória Social Migrante como subcategoria analítica que descreve formas de memória social produzidas em contextos de migração, caracterizadas pela recomposição contínua de vínculos, pela seletividade ética do lembrar, pela circulação transnacional de referências e pela articulação entre silêncio, perda, resistência e invenção. Ao sistematizar debates dispersos e indicar lacunas no campo, o artigo contribui para consolidar a Memória Social Migrante como ferramenta teórica para a compreensão das experiências de deslocamento e das práticas sociais e informacionais de lembrar em contextos de mobilidade.